Cultura

São Tomé Capital da Cultura da CPLP em 2025 veio mesmo a calhar

Os artistas e escritores do espaço de língua portuguesa dizem que veio mesmo a calhar, a designação de São Tomé como a capital da cultura da CPLP.

Pois São Tomé é uma das primeiras cidades de língua portuguesa em África. Completou 490 anos em Abril último. Recebeu gentes oriundas de todas as antigas colónias de Portugal. Isabel Mota, escritora portuguesa, recordou que a terra onde nasceu situa-se no centro do mundo.

«Veio mesmo a calhar, em particular neste ano em que comemoramos os 50 anos da nossa independência. Faz muito sentido que a capital da cultura da CPLP seja exactamente aqui. No meio do mundo. Estamos em cima da linha imaginária do equador. É esta linha que nos une, e não nos separa como tantas vezes é referido, a linha que divide os hemisférios. Não. É a linha que une os hemisférios», afirmou Isabel Mota.

FOTO : Isabel Mota

A actual capital da Cultura da CPLP em 2025, nasceu da miscigenação cultural, onde os sons originários de África misturaram-se, com as histórias europeias como a Tragédia do Marquês de Mântua (Tchiloli) ou o Auto de Floripes.

José Carlos Barros, escritor português, e companheiro de Isabel Mota, está a formar crianças e jovens santomenses da região sul da ilha, através de uma oficina criactiva. Sentiu que São Tomé e Príncipe é um poço de talento cultural.

«A expressão artística que vimos ali, são expressões agarradas à terra, ao mundo em que vivem, agarradas inclusivamente às mitologias que fazem parte do imaginário das suas famílias. Os poemas que vão ser agora conhecidos, vão surpreender muita gente, porque é a revelação da alma santomense», detalhou o escritor.

FOTO : José Carlos Barros

A escritora Isabel Mota, é uma das provas da confluência ao longo dos séculos de gentes de várias origens lusófonas em São Tomé. Nasceu em Neves, no norte da ilha. Ela defende a preservação do crioulo fôrro, como um dos factores da identidade santomense.

«O nosso crioulo fôrro é um elemento que temos que proteger, nos orgulhamos muito dele e trabalhamos bastante esta relação da língua portuguesa com as línguas crioulas em particular aqui em São Tomé e Príncipe. E pensarmos que é isto que nos distingue», pontuou.

Numa altura em que a inteligência artificial ameaça dominar e uniformizar o mundo, Isabel Mota chama a atenção para a necessidade de os santomenses preservarem a sua língua materna e todos outros valores culturais identitários. Pois, no futuro breve o povo santomense poderá ser uma das poucas diferenças, no mundo artificial.

Antê Olá Bila Toti, …Até Breve, Toti. É o título do livro que Isabel Mota escreveu para transmitir cultura e identidade santomense, às crianças de todas as escolas do país.

«Os livros que há, estão muito ligados ao imaginário americano, ao imaginário europeu. Não há livros em que os personagens, o cenário, a história, tem a ver com a realidade santomense», frisou.

O livro publicado esta semana incentiva as crianças a lerem e pronunciarem o crioulo fôrro. Mais importante ainda, é que conta histórias da realidade santomense.

Abel Veiga 

3 Comments

3 Comments

  1. CÓNCÓN

    8 de Maio de 2025 at 17:57

    Ha necessidade no país de revolucionar, fazer progredir, evoluir, reformar, o sector da comunicação socail, das comunicações e conteúdos, quer nonprivado quer no publico.

    A concorrência, formação, as novas tecnologias são essenciais

  2. BARRIGA DE PEIXE ANDALA

    8 de Maio de 2025 at 19:01

    É preciso inovação no sector da comunicação social, comunicação e conteúdos áudios visuais no país, modernização inovação, mais consentânea, com o que se faz hoje no mundo, que no privado quer no sector público.

    Necessidade de concorrência, tração de novos operadores de televisão, jornais e rádios, diversificação de conteúdos

    Assim como no sector dos desportos

  3. Pemba, Mue

    9 de Maio de 2025 at 1:52

    A comunicação social não e cultura, a radio e televisão não são cultura. As artes, as crenças e os objectos de particular expressão são cultura! Qual diferenciador de Artes, Cultura, Identidade Nacional de S. Tome Kwie considerou a CPLP (P.A.L.O.P) como “Pais da cultura”? ( Esse formato não tem nada de inovador).
    A excepção da lingua e comunicação de S.Tome e Principe qualquer outra forma de expressão cultural e artística da nossa identidade que deriva do portugues e falsa presunção. Dizer que o nosso dialecto e uma forma de criolo portugues e uma ofensa a minha inteligencia. e, ofende na mesma medida que temos uma lingua oficial que não e nossa, que mal falamos, que não nos entendemos, e, que não tras qualquer beneficio social, cultural ou econômico. Isso sim e falta de respeito.
    Mas temos ARTE (que não esta na lista da UNESCO Heritage), temos CULTURA (que não esta exposta em bibliotecas ou livrarias de Portugal ) ou HISTORIA ( que Portugal não ensina onde nossos filhos vão a escola). Temos. CRENCAS ( santos padroeiros que ninguém celebra ) e temos BIODIVERSIDADE (que faz inveja).

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