O Téla Nón tem um vasto arquivo dos apagões em São Tomé e Príncipe. O povo cansado da crise crónica de energia eléctrica saiu às ruas anos após anos para protestar. No ano 2018, ainda durante a vigência do governo da ADI, o povo saiu à rua em diversas localidades, ergueu barricadas nas estradas, e incendiou pneus. Fogo que iluminou sobretudo o bairro de São Marçal nos arredores da cidade de São Tomé.
Na altura, a direcção da EMAE disse que só produzia 7 megawatts de energia, quando as necessidades nacionais eram de 20 megawatts. Carlos Vila Nova, o actual Presidente da República era o Ministro das Infra-estruturas.

Os dados divulgados em 2018 indicam que de 2013 até 2014 a EMAE produzia 16 megawatts de energia. De 2014 a 2018, período do mandato do governo da ADI, a produção baixou para 7 megawatts.
O protesto popular foi tão grande e com tantos estragos, que o malogrado presidente da República Evaristo Carvalho exigiu a abertura de um inquérito.
Recuando no tempo, em maio do ano 2009, a população da cidade da Trindade saiu a rua numa manifestação espontânea que fez recordar o levantamento, e a resistência do povo de Mé-Zochi em 1953. Óscar Sousa, era o director geral da EMAE. Segundo o director, a única fonte de fornecimento de energia à população era a central térmica de São Tomé, que produzia 4,6 megawatts de energia quando, segundo a direcção da empresa, a demanda nacional era de 22 megawatts. Em 2009 o povo reclamava que só tinha 30 minutos de energia por dia.
A solução para a crise energética foi marcada para o ano 2010. Foi construída a central térmica de Santo Amaro com capacidade de 12 megawatts. Os geradores foram ofertados a São Tomé e Príncipe, depois de um pedido feito à Taiwan pelo então Presidente da República Fradique de Menezes.
Em 2021, os apagões provocaram uma reunião de emergência entre a direcção da EMAE e o então primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, na altura líder do MLSTP e chefe do governo de coligação. Interessante é que as declarações produzidas em 2021, são iguais às que foram pronunciadas pelo governo da ADI liderado por Américo Ramos em 2026.
«A situação é precária…A EMAE tem um parque de geradores velhos, e precisam de manutenção», foi a justificação dada ao público pelo então director geral da EMAE Celestino Andrade, após a reunião de emergência.
O ano 2023 também ficou marcado por apagões.
«Os grupos de geradores já não correspondem à capacidade de produção. Precisamos de peças que já não existem neste momento…recorremos às nossas sucatas para manter os geradores», afirmou no ano 2023 o ex-director geral da EMAE Hélio Lavres, após uma reunião de emergência com o então chefe da administração pública e primeiro-ministro Patrice Trovoada.
“Os sucessivos governos e a crise crónica no fornecimento de energia eléctrica em São Tomé e Príncipe”, pode ser o título de um filme de comédia. Pois, no ano 2013 até os morcegos foram responsabilizados pelos apagões em São Tomé e Príncipe.
«Foi um morcego que bateu na linha e provocou a rotura. Estamos na gravana e aumenta o número de morcegos. Quanto tentam pousar nas linhas de alta tensão, eles abrem as asas, que acabam por entrar em contacto com o sistema de alta tensão, então acontecem os disparos na rede», explicou o então ministro das infra-. estruturas Osvaldo Abreu, a propósito do apagão geral ocorrido no mês de maio do ano 2013.
A crise energética em São Tomé e Príncipe só é equiparada à crise na Saúde. Dois sectores onde apesar dos vários debates parlamentares, e de protestos da população, os sucessivos governos da Nova República (decretada em 1990) nunca planificaram uma solução sustentada, em prol de São Tomé e Príncipe.
Abel Veiga