O Carnaval tradicional de São Tomé e Príncipe, conhecido como “tlundo”, é caracterizado por pequenos grupos de quatro a cinco pessoas, geralmente homens, sendo que um ou dois vestem-se de mulher.
As canções, interpretadas em crioulo fôrro e em tom satírico, abordam, sobretudo, questões sociais no contexto familiar, muitas vezes com críticas ao comportamento das mulheres.
Esta tradição, que já foi muito popular no arquipélago, tem vindo a perder força ao longo dos anos.
“Durante a semana carnavalesca, que começa no domingo, os grupos costumavam andar de porta em porta, mas, em São Tomé, isso tem desaparecido devido à redução significativa do número de grupos,” lamentou Emir Boa Morte, Diretor-Geral da Cultura.
“O carnaval está a enfrentar um processo de extinção,” desabafou Inocêncio, conhecido como “Circuito Romântico”, responsável pelo grupo carnavalesco Surpresa de Mucambú, de Praia Melão.
Os 7 grupos que ainda resistem apresentaram-se na Casa da Cultura numa noite de grande animação.
“Gostei muito, especialmente pelo fato de ser em crioulo fôrro. Acho que é um resgate importante para a cultura de São Tomé,” destacou a brasileira Jovânia Santos.
“É algo muito interessante. Apesar de não compreender muitas das mensagens, admiro a forma como os figurantes se entregam e a criatividade envolvida, acho fantástico,” comentou a portuguesa Sara Lucas.

Incentivar a juventude a envolver-se nesta manifestação cultural tornou-se uma das grandes preocupações da Direção-Geral da Cultura.
“Os jovens não estão a se envolver em nossa cultura, e nosso objetivo é resgatar essa manifestação. Sempre que possível, queremos trazer um grupo carnavalesco para se apresentar aqui. Estamos a nos organizar para criar uma agenda cultural que inclua, pelo menos uma ou duas vezes por ano, a participação de um grupo carnavalesco,” destacou Emir Boa Morte.
O carnaval tradicional santomense, revivido na Casa da Cultura, surge como um sinal de alerta para a promoção e preservação deste património cultural de São Tomé e Príncipe.
Abel Veiga
Vedor
5 de Março de 2025 at 8:17
Tal e qual os nossos dialectos e criolos, fôrro, linguié, anguené, bem como a manifestações culturais, a confecção e a nossa gastronomia, artesanato, artes plasticas, etc
Sem assunto
5 de Março de 2025 at 8:18
1 ou 2 vezes por ano atuação do grupo carnavalesco será suficiente para galvanizar uma atividade em extinção?
Estás atuações, pelo formato e outros aspetos, parecem ignorar a malta pobre, e envolver somente os turistas e estrangeiros residentes. São feitos em circuito fechado e pago. Grande erro capital, isto é boicotar o acesso à cultura para os da camada baixa.
Peritos em matéria de cultura, gestor cultural graduado, presisa se para dinamizar os trabalhos.
É altura de criar ministério da cultura e património separdo da educação, só assim pode se falar da tentativa de resgate dos valores e tradições.