A escuridão e a paralisia económica perseguem São Tomé e Príncipe. 35 anos após a instalação da Nova República, a degradação contínua das infra-estruturas, das instituições, e da própria mente dos cidadãos terá feito o país bater no fundo.
«Temos um parque de geradores em que alguns datam de mais de 20 anos, mesmo tendo adquirido alguns geradores, alguns novos, e alguns mais ou menos, não são suficientes para colmatar a necessidade de energia», declarou o primeiro-ministro Américo Ramos.
10 meses a fio em busca de uma solução breve, para a crise no fornecimento de energia a população, e nada. O primeiro-ministro deitou o brevemente para o chão. «Precisamos arranjar uma solução, mas ela não pode ser de curto prazo. Lamento, a situação é crítica, mas temos de arranjar soluções duradouras» desabafou Américo Ramos.

35 anos de improvisos, e a planificação deixou de ser prática governativa. Na Nova República tudo é improvisado em cima do joelho, para amealhar votos no final do mandato. «O problema energético não é deste governo. É um problema de fundo. É preciso que entendamos que o problema de energia eléctrica em São Tomé e Príncipe não é de hoje», confirmou o Chefe do governo.
No sector de energia, as acções “breves” espatifaram a EMAE, e a economia nacional ficou refém do GAP externo, que consome milhões de dólares para a compra do gasóleo, a única fonte de energia que o país utiliza.
«De curto prazo poderíamos arranjar uma solução igual à TESLA. Mas depois dos custos, quem paga?», interrogou.
A TESLA que nasceu nas entranhas do anterior governo apresentou uma factura que São Tomé e Príncipe não consegue pagar. «A TESLA não está a funcionar porque o Estado tem uma dívida de mais de 8 milhões de euros com a TESLA. Os responsáveis da TESLA decidiram parar os geradores porque o Estado não tinha dinheiro para pagar, e assim não permitia que eles fizessem a manutenção dos geradores», detalhou Américo Ramos.
Os sócios da TESLA-STP tinham encontrado a galinha de ovos de ouro. «A TESLA tinha uma facturação de mais de 500 mil euros mensais, e nem a EMAE, nem o Estado estavam em condições de pagar esta facturação», frisou.
Em 35 anos da Nova República, as várias centrais mini-hídricas construídas na era colonial e espalhadas pelo país foram todas espatifadas. O Téla Nón recorda por exemplo da central de Guegue, que foi reabilitada nos finais da década de 90 do século XX, com o apoio de parceiros internacionais, para depois ser espatifada e abandonada.
O país com vários rios e quedas de água que rasgam a floresta rumo ao mar, não construiu nenhuma barragem hidroeléctrica após 50 anos de independência nacional. Os sucessivos governos democráticos priorizaram os geradores a gasóleo.
«O estado que compra os combustíveis, fornece a EMAE e a EMAE não devolve um cêntimo ao Estado. É uma situação que não é de hoje. Vai-se arranjando soluções de curto prazo. É preciso fazer reformas. É preciso encontrar uma solução em que a empresa consiga manter o parque dos geradores», denunciou o primeiro-ministro.
Depois de o governo ter importado mais de 10 geradores, uns mais velhos, outros mais novos, Américo Ramos rendeu-se diante da LUZ. «Tenho de pedir desculpas à população, a situação é crítica, mas estamos a fazer esforços redobrados para uma solução mais viável».
Com o parque de geradores que disse ter mais de 20 anos, as novas aquisições foram incapazes de aliviar a crise. A manutenção contínua das máquinas velhas e a aquisição de peças caras, ajudou a matar a EMAE financeiramente. «Aquilo que a EMAE arrecada não dá para pagar nem 50% das despesas. Quer dizer que o estado tem de comparticipar no funcionamento da empresa», precisou.

O primeiro-ministro, acompanhado pelo director geral da EMAE e os técnicos da empresa foram convocados para uma reunião de emergência com o Presidente da República Carlos Vila Nova. O Presidente da República queria inteirar-se da situação.
O Téla Nón termina já este artigo, porque a energia da EMAE cai, ou é cortada a qualquer momento.
Abel Veiga