— Flá Vón Vón, O País em Voz Alta
Aqui vai o resumo curto do artigo “O encontro no Palácio”:
“Há dias, o Palácio do Povo foi palco de uma cena improvável.
Sob a presidência do Chefe de Estado, realizou-se uma reunião “sobre a necessidade de urgência do julgamento do caso 25 de Novembro de 2022”. À mesa, lado a lado, ministros, juízes, procuradores e chefias militares — o poder político, o poder judicial e o poder militar, todos no mesmo espaço, com o mesmo propósito declarado: “discutir a celeridade da justiça”.
O gesto parecia bem-intencionado, mas revelou fragilidades preocupantes. O formato escolhido — que juntou responsáveis de diferentes poderes do Estado e assessores do gabinete presidencial — criou um ruído simbólico: o Presidente quis apelar à justiça, mas acabou por fragilizar a ideia de separação entre poderes, um dos alicerces do Estado de Direito.
O Flá Vón Vón reconhece o valor das intenções do Chefe de Estado e o interesse nacional em ver o caso 25 de Novembro resolvido com justiça e dignidade. Mas as boas intenções não anulam a necessidade de coerência institucional.
Desde 2022, a Presidência tem alternado entre o silêncio, os gestos protocolares e as oportunidades perdidas — do discurso comovente no quartel, à ausência simbólica quando o relatório foi finalmente divulgado, até esta recente “reunião de trabalho”, onde a justiça foi literalmente convocada para a fotografia.
A questão central é outra: a justiça não se convoca — funciona.
E se não funciona, a pergunta não é “quando julgar?”, mas “por que não funciona?”.
Os problemas estruturais estão à vista: o Supremo Tribunal continua sem presidente; o Tribunal Constitucional recusou reavaliar o recurso sobre a jurisdição competente; o Ministério Público muda de rosto, mas não de eficácia.
A própria autoridade do Presidente sobre as Forças Armadas permanece ambígua — é Comandante Supremo ou mero supervisor moral de uma estrutura que lhe escapa ao controlo?
Três anos depois dos acontecimentos de 25 de Novembro, o país continua à espera não apenas de um julgamento, mas de um gesto de verdade. E quando o poder político chama a justiça para a fotografia, o risco é que a forma suplante o conteúdo, e a imagem substitua a substância.
O julgamento — quando acontecer — será mais do que uma sentença: será o teste da maturidade das nossas instituições e da coragem moral do Estado.
Até lá, o Palácio do Povo continuará a ser, tristemente, o lugar do silêncio.
TEMA II
A ADI a demarcar-se do seu próprio governo
“Um partido sem governo e um governo sem partido — mas ambos com o mesmo ADN: o desprezo pelo interesse nacional.”
Sem assunto
13 de Outubro de 2025 at 19:22
Não, Luisélio Pinto, o gesto do Presidente da República, creio eu, não enfraquece, ingere, atenta, ou diminui o poder judicial, pelo contrário, a coloca em prantos e em sentido.
Já é altura de termos um “super-Presidende da República” consciente, lúcido e movido por bom senso capaz de pôr as maos em tudo ou quasr tudo.
Nós os são-tomenses, somos desordeiros, descrentes, prevaricadores, indisciplinados, egoístas, mesquinho e avarentos, de modo que terá que haver sempre alguém, uma força, ou algum poder que exerça influência, controle e pressão sobre nós.
É isto que tem nos faltado, desde 1991, com o advento da democracia e o seu bendito multipartidarismo.
O gesto do senhor Presidente da República é louvável, recomendável e necessário.
Idealista
14 de Outubro de 2025 at 8:22
Não queremos ditadura, nem opressão.
Luiselio Salvaterra Pinto é um homem idealista que doravante se empenhou no seu Flá Vón Vón, falar atoa e sem substância.
Luiselio tem tido muitas ideias na mente, quiça com um intenso sentido de otimismo e criatividade, mas com muitas dificuldades em alcançá-las por serem algumas das quais (ideias dele) um pouco inviável.
E, agora, só fala e escreve desta maneira—Flá Vón Vón só, nāo consegue nem combater, e nem resolver o impassse sobre a situação de morte dos civis, e mais nada-apenas desabafar neste vón vón.
O resultado à vista não existe. O Carlos Vila Nova continua a dançar com o assunto sobre o caso “25 de Novembro de 2022” até o dia da eleição presidential em Julho de 2026.
O presidente Vila Nova está apenas a ganhar tempo…
Falar, escrever ou dizer sem trazer resolução é um facto incontornável dentro de São Tomé e Príncipe.
Idealista
14 de Outubro de 2025 at 8:33
Correção: Luisélio
Continue lutando! Não desista.
Flá Vón Vón,
13 de Outubro de 2025 at 23:27
Forcas ou Forças? A forma correta é Forças Armadas.
Raquel
14 de Outubro de 2025 at 7:22
Pintacabras 1 e 2, agora estão a criar manobras dilatorias para entalar a oposição e os indivíduos que nao fazem parte do sistema. Abri olho oposição. Fica atento tds funcionários.
António Nilson
14 de Outubro de 2025 at 9:01
O Betinho está parcialmente incorreto.
O comentário de Sem Assunto enfatiza correctamente a necessidade de uma liderança decisiva e o desejo de ordem e de governação eficaz. Ele também reconhece que muitos cidadãos Santomenses se sentem frustrados pela percepção da desordem e querem líderes que actuem com firmeza e responsabilidade.
O comentário em torno de uma liderança decisiva e da busca da ordem para São Tomé e Príncipe é vital. Embora todos procuremos a estabilidade, é crucial protegermo-nos contra soluções que correm o risco de minar as nossas salvaguardas democráticas. A concentração excessiva de poder, mesmo com boas intenções, pode minar a independência judicial e os mecanismos de controlo e equilíbrio essenciais que protegem os direitos dos cidadãos.
A minha proposta positiva e construtiva, na minha opinião, centra-se em alcançar uma governação eficaz de forma diferente. Vamos defender uma responsabilização robusta, incluindo uma tomada de decisões transparente e uma supervisão independente. Simultaneamente, devemos elevar a administração pública através de reformas da função pública e de iniciativas anticorrupção. Por último, capacitar os cidadãos através da educação e do envolvimento irá construir confiança e disciplina desde o início, garantindo a estabilidade sem comprometer os nossos princípios democráticos.