A pesca de brisa, praticada com recurso a redes de malha reduzida, poderá estar com os dias contados. Em contrapartida, o palangre ganha cada vez mais terreno e afirma-se como uma alternativa sustentável, com potencial para ser adotada em larga escala, graças aos resultados de um projeto de pesca responsável desenvolvido durante três meses pelos consórcios Oikos, Marapa e pelo programa Tatô.
“É uma pesca mais seletiva. Os anzóis e as linhas são equipamentos acessíveis à maioria dos pescadores. É verdade que nem todos dominam ainda a técnica do palangre, mas essa aprendizagem pode ser adquirida. Quem pratica a pesca de brisa pode recorrer ao palangre como alternativa, garantindo uma maior seletividade das capturas“, explicou Alexander Ramos, consultor do projeto.
A adoção do palangre, contudo, não implica o abandono total da pesca com redes.
“Desde que se utilize uma rede com a malhagem adequada e em conformidade com a legislação em vigor”, acrescentou Alexander Ramos.
Ao longo da sua implementação, o projeto apostou na sensibilização, capacitação e envolvimento direto de pescadores e palaiês de várias comunidades piscatórias do arquipélago.
“Realizámos várias oficinas nas quais, juntamente com as comunidades, definimos o que deve ser uma pesca responsável. O resultado desse trabalho está refletido no manual hoje apresentado. Paralelamente, investimos na formação dos pescadores que participaram na campanha, construindo em conjunto as artes de pesca utilizadas“, salientou Antunes Pina, representante do programa Tatô.
Entre os participantes, a mensagem foi bem assimilada.
“Não podemos continuar a pescar peixes pequenos, porque, a cada dia que passa, o peixe está a diminuir no mar“, afirmou Marques Lima, pescador da Praia Gamboa.
Já Arlindo Ramos, pescador da Praia Cruz, reconheceu a necessidade de adaptação: “Ainda não tenho muita prática no uso da linha, mas, com o tempo, terei de aprender.“
Pescar hoje sem comprometer os recursos de amanhã. É este o princípio que orienta o projeto de pesca responsável em São Tomé e Príncipe, financiado pela Fish4ACP em cerca de 200 mil dólares e focado na promoção de práticas mais sustentáveis para garantir o futuro da atividade piscatória no país.
José Bouças