Cultura

Tchiloli: Viagem à Europa

Em 1973, o Tchiloli passou por Portugal, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian. Saiba tudo sobre este evento histórico no último episódio da série dedicada à tradição são-tomense.

Visita do Grupo “Formiguinha da Boa Morte” à Fundação Calouste Gulbenkian, 1973. Fotografia de Carlos Coelho © Fundação Calouste Gulbenkian
 

 Antes da apresentação do espetáculo na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1973, o grupo dos Formiguinha da Boa Morte “não dormia”, conta Amâncio Carvalho. “A gente ensaiava todos os dias (…) com figuras portuguesas aqui para ver o que está bem, o que está mal, a maneira como se senta, a maneira como se tem de pegar no garfo e na faca…”.

A aposta da Fundação Calouste Gulbenkian em trazer o Tchiloli a Portugal, segundo Carlos Wallenstein (diretor da Secção de Teatro da Fundação Gulbenkian entre 1963 e 1990) e conforme descrito no catálogo do Ciclo de Teatro Popular Tradicional (em 1973), teve um duplo objetivo: “provocar, quando possível, a recriação, nas próprias localidades, dos espetáculos que dantes ali se reproduziam com certa regularidade; e dar a conhecer ao público da capital, que não possa deslocar-se aos lugares onde se realizam, estas obras de arte popular que são, também, valiosos documentos culturais e etnográficos”.

Este é o quarto e último episódio da série documental dedicada ao Tchiloli – nome crioulo da peça A Tragédia do Marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno –, uma das mais importantes formas de expressão da cultura africana que atravessa famílias e gerações na ilha de São Tomé.

Com mais de 500 anos de tradição, o Tchiloli é a encenação de uma história de morte e traição, paixões e conflitos morais que entusiasma público e atores, onde a música, o movimento e o corpo se fundem numa surpreendente expressão da arte e cultura africanas. Foi apoiado várias vezes pela Fundação Gulbenkian, sendo, desde janeiro de 2019, apoiado através do projeto “(Re)Criar o Bairro”, da ONGD Leigos para o Desenvolvimento, que tem como objetivo a valorização de produtos associados ao património cultural do Bairro da Boa Morte, em São Tomé, através das artes performativas, visuais e da tecnologia.

Apesar de referido pelos participantes são-tomenses entrevistados, não existe prova documental conhecida que possa apoiar a afirmação que o Tchiloli existe em São Tomé desde o séc. XVI.

Fonte – Fundação Calouste Gulbenkian

Consulte o link em baixo para ter acesso ao artigo publicado pela Fundação Gulbenkian :

https://gulbenkian.pt/noticias/parcerias-para-o-desenvolvimento/tchiloli-viagem-a-europa/

    1 comentário

1 comentário

  1. Sem assunto

    24 de Abril de 2021 as 8:47

    O Tchiloli não passa de aculturação, alienação, extensão e domínio da cultura ocidental sobre a cultura santomense, porém aplaudida pelos portugueses e ocidentais , pois, para eles é um motivo de orgulho e elevação, como é óbvio e expectável.
    Pese embora exista a incorporação de elementos da cultura africana ainda assim notável é o distanciamento de todo o enredo que faz parte desta performance com os hábitos e costumes dos povos locsis.
    Curioso foi verificar ontem o senhor Albertino Bragança, que nem historiador, nem investigadores é, pedir microfone para mencionar razões que levaram os portugueses a ocupar São Tomé e Príncipe; é de loucos, só pode ser, ver assumidos intelectuais a intreterem se com resíduos de uma história do “outro”, dado que que a mesma é contada exclusivamente pelos invasores, quando o momento político global nos desafia a “inventar” uma narrativa contrária e quiçá propícia ao nosso orgulho enquanto nação.
    Repensemos o país que estamos a construir.

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