Cultura

Auto de Floripes, teatro de rua que dá vigor ao mês da cultura no Príncipe

Agosto é o mês da cultura na ilha do Príncipe. Os 30 dias de manifestações culturais e de palestras sobre os valores culturais da ilha do Príncipe, terminam no dia 31, com o festival musical em alusão ao malogrado músico Camilo Domingos, natural da ilha do Príncipe.

Durante o mês de agosto Príncipe, se transforma no palco das manifestações culturais, principalmente o património cultural da própria ilha.

Auto de Floripes, um teatro de rua que retracta a história do império carolíngio, é uma das grandes exibições do mês da cultura. No dia 15 de agosto a cidade de Santo António, acorda ao som do toque de cornetas.

Os valorosos soldados do Reino dos Mouros, são agrupados um a um, o mesmo acontece com os soldados do exército cristão do Imperador Carlos Magno.

Dois castelos (Tribunas) são erguidos na cidade de Santo António.

Castelo Mouro – Almirante Balão

O castelo do Almirante Balão, o rei dos mouros, pai da linda Floripes, e do bravo guerreiro Ferrabrás, fica de um lado da rua, e do outro lado, o castelo cristão do Imperador Carlos Magno, acompanhado e protegido pelos 12 pares de França. Roldão é o comandante dos 12 pares de França.

Exército Cristão – castelo do Imperador Carlos Magno

Vassalos do imperador Carlos Magno, entre os 12 pares de França, destacam-se personagens como Oliveiros e Gui de Borgonha.

Oliveiros que numa batalha dura, consegue derrotar o valente Ferrabrás, filho do rei dos Mouros, o Almirante Balão.

Gui de Borgonha, detido pelo exército Mouro numa das pelejas, acaba por atrair a atenção da linda Floripes. A filha do Almirante Balão, apaixona-se pelo prisioneiro de guerra cristão, Gui de Borgonha.

Cenas que prenunciam o desmoronamento do reino dos Mouros. Pois, Ferrabrás o filho do Almirante Balão, detido pelo exército cristão, acaba por converter-se ao cristianismo, renunciando assim aos Deuses dos Mouros, como “Mafoma” e outros.

No dia 15 de agosto, o Presidente da República Carlos Vila Nova, foi um dos espectadores do Auto de Floripes.

«Estou a fazê-lo com muita alegria e a história já começa a ser interiorizada é muito linda. E as demonstrações são muito boas», afirmou Carlos Vila Nova, na cidade de Santo António.

Uma história carolíngia que preenche o dia 15 de agosto. O desfecho, ou a capitulação do reino Mouro, só acontece no final da tarde.  

Parte da história da era medieval europeia, é recreada na ilha africana do golfo da Guiné. O império carolíngio faz cultura na ilha do Príncipe. Auto de Floripes é um património que resulta do cruzamento de europeus e africanos, no arquipélago são-tomense.

«Temos um trabalho em curso para criar as condições para levar uma candidatura do Auto de Floripes junto à UNESCO para eventual classificação como Património Imaterial da Humanidade», assegurou o Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe.

Filipe Nascimento, garantiu que o Auto de Floripes tem um grande potencial, para ser classificado como património da humanidade.

No mês da cultura que termina 31 de Agosto, Príncipe analisou o projecto Principense. Um projecto que pretende preservar os valores culturais da ilha. O Lunguié, o crioulo local, é um dos alvos do projecto de preservação das marcas identitárias do Príncipe.

O pintor Eduardo Malé promoveu a segunda bienal de arte do Príncipe, com uma exposição de quadros, que reflectem “o ser Principense”.

Música, em honra a Camilo Domingos, encerra o mês da cultura no Príncipe.

Abel Veiga

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