A organização da manifestação diz que vai sair as ruas da cidade capital esta sexta-feira, para contribuir na melhoria do serviço de telecomunicações no país.
Helder Lopes Salomé é o líder do movimento da sociedade civil que contesta a qualidade do serviço que diz ser prestado sobretudo pela companhia CST.
«Há mais de 3 décadas que a Companhia Santomense de Telecomunicações, a CST tem estado a nos prejudicar. Os preços são altos e os serviços deficientes», denunciou.
O anúncio da manifestação pública nas redes sociais mobilizou centenas de cidadãos nacionais, que partilham a preocupação da organização do protesto. Helder Lopes Salomé deu um exemplo da forma como a CST prejudica os clientes.
« Por exemplo, eu cheguei no dia 25 de outubro ao país. Fui à agência da CST, onde comprei um cartão de rede móvel que custou 50 dobras, igual a 2 euros. Carreguei o saldo de dados móveis de 180 dobras, totalizando 230 dobras, igual a cerca de 11 euros. Activei o pacote mensal na sexta-feira e na manhã de sábado já não tinha saldo. Eu ativei um plano mensal e não demorou 24 horas», relatou.

Uma situação que a sociedade civil diz ser recorrente. Helder Lopes Salomé recordou um outro episódio ocorrido no ano 2010.
«Isso aconteceu também em 2020 quando vim de Angola. Comprei um salário de 4 euros para dizer à família em Angola que cheguei bem. Antes de atenderem a minha chamada o saldo acabou», precisou.
Diz que reclamou junto ao balcão da CST, e o gerente da empresa pôde confirmar que havia fraude, «Na presença do gerente recarreguei mais um saldo de 100 dobras totalizando 400 dobras. Pedi um número do telefone da CST, liguei para o tal número, e assim que levantaram o auscultador do telefone o saldo acabou. Pedi as 400 dobras de volta e devolveram na altura. Isso é o que tem acontecido comigo e com os outros», denunciou.
O líder do movimento cívico que saiu às ruas esta sexta-feira, diz que conta com todos para estarem “sempre juntos” no protesto pela melhoria dos serviços da CST.
«A minha preocupação é de todos. Tenho dito às pessoas que esta luta não é do Helder Salomé, mas sim de todos os são-tomenses, e não só. Pois qualquer visitante estrangeiro é também explorado por essas empresas, principalmente a CST», frisou.
A CST é uma empresa público-privada. O Estado são-tomense detém 49% das acções da empresa. Os cidadãos não entendem como é que o Estado são-tomense pode estar presente no mercado das telecomunicações, e ao mesmo tempo a prejudicar a todos.
«Questiono sobre os 49% do Estado. O que justifica esses mais de 30 anos da parte do Estado para com a República Democrática de São Tomé e Príncipe, uma vez que o país está todo escavacado?», interrogou Helder Lopes Salomé.
Confrontado com o protesto popular, a CST divulgou um comunicado onde a administração da empresa, que é liderada pelo grupo privado português Visabeira com 51% das acções, considera que as alterações das ofertas comerciais precisam da aprovação da Autoridade Geral de Regulação, a AGER.
No comunicado a CST informa que há 22 meses que aguarda pela aprovação das melhorias que propôs a AGER, para os preços das comunicações no país.
A direcção da Autoridade Reguladora prometeu para esta quinta-feira uma reacção ao comunicado da CST.
O leitor tem acesso as declarações do líder do movimento cívico em registo áudio :
Abel Veiga