Cultura

Morna de Cabo Verde e Bumba-meu-boi do Brasil são Patrimônio Imaterial da Humanidade da Unesco

Estilo musical cabo verdiano e complexo cultural brasileiro estão entre as dez práticas eleitas pela ONU na quarta-feira; decisão deve ajudar a promover e proteger práticas culturais.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, inscreveu a morna de Cabo Verde e a tradição brasileira Bumba-meu-boi na lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade.

A decisão foi tomada na quarta-feira, em Bogotá, na Colômbia, pelo Comitê Intergovernamental para a Proteção do Patrimônio Cultural Imaterial.


Sr. Olímpio, no violino, e Manel Caloti, na guitarra, tocam mornas, Augusto Brázio e Ministério da Cultura e Indústrias Criativas
Morna
Segundo a agência, a morna “é uma prática musical e coreográfica tradicional com acompanhamento instrumental que incorpora voz, música, poesia e dança.” É, normalmente, cantada em crioulo cabo-verdiano em eventos importantes da vida, como casamentos, batizados e reuniões de família.

A morna pode ser cantada ou tocada apenas com instrumentos, principalmente violão, violino e ukulele. A poesia pode ser improvisada, com temas que incluem amor, partida, separação, reunião e pátria.

Em novembro, a diretora do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Cultural, Sandra Mascarenhas, explicou à ONU News o impacto que teria a decisão.

“A inscrição da morna na lista representativa da Unesco representa para os cabo-verdianos o reconhecimento daquela que consideram ser a sua música maior, um reconhecimento identitário por excelência. À semelhança do que aconteceu com o fado, eleva a morna a uma categoria que transcende o próprio país. Para a diáspora, que sempre se vê e se revê na morna, será um reconhecimento daquilo que os identifica como cabo-verdianos. É a autoestima de toda uma nação que é elevada.”

Bumba-meu-boi
Em relação ao complexo cultural do Bumba-meu-boi, do estado brasileiro do Maranhão, a Unesco diz que “é uma prática ritualística que envolve formas de expressão musical, coreográfica, performática e lúdica.”

A agência diz que a prática “é fortemente carregada de simbolismo.” A ideia é reproduzir o ciclo da vida, oferecendo uma metáfora para a própria existência humana.

Todos os anos, os grupos envolvidos reinventam a celebração, recriando canções, comédias, figurinos e bordados para a ocasião. As festividades terminam no final de junho, com manifestações, apresentações públicas e rituais em torno da morte de um boi. A Unesco diz que “é um período de renovação durante o qual as energias são revigoradas.”

Em nota, o diretor do departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, comentou a decisão. Hermano Queiroz disse que “foi grande o trabalho e longo o caminho percorrido para se chegar a esse momento”, mas que a prática “possui criatividade ímpar, sendo uma das manifestações mais importantes do país e agora também de toda a humanidade.”

Parceria – Téla Nón / Rádio ONU 

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