A antologia ‘’No Gods Live Here- Selected Poems’’ (‘’Aqui Não Moram Deuses – Poemas Escolhidos’’), da poetisa Conceição Lima, publicada em 2024 nos Estados Unidos, com organização e tradução de Shook, foi a obra vencedora da 44ª edição dos Prémios do Livro da Califórnia do Norte (Northern California Book Awards), na categoria de poesia traduzida.
A antologia reúne poemas dos quatro livros e alguns inéditos da poetisa são-tomense e havia já sido incluída entre os ‘’60 livros notáveis de 2024’’ nos Estados Unidos. Shook, tradutor, crítico literário e poeta, esteve presente na cerimónia, na Biblioteca de São Francisco, no passado dia 6.
Foi a primeira vez, na história do reputado galardão, que a obra vencedora da categoria de poesia traduzida foi escolhida por unanimidade. O facto foi ressaltado por Shook, presente na cerimónia, o qual manifestou a sua profunda satisfação pela vitória da antologia que traduziu em estreita colaboração com Conceição Lima, num processo longo que implicou duas vindas a São Tomé. Foi a segunda premiação da poesia de Conceição Lima nos Estados Unidos.
Em setembro de 2021, o poema ‘’Afroinsularidade’’ (‘’Afroinsularity’’), do seu primeiro livro, O Útero da Casa, venceu, ex aequo, o concurso Poems in Translation/Poemas em tradução, coorganizadopela Academia Americana dePoetase pela revista Words Without Borders, entre 606 poemas, 327 poetas, 79 países e 61 línguas.

A publicação da premiada antologia, em 2024, mereceu uma entusiástica análise crítica do reputado académico norte-americano Robert Patrick Newcomb, reproduzida pelo Téla Non, na qual Conceição Lima foi considerada uma voz proeminente da poesia de língua portuguesa, da poesia africana e da poesia contemporânea. Contactada pelo Téla Non, a poetisa são-tomense não escondeu a sua satisfação.
‘’Partilho a alegria e, certamente, o orgulho do meu querido amigo David Shook, cujo talento de tradutor foi, mais uma vez, distinguido. Claro que a minha poesia é alvo desta distinção que eu estendo à literatura são-tomense. E destaco, de forma particular, o reconhecimento da literatura são-tomense, que já gerou grandes nomes como Caetano da Costa Alegre, Francisco José Tenreiro, Marcelo da Veiga, Alda Espírito Santo e Maria Manuela Margarido, para referir apenas os nomes fundacionais, nomes dos quais me sinto, de uma ou de outra forma, tributária. O saudoso poeta cabo-verdiano, Corsino Fortes, dizia, muito assertivamente, que o testemunho do criador deve aumentar o património de todos. Espero estar a fazê-lo, de alguma forma.’’
Contudo, a poetisa acha que os prémios não devem provocar um entusiasmo desmedido.
‘’Claro que os prémios são uma forma de reconhecimento e geram alegria e um sentimento de gratificação. Porém, procuro não perder nunca de vista que apenas o Tempo é o juiz supremo dos artistas e criadores. Digo Tempo com maiúscula. Tudo o que posso fazer, é garantir que vou continuar a criar.’’

Conceição Lima, nome literário de Maria da Conceição Costa de Deus Lima, é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, nomeadamente para o alemão, árabe, checo, espanhol, francês, galego, inglês, italiano, neerlandês, servo-croata e turco.
O seu segundo livro, A Dolorosa Raiz do Micondó, com nove edições em várias línguas, foi publicado no Brasil pela Geração Editorial e, em 2013, selecionado, entre mais de 400 títulos, pelo Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, PNBE, com uma tiragem de 35.500 exemplares pelo Ministério Brasileiro da Educação.
Em 2021, venceu o Prémio de Literatura Dramática Isaura Carvalho, promovido pela Roça Mundo, com a peça Um Confronto Imaginado e uma Profecia e em 2022 foi galardoada com o Prémio Guerra Junqueiro da Lusofonia – São Tomé e Príncipe. Jornalista da TVS, Televisão São-tomense, onde apresenta o programa ‘’O Lugar da Conversa’’, sobre artes, cultura e sociedade, Conceição Lima leciona História dos Média no Instituto Superior de Educação e Comunicação (ISEC), da Universidade de São Tomé e Príncipe.
O Triunfo da poesia “Aqui não Moram Deuses” na 44ª edição dos Prémios do Livro da Califórnia do Norte é dedicado pela poetisa à sua professora Maria Alves Barbosa do Espírito Santo, “com muito carinho, amor e profunda gratidão”.
Téla Nón