Cultura

Cristina Castelo David lança o livro “Língua Portuguesa e as línguas de contacto”

Num país onde a convivência entre o português e as línguas maternas marca profundamente o quotidiano, uma nova obra académica vem alertar para as implicações desta realidade no sistema educativo. A autora chama atenção para a presença das línguas de contacto e para o papel determinante que continuam a desempenhar na construção da identidade linguística de São Tomé e Príncipe, onde o português é a língua oficial.

Refiro-me ao português no contexto de contacto com a língua forro, a cabo-verdiana, a dos angolares, o lunguié e a dos tongas”, afirmou Cristina Castelo David.

Línguas que, apesar de não terem estatuto oficial, moldam a forma como o português é falado em São Tomé e Príncipe, originando dificuldades tanto na expressão oral como na escrita, sobretudo em contextos formais e no ambiente escolar.

Do ponto de vista gramatical e semântico, identificam-se inúmeros casos de miscigenação linguística, criando desafios significativos na aprendizagem das crianças e dos alunos.”

O livro, que resulta da tese de doutoramento em Linguística Aplicada de Cristina Castelo David, sublinha que ainda há um longo caminho a percorrer no reconhecimento e estudo destas influências, já que as línguas de contacto continuam a afetar significativamente a aprendizagem do português.

 “Há ainda muito trabalho a ser feito, e é bastante complexo. Os gramáticos deveriam concentrar seus esforços no estudo desses fenómenos linguísticos—tanto diacrónicos quanto sincrónicos—que ocorrem na imersão em diversos distritos. Essa pode ser uma recomendação relevante para o governo.”

A autora reforça que é da responsabilidade das autoridades nacionais conceber e aplicar uma política educativa eficaz, que valorize o bilinguismo e promova um ensino do português mais ajustado à realidade linguística dos alunos, permitindo-lhes usar a língua com mais confiança e competência.

José Bouças

2 Comments

2 Comments

  1. Alexandre Carvalho

    16 de Maio de 2025 at 14:16

    Parabens pela obra. Excelente e um orgulho enorme. A autora foi minha professora de Português na quinta classe. O que gostaria de perguntar a professora é se o ensinamento formal das linguas locais como o forro ou o angolares não seria beneficial para o melhoramento do português como até refere a professora na recomendação bilingual. Temos o exemplo de Cabo Verde cujo os habitantes parecem falar melhor o Português que nós e acredito que isso terá a ver com um sistema educativo em que as duas linguas sao oficiamente aceites.

    • Fernando

      16 de Maio de 2025 at 22:57

      Excelente a sua pergunta e todos os estudos apontam que sim. Devemos ser alfabetizados na língua que trazemos de casa e só depois aprendermos numa língua de comunicação internacional.

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