Cultura

Lançamento do livro «Ellyzé – Autópsia da Alma», em São Tomé

«A interessante descoberta feita por ela, em junho de 2017, numa das suas passagens por Lisboa, trouxe um novo tema à discussão:

– Não se esqueça que ainda temos, na lista de espera, a palestra sobre este poeta e médico são-tomense (Caetano Costalegre) que gozou apenas de vinte e seis anos de vida.

Como se fossemos detentores do cronómetro da existência – entre pai e filha não havia “sine die” -, pediu-me para marcar a nossa próxima discussão, longe de imaginarmos que aquela seria, na verdade, a nossa última conversa

In Ellyzé – Autópsia da Alma (pág 98)

Breves considerações  da crítica literária

«Fui arrastado pelo meu filho para a cerimónia de apresentação do livro de Zé Maria. Vi-lhe crescer, sinceramente, nunca passou pela cabeça que eu tivesse sido o seu professor e, logo, na 1ª classe. Ainda estivemos na locomotiva da educação nacional, inclusive, na mesma escola; eu diretor, ele docente.

Como foi capaz de ludibriar décadas de relação da nossa Trindade e vir transformar em magnífica surpresa de gratidão, num momento de luto familiar e aqui, em Lisboa!?»

Alberto Camblé Pinto

«Nós quando recebemos o manuscrito, deparamos com alguns dilemas. O primeiro deles, o estilo intrigante do autor. A escrita carregada de uma carga metafórica elevada. A este estilo, nós chamamos de Cardosismo. Apesar de sabermos que é um memorial, ficamos na dúvida, quanto o género da obra.

Numa das vezes, em que nós fazíamos a edição interativa, eu virei para um dos editores e disse, «Esse senhor, é um poeta! Ele precisa de escrever poesia. E se ele não fizer, eu caio ele de mal!» Cair de mal, para quem não percebe, é deixar de falar com a pessoa.

Nós fizemos a questão de manter as expressões são-tomenses. Acreditamos que o nosso português, o português são-tomense, deve ser reconhecido como uma variante do português.»

Ilsy d’Alva (Diretora editorial da Pena Real)

«A obra deriva de várias questões que o autor levanta depois da perda, gerando um misto de sentimentos percetíveis numa escrita própria e poderosa. Dentre outros temas, o autor relata os anos dourados vividos na sua terra natal, (São Tomé e Príncipe), os desafios da emigração, a letargia do desenvolvimento africano e a impotência familiar perante a dor da perda.»

Jerónimo Moniz

«Parece apenas um tributo singelo de um pai a uma filha, mas o que está escrito transcede a narrativa e, ele vai explorando vários temas, que vão desde a experiência humana, da vida, da morte, mas também passam por fenómenos contemporâneos e que vão desde a emigração, da “reemigração”, do desenvolvimento, do subdesenvolvimento. Ele consegue fazer tudo isso num livro, e ao mesmo tempo, expondo a emoção… É qualquer coisa de extraordinário!

Quero ver mais livro deste, livros sobre a emigração, não só da emigração que ocorre em Portugal, ou no espaço europeu, mas também e, sobretudo, do que acontece em Angola ou em Gabão. Porquê?

Porque são relatos em primeira pessoa, do impacto das coisas e, pode ser, talvez por aqui, quem tenha de tomar decisões, comece a perceber a real dimensão de quem emigra.»

Cláudia Costa

«É emocionante, pela apresentação do livro… Ele mistura sentimento, o sentimento muito forte. Não é fácil perder uma filha, de 26 anos! Uma excelente aluna, em Londres. Inclusive, as fotografias dela, estão no memorial da Universidade London Metropolitan University, em Londres. É um exemplo que ela foi uma aluna muito exemplar.

Por isso, a emoção fez-me comprar o livro.»

Octávio Bandeira

«Este livro, é um choque térmico entre o frio e o quente, entre o doce e o amargo, entre o ácido e azedo, passando pelo lado doce. É triste e alegre, carrega desesperança e esperança. Cada palavra desse livro, é uma poesia. A alma, é o espírito encarnado, ou seja, a alma não é uma coisa física, mas está ligada ao nosso corpo.

“Zé Maria! Se a alma é algo abstrato e mortal, como se pode fazer a sua autópsia?”»

Solange Salvaterra Pinto

«Além de oferecer ao (à) leitor (a) uma acutilância na sua narrativa, tanto na forma como no conteúdo, acaba por celebrar e cantar a sua nostálgica origem africana. «Não podia haver um sítio para gerir a ausência de uma filha, onde um pai poderia reservar a sua presença permanente, senão nas páginas de uma memória» da África, aliás, Ellyzé – Autópsia da Alma são-tomense

Manuel Bernardo Fernandes

«Será possível autopsiar a alma da Ellyzé!? Lendo a obra, chega-se a conclusão que sim. Aquando da ausência física de alguém muito querida, a ausência se torna numa palavra para a eternidade. Cada verso, é um gesto de amor e memória. Uma tentativa de transformar a dor da perda em poesia viva que permanece no coração do leitor.»

Anastácia Cunha Rodrigues

«A sessão transcendeu aquilo que eu esperava. Estamos aqui a falar de um pai profundamente tocado e com ganas de fazer tocar as pessoas com este testemunho que ele traz para aqui, através do livro. Foi extraordinário! Mesmo fantástico!

Falou-se de aspetos sociológicos. É uma obra bastante abrangente, mas o pano de fundo, é obviamente, a tragédia que passa a família e, que o pai e o autor conseguem ir buscar, resolver lá nos meandros do pensamento e da angústia e, trazer aqui, um testemunho tão completo, tão profundo

Luisélio Salvaterra

«O autor, efetivamente, eu acho que, como ele disse, é uma terapia. O que aconteceu foi uma forma que ele encontrou, seguramente, para tirar a dor, ou seja, aliviar a dor que ele sentiu… A mensagem que marcou aí; deve-se deixar sair a emoção! “Deixa a menina (Ellyzé) repousar em paz!”»

Ibrantina Lucena

«Nós tentamos, na sua maioria, trazer aquilo que o escritor quis apresentar ao público. Ele escreve do seu modo, como somos pessoal da editora, tentamos trazer da forma… que a mensagem possa chegar ao público da melhor forma possível. É uma obra que para nós, foi difícil, muito trabalho, mas acima de tudo, prazerosa pelo conteúdo que a obra apresenta ao público.

A Pena Real (editora são-tomense) apresenta como uma editora nova, mas uma editora que também quer marcar o seu  lugar. A Pena Real, já está noutros países.»

Abdelasy Sousa (Diretor comercial da Pena Real)

«Aprendi muito de São Tomé e Príncipe. O ser e estar do seu povo, de cultura, religião, rituais, culinária, literatura, política até da África e dos desafios da emigração.»

Paula Amaro (Diretora da Dinalivro)

«Desde jovem, enquanto professor, o Zé Maria teve a inspiração para escrever. Portanto, o que ele fez, foi associar o sentimento da filha com que, infelizmente, não puderam estar; ela estava na Inglaterra, os pais estavam em França. Uma obra que suscitou muita curiosidade.

Muita gente interessou pelo próprio conteúdo da obra, algo que vai ficar na memória das pessoas, porque ele tocou em muitos aspetos… O sentimento por alguém que nos é muita próxima.»

José Manuel Lavres

«Mentira! Não é verdade! Zé Maria, diz-me que é mentira! Minha filha!? A Ellyzé morreu como? A que horas? Diz-me que é um pesadelo. Porquê nós, meu Deus!?»

Elisabete D’Alva “Betinha” – In pág 99

Nada mais gratificante que o regresso à ilha da esperança boiada, – de onde testemunham, jamais sai -, que me viu nascer, crescer e ter ela, a minha primeira namorada, de olhos castanhos; ciumenta; vaidosa e bela com que aprendi a mergulhar o amor nos mil e um beijos, manhã e noite, temperados pelas mornas brisas do Atlântico. Por mais estrelas brilhantes no mundo afora (tudo que brilha, não é ouro) e, apesar de hoje, as rugas de maus tratos da ventania, expostas no diamantífero rosto, serei sempre fiel ao eterno romance, algures, resguardado no pujante tic-tac da prateleira do alto do coração.

A misteriosa ilha verde que jovem, ficou grávida da nascença dos meus primeiros filhos, – deixou cair lágrimas no voo ao horizonte -, exatamente, é o sítio da nostalgia ímpar para o lançamento do livro (à venda na FNAC) «Ellyzé – Autópsia da Alma», no Auditório do Instituto Guimarães Rosa, no próximo dia 23 de dezembro, terça-feira, pelas 16h00, já com os pés leves na alegria de festejos e prendas literárias de Natal.

Nestes dias de colorido, batuque e distinta coreografia do Tchilôli, galardoado a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, relíquia que ultrapassa o desencanto à caminhada insular, ainda assim, o apetite augurado numa das páginas do livro, é como que o laço matrimonial na previsão literária, confiasse ao autor, a mais proeminente Chave de Ouro para fechar, em alta, a celebração dos 50 anos da Independência de São Tomé e Príncipe.

Feliz Quadra Natalícia!

Dias Cardoso

12.12.2025

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