Economia

Rotura de combustíveis agrava crise económica e social

Moto-taxista há quatro anos, Claudino Sousa denuncia a prolongada crise de combustíveis em São Tomé e Príncipe. Face à escassez de gasolina nos postos de abastecimento, diz não ter alternativa senão recorrer ao mercado paralelo, onde o preço por litro chega a atingir o triplo do valor oficial.

“Estamos a comprar na candonga a 100 dobras por litro. Tenho de comprar, mesmo assim, para assegurar os meus clientes”, lamentou.

A crise não se limita à gasolina. A falta de petróleo doméstico agrava as dificuldades de milhares de famílias, sobretudo das que dependem deste combustível para preparar as refeições diárias.

Neyde Bandeira, vendedeira no mercado, descreve um cenário de crescente aflição:

“Como palaiê, todos os dias gasto muito dinheiro com o transporte para vir à praça. Há dois dias que não faço comida em minha casa. Com a chuva, o carvão está molhado, não há petróleo e, quando aparece na candonga, é vendido a 40 ou 50 dobras o litro. Não vamos aguentar isto neste país.”

Para muitas mães, a situação tornou-se particularmente angustiante.

“Nós que temos filhos menores, como é que vamos aguentar isto? Nem todos têm condições para comprar gás. Gás é para quem tem posses, não é para os pobres”, sublinhou Neyde Bandeira.

As dificuldades multiplicam-se à medida que aumentam os preços das alternativas disponíveis.

“Temos de recorrer à lenha ou ao carvão. Mas o carvão também aumentou de preço, a lenha também aumentou, e a única coisa que não aumentou foi o salário”, observou Elka da Cruz.

Os efeitos da escassez já são visíveis no quotidiano da capital. No centro da cidade, a habitual movimentação de veículos e passageiros deu lugar a um ambiente mais contido.

“Durante a manhã ainda se veem alguns carros de praça, mas no período da tarde praticamente desaparecem”, relatou Claudino Sousa.

Para muitos cidadãos, a crise dos combustíveis é mais um sinal do agravamento das dificuldades económicas no país.

“Estou a perceber que este nosso São Tomé e Príncipe está cada vez mais a afundar-se. Chegámos ao fundo do poço”, afirmou Elka da Cruz.

Considerados um dos principais reguladores dos preços no mercado, os combustíveis têm impacto direto em quase todas as atividades económicas. A sua escassez provocou um aumento dos custos de transporte e distribuição, contribuindo para uma subida generalizada dos preços de bens e serviços em todo o arquipélago.

José Bouças

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