Certa imagem vale por mil palavras, o que garante ao óbvio. Mil palavras podem valer ou não à certa imagem. Hoje, ainda no refresco da Semana Santa que a fé cristã legisla aos homens a virtude de anúncio das tréguas nas lacónicas guerras; liberto dos 10º graus excessivos (já nos 30º) para este início de abril, assaltei impulso ao dia de sol mediterrâneo e primaveril das flores de mil cores e dentes europeus descascados nos cantos do sorriso para, frontalmente, imprimir uma dinâmica diferente. Mas ando com pé atrás; não é para pouco. Vou “cascar pele” ao governante da república.
Quem beneficia de compromissos democráticos sorteados na concorrida corrida popular referendada a 22 de Agosto de 1990, jamais goza de expediente e por mais óculos, em se queixar de algum conforto pessoal, fotografando o povo na mais doentia miséria estomacal e mental. Aos que nada diz, “cascar pele”, neste exato contexto, significa “rachar as costas” à criatura, mas que a vítima não sinta efeitos da ação, nem fica com a reação de golpes dolorosos no corpo.
Fui coscuvilhar o quintal alheio. Licenciado em Economia pela Universidade Lusófona (PT); graduado Mestre em Políticas Económicas pela Columbia University (USA); já exerceu o cargo de Administrador e membro do Conselho de Administração do BCSTP. Estagiou, trabalhou no FMI e é perito internacional. Colaborou no Manual de Estatísticas das Finanças Públicas, de 2014. Pôcha!
Com este brilhantismo de fazer-boca, não é de bom senso correr o risco, mas a ação pública do governante reclama reação do mesmo jeito, pública. Sem ser oportunista e pessimista, mas rebelde, carreguei a arma e pus os pés no terreno de guerra. Não senti a mínima “dor de cotovelo”, nem “olho-cheio”, pior, nem vergado ao ódio, à vingança, outra malvadez ou à cobiça pela performance do titular público em questão. Daí, não é intenção ter problemas com ninguém, mas sinceramente – montanhas me ergueram os ombros -, “se o ministro Gareth me cair de mal, eu estou nem aí!”
É imprescindível dar toque à guerra para evitar que os mal propositados surjam de espíritos enlameados a lançar mais entulhos, a torta e a direita, na clara demonstração do despiste democrático, empobrecido e fora dos eixos. Na festança da desonestidade intelectual, bandalha republicana e roubalheira institucionalizada, esta que – em conluio com Portugal -, tem brindado a democracia insular, através de compras de empresas, apartamentos, vivendas e quintas na antiga metrópole por parte dos governantes e administradores públicos, como um miúdo dar peito à correnteza? Não é compatível, nem deve ser politicamente correto que um membro do executivo, num desabafo concorrido, venha mexer com o comodismo da santa nação.
Não é que o ministro através de audiência pública, há dias, renovou lealdade privilegiada ao atual chefe do governo!? Livrou-se-se da sujeira do carvão tingido no fato pelos amigos que lhe batem mãos carinhosas nas costas; comprometeu-se com o povo, se engajando no esforço e na perícia, acima de conflitos de interesses e jogos partidários. Por fim, como que ouvidos às dissertações pessoais, me retirou palavra da oratória maluca. Desafiou os distintos quadrantes da vida coletiva, Presidência da República; Parlamento; Justiça; Defesa; Segurança e todos os administradores da coisa pública para, na devida consciencialização do sofrimento do povo, observarem e colocarem na prática o espelho que ele tem sido no uso da viatura pessoal, sem custos para o debilitado Estado.
Com consciência a contas com a justiça, hesitei o passo em diante. Então!? Por que diabo fazer mal ao jovem ministro? Fui pela aparência. Num momento de engasgamento de palavras por parte dos chefes dos estados africanos (nem os de petróleo com a proteção da Rússia enviam um só carregamento de solidariedade aos cubanos, os socorristas de todas as pragas africanas) derivado da loucura, pressão económica e ditatorial da política imperial e de guerra dos Estados Unidos da América – rasgando uma vez mais a Carta do Direito Internacional – e com consequências nefastas aos países de limite fronteiriço da dignidade humana (sem saúde, educação e nem infraestruturas), o governante, no papel de Jesus Cristo, em jejum, veio a se comprometer com o país à míngua!?
Vi honradez a arder ao nervosismo petrolífero com o estrangulamento da economia mundial. Com as barricadas e, diga-se, mobilizadas de desrespeito à presença e autoridade do Estado com os clamores sobressaltados de Mé-Zóchi por estrada, energia e água saudável, o membro do executivo surgiu sereno e de peito aberto. Administrou lições de aperto financeiro com o novo furo, se houver espaço no envelhecido cinto. No uso da transparência apetecível e didática, aproveitou as antenas e, na hora, aplicou golpe de mestre. Deu puxão de orelhas ao partido adversário e de apetência governativa, o suporte da estabilidade democrática, mas também sonolento, sem mestre, nem norte.
O ministro piscou os olhos à diáspora a apostar na agenda progressista do país. Prometeu retirar proveito à claridade da emigração, a retaguarda financeira de qualquer país insular. As provas da renda às estatísticas, embelezam as férias de gravana, quadra natalícia das ilhas, e não só. Os filhos que saltaram a água, nos olhos de volta, estoiram somas chorudas de euros no mercado informal e movimentam milionárias compras e vendas formais. Não discriminou o governo regional.
Resisti em cair na emboscada. Desde Elsa Pinto, a antiga ministra da Defesa – pioneira no ambiente lusófono na pasta de referência masculina mundial – quem deu puxão de orelhas a Tozé Cassandra, o então presidente do governo regional, por causa das antenas civis que, na época, pretendiam sobrepor a dos militares e da soberania nacional (se não caio na cilada) nenhum ministro da república bateu mãos fortes na mesa. O ministro Gareth exigiu, claramente, que as receitas regionais, apesar de ínfimas e alocadas à região; pela inteligência e pelo rigor contabilístico, de cabeçalho ao rodapé, devem constar das estatísticas centrais. Os dados, óbvio, fazem falta à matemática nacional e prestação de contas internacionais. Aprendi o conteúdo em miúdo.
Senti a pressão da bala a sair pela culatra. Porquê fazer mal ao governante, um jovem promissor e comprometido com os saltos altos à nação? Não obtive resposta, apesar de munições desperdiçadas. Fica ao alcance da compreensão de qualquer cidadão por que absurdo, o governante foi alvo de golpes baixos em dois atentados que, graças a Deus, saiu ileso para o bem-estar da família e dos familiares. O primeiro, incompreensível, foi projetado pelo líder do seu partido que lhe acusou de traidor por se ter libertado do cárcere. Visivelmente perturbado, o antigo 1º ministro (quatro vezes) lançou tabefes contra os desertores do partido, incluindo ele, o antigo ministro do último exercício do uso rotineiro de biberão do chefe chupando e engolindo o leite à vaca definhada, sem dó, nem contas a prestar pelo despesismo público. A segunda afronta, não menos agressiva, surgiu de uma certa franja da população regional com o lançamento de inúteis bombas pelo facto do governador das contas públicas exigir, simplesmente, a gestão organizada da casa. Com a arma em punho e sem inspiração, precipitei os ouvidos à multidão da sociedade civil. «É democracia!»
Tentei me refazer da contínua guerra dos arruaceiros da maioria parlamentar, a oportunidade de não desperdiçar mais balas. O retrato oculto, apesar da altura que faz sombra onde coloca os pés – ainda que no meio de corpulentos americanos traficados pelo comércio negreiro dos europeus imperiais à África -, o antigo conselheiro do presidente Vila Nova, ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, mais tarde, transitado na continuidade do executivo para a também calada pasta dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, sem vestígios de escuridão da EMAE (Empresa Madrasta de Água e Eletricidade), do nada, tem despertado a todo mundo.
Pressenti o cheiro da maldição. Sem disponibilidade para as maratonas eleitorais do ano, retardei o impacto da guerra, pondo pés em fuga como o diabo da cruz. Na essência da consciência coletiva, o antigo figurino ministerial, contrasta com a ideal postura comunicativa, competitiva e racional do atual super ministro, sem argolas do chefe, a terminologia arrancada à força ao atual 1º ministro.
Vislumbrando fim à guerra, por questão de consciência e justiça, graças a Deus, baixei a arma. Ufa! Senti o prazer da liberdade. Por toda a avalanche democrática, apenas me predispus a jogar limpo, em pleno terreno combativo, pela postura pedagógica, comunicativa, assertiva, imaginativa, de eficácia e eficiência do atual super ministro do Estado, da Economia e das Finanças, Gareth Guadalupe. Deu alma ao trampolim da história. Inaugurou reinvenção à independência económica rumo à prosperidade das ilhas. Um golpe ao “status quo”, isto é, o ano da mudança de mentalidade.
Sobrevivido e emocionado, algum zumbido me assobia de que o ministro, guarnecido pelo Espírito Santo, apesar de manifestos contrários à transição da história, até à improvável deceção, só me compra em ser mais um filho da Santíssima. A dona Antónia, lá no cantinho do Céu, deve estar de dentes sorridentes – a ideal marca de afeto -, e muito orgulhosa pelo filho “de mãos na massa”, competente, hábil, explícito, elegante, voluntário e comunicativo, ou seja, o Homem de Estado deixado pela mãe ao serviço público dos são-tomenses. Senhor ministro Gareth, Parabéns!
José Maria Cardoso

11.04.2026