O sector da Água é o parente pobre da empresa de Água e Electricidade, a EMAE. A prova disso foi dada pela equipa técnica que visitou as captações de água de nascente do distrito de Mé-Zochi.
Depois de constatar que os reservatórios estão vazios, o director de Água, Nilton Lima disse ao Téla Nón que há vários meses que a sua equipa começou a trabalhar na elaboração de um plano para resolver a crise de água nas captações que dependem das nascentes.
«Nós temos soluções mais é necessário financiamento. As nascentes já deram o que tinham para dar e as mudanças climáticas também não estão a ajudar», afirmou o director da Água.
O plano apresentado ao governo no valor de 1.500.000 dobras, cerca de 60 mil euros, implica a canalização e o tratamento da água dos rios, para fortalecer o caudal dos depósitos de água que dependem das nascentes.
«Temos de apostar nos rios, criar sistemas de tratamento de água para alimentar os reservatórios. Isso implica financiamento», reforçou o director de Água.
Para criar as infraestruturas de captação, tratamento e distribuição da água dos rios, o financiamento atinge 60 mil euros. Uma verba que segundo a direcção da Água até ao momento, o governo não disponibilizou.
Um facto que confirma o estatuto do sector da água, como o parente pobre da empresa estatal EMAE. O governo que nos últimos 12 meses investiu mais de 15 milhões de euros na aquisição e manutenção de vários grupos de geradores, para aliviar a crise de energia eléctrica, não conseguiu dar 60 mil euros para o sector de água da EMAE matar a sede da população, sobretudo no hospital Central Ayres de Menezes, cujo abastecimento de água depende do reservatório da nascente Agrião na Vila da Madalena, que está praticamente vazia.


O leitor deve acompanhar a entrevista concedida pelo director de Água da EMAE para melhor compreender a crise de financiamento por parte do governo, no sector do líquido precioso da EMAE.
No entanto, o primeiro-ministro Américo Ramos que se reuniu com a equipa técnica do sector da Água, reconheceu que foi feito pouco investimento nas captações das nascentes. Algumas datam do período colonial, e outras do período da primeira república em que o país contava cerca de 80 mil habitantes.
São as mesmas nascentes que actualmente alimentam as mais de 200 mil pessoas que habitam a ilha de São Tomé.
«A população cresceu bastante, o que quer dizer que o consumo de água aumentou. O problema é que as tubagens e o sistema de distribuição estão envelhecidos», afirmou o primeiro-ministro.
Américo Ramos disse que na reunião com o pessoal da água da EMAE, as partes analisaram a bíblia do sector, ou seja, o Plano Director de Água e a melhor forma de o implementar.
O Chefe do governo considera que é preciso reestruturar toda a rede de distribuição da água no país, principalmente na capital São Tomé.
Américo Ramos discordou com a ideia de que o sector da água é o parente pobre da EMAE. Garantiu que nos últimos 15 anos os governos principalmente do ADI investiram em mais de 7 unidades de tratamento de água na ilha de São Tomé.

O que falhou até agora, segundo o primeiro-ministro é a reestruturação da empresa EMAE. Uma reestruturação que deveria permitir que a empresa fosse rentável. «Para que a empresa fosse rentável tanto na venda da água como da energia.
«Não houve uma reestruturação para que a EMAE pudesse fazer uma distribuição e cobrança de consumo de água que permitisse que o sector de água fizesse um investimento em si próprio», sublinhou Américo Ramos.
O primeiro-ministro concluiu que tudo está adiado. Concordou que as acções que estão a ser estudadas neste momento, para conter a crise no abastecimento de água potável deveriam ter sido implementadas há 20 anos.
Abel Veiga