Edney Silva, rapaz bem-feito, jovem da diáspora e soldado da Internet, quem ganha-dinheiro na longínqua França, através de força e suor do trabalho para o sustento de família e juízo na terra, numa reação à emboscada encetada por Abnilde d’Oliveira e Nelson Carvalho; o ativista social, usando o terreno ao alcance do simbolismo da ação, tirou coisa na alma de lavar cidade suja d’água-mato; https://www.facebook.com/reel/2013614662769978 .
Acontece a qualquer um, na aplicação dos reais objetivos da mão direita, da esquerda democrática, dias que gen parece non ter coisa di fazê. Por mais boas das intenções, certos atos, jamais ficam bem a quem assume a prática, deixando a sensação de que a nobre dupla, distraindo-se de rever ao espelho, só podia ser, tentou seduzir o jovem ao catálogo, «A lei é dura, mas é a lei!»; daí que, «Ninguém está acima da lei!» Observada desta perspetiva, acresce-se de que, «Nenhum cidadão, independentemente do seu estrato institucional, financeiro ou social, deve desafiar a lei».
Até aqui, tudo lindo, perfeito e até justo, sem prejuízo às sucessivas crises, em que o país parece ser réu no Estado Democrático de Direito. A questão que se coloca e no contexto atual de São Tomé e Príncipe, em que o presidente da República, se voluntariou ao prazer de estar acima da lei, desprestigiando a estrita obediência às normas constitucionais e decisões judiciais, qual cidadão confrontando o berço com a intermitente figura do mais alto Magistrado da Nação, não hesita na observância da imaculada honra?
Edney Silva, advogado de defesa do engenheiro Carlos Vila Nova, candidato às presidenciais de 2021, de rompante, surgiu nos ecrãs móveis que nem o temporal tropical, em guerra familiar com um outro concorrente, o comediante. Fiel aos seus ideais, em batalha subsequente, prosseguiu com o peito às balas adversárias com que carregou publicamente os familiares para a consumação da vitória eleitoral, ao poder absoluto legislativo, autárquico e regional de 2022, em São Tomé e Príncipe.
Todavia, o sangrento Massacre de Mouro, logo a seguir, no dia 25 de Novembro de 2022, – dois meses contados do troféu popular -, em que na maior da frieza e desumanidade, foram torturadas até a morte, quatro vidas civis, aprisionadas na parada militar; com requintes de crueldade inimaginável; pela negativa e revolta, o hediondo crime escancarou portas à deserção pública do jovem militante. De megafone, como todo são-tomense de bom senso, defensor pela melhoria da sobrevivência dos desfavoráveis e juiz dos princípios do Estado Democrático de Direito, Edney Silva, em clamor aos Direitos Humanos, se soltou das argolas partidárias, hipócritas e insensíveis à vida humana.
Em Obolongo, com os pés no chão seguro e através de imagens, sem rasura, o ativista social, catorze anos depois, regressou e lamentou a ruína de um país, sem cidade; habitação digna; saúde; estrada; educação; eletricidade; água potável; salubridade. Sem oportunidade privada; indústria transformadora; apreciação de competências; justiça, nem administração pública, mas de gente engravatada, endinheirada de luxo e sem estratégias de prioridade, a governar e matar sonhos à juventude, a maior medalha do povo insular. É isso aí! O jovem «falou feio, mas bonito», pelo que não lhe faltou rumaria da multidão. A inevitável questão.
O palavrão, desde que seja de utilidade pública para pôr cobro ao desespero, à lamentação e desesperança do povo, não é insulto!? Não! Nas redes sociais e na livre expressão, também se preservou o contraditório. Sim!
O país desprovido de certificado à impunidade para que os políticos, simplesmente, revissem nas respetivas consciências, Obolongo, lá no verdejante e Santo Domingo 2, tornou-se a testemunha fiel do palco político-jurídico. Sem precaver, o agente notificativo judicial, na viatura policial, mas de chinelo, camisola e calção (traje proibitivo aos ambientes de expedientes administrativos), surpreendeu Edney Silva, com sucesso, algemado por impulsos românticos, manejados por Abnilde d’Oliveira e Nelson Carvalho, entretidos na tenda do vinho de palma. Que delírio!?
O vice-presidente da Assembleia Nacional e o antigo manda-chuva da Câmara de Mé-Zóchi, respetivos, prestaram serviço de dupla personalidade moral, ética e decência cívica de altas figuras políticas à nobreza da nação. Não deveria ser credível de que voluntariaram a figurantes de uma espécie de agente infiltrado e prestativo à desonestidade da família partidária com viciamento de «chibarem» contra o desertor, agora num outro espaço político, militante do partido Basta.«Tudo que é feio, não pega; apenas o bonito!»
Ainda que referenciado por ataque à honra do património nacional, os articulados do código penal, estabelecem afazeres cívicos e sociais aos apanhados na contra-mão da moral pública. Os mais de mil euros de caução e receitas similares, sem desfalque na estrada esburacada, nem despiste na claridade da escuridão, deveriam seguir às causas sociais das vítimas de sentenças das más decisões de políticas públicas.
Oportuna, a jurisprudência da toga, nas vestes da juíza, vai a tempo de estender caridade ao XIX Governo. Com a fórmula arrecadada, fica elegante colocar os pilares de um palacete aos órfãos que, na semana passada, perderam a Mãe cadeirante, a senhora Lurdes, o símbolo maior de inspiração à humanidade. Paz Eterna à malograda guerreira e consolo aos corações órfãos, sofridos de dor e luto!
Os corações de boa-vontade, não vão ficar indiferentes à Campanha de Solidariedade Social, mais uma – há fé na seriedade – criada para construir os três tetos na capital do país e salvar, em especial, os quatro órfãos, ainda crianças e adolescentes, apanhados pelo infortúnio do incêndio que lhes roubou a Mãe carbonizada. Ela era a jardineira que regava as plantas de amor, carinho, educação e sonhos para que cada dia, germinassem flores de brilhar-lhes um futuro risonho. Fica estampada, a coordenada da Associação Juntos Pelo Bem: Zezinha Mendes Vicente – IBAN: PT50 0035 0531 0003 3117 4307 5 – Mbway: 934 953 882 ou 927 565 166. Em São Tomé e Príncipe +239 994 7580 – Neusa Viegas.
Não fosse, vezes contínuas, a maldição de dois pesos e duas medidas da justiça auto-crucificada na política, bastaria à Trindade, a prestigiante placa comemorativa dos 50 anos da Soberania Nacional. Negligenciada na mais simulada avenida da cidade, sobressaltada pelo silêncio do turbilhão de Riboque, mas contextualizado ao declínio democrático, não fosse a água-mato que se extrapolou do palco político, o nome de Edney Silva, abraçado pelo desespero nacional, estaria por lá eternizado na visibilidade da rebeldia da diáspora, enquanto investidor, ativista social e voz da terra.
Neste dia de Angola, o ano todo de condecoração e homenagens, sem deixar ninguém para trás, – alguns são-tomenses, incluindo o primeiro Presidente das ilhas, Pinto da Costa e, também, o Bispo Dom João de Nazaré – no Quinquenário da Nação, o Estado tem arquivado memórias de organização, brio, colorido, elevação, memorial, diplomacia e também extravagância diamantífera no mascarado chuto de Argentina, na bunda e no rosto festivo. Apesar deste contraste para com o sofrimento do povo de baixo rendimento, fome, desemprego, epidemias e sonhos na melhoria de vida, adiados para a esperança longínqua, «Parabéns aos angolanos!»
Renascer São Tomé e Príncipe!
José Maria Cardoso
11.11.2025
