Há mais de quatro décadas, Amâncio Valentim dedica-se à medicina tradicional. Confia no poder curativo das plantas medicinais de São Tomé e Príncipe.
“Uma única planta pode ter múltiplas aplicações terapêuticas. A nespa d’ôbô, por exemplo, que tenho em mãos, é utilizada no tratamento de infeções urinárias, pedras na vesícula, problemas de próstata e até casos de câncer — desde que a doença não esteja em estado avançado”, garantiu Amâncio Valentim.

As autoridades nacionais querem incluir a medicina tradicional no sistema de saúde.
“Durante o período da Covid-19, as folhas e ervas medicinais desempenharam um papel relevante no reforço do sistema de saúde nacional”, afirmou Adérito Bonfim, Diretor do Serviço Nacional da Propriedade Intelectual e Qualidade de São Tomé e Príncipe.
A proposta de inclusão da medicina tradicional no sistema nacional de saúde foi bem recebida por Amâncio Valentim. Conhecido como médico tradicional, defende a união entre ciência e saber ancestral. Acredita que esta convergência é essencial para um sistema de saúde sustentável, inclusivo e culturalmente enraizado.
“Os estrangeiros chegam ao país também motivados pelo interesse na medicina tradicional. Procuram as nossas plantas medicinais e procuram também os praticantes da medicina tradicional. Sabem da nossa capacidade”, afirmou Valentim.
Num workshop sobre o tema, foi destacada a importância de aplicar tratados internacionais que protegem o conhecimento tradicional e os recursos genéticos.
“Existe um tratado internacional sobre o conhecimento tradicional e os recursos genéticos, que pretendemos internalizar e adaptar ao contexto nacional. O objetivo é regulamentar e certificar os terapeutas tradicionais, garantindo reconhecimento formal e segurança na prática”, assegurou Adérito Bonfim, Diretor do Serviço Nacional da Propriedade Intelectual e Qualidade.
Apesar de ainda não existir legislação específica sobre medicina tradicional, as autoridades santomenses prometeram colmatar esta lacuna em breve. O objetivo é garantir a sua inclusão real nos cuidados prestados aos pacientes.
José Bouças