O alerta foi lançado por Marcos Carvalho. Tocador da flauta no Tchiloli Formiguinha da Boa Morte. O homem com cerca de 70 anos de idade recordou que a Fanfarra é a vida do Tchiloli. Mais ainda é a principal marca identitária de São Tomé e Príncipe, nesta manifestação teatral que retracta a história do império carolíngio na Europa.
«O nosso maior problema é que a juventude de hoje não está a aderir a esta cultura, ao toque da flauta e de outros instrumentos da fanfarra do Tchiloli», afirmou.
Marcos Carvalho, disse ao Téla Nón que o Tchiloli marcou várias gerações da sua família.
«Eu tenho isto no coração e no sangue. Foi transmitido de geração em geração. Eu inclinei para a parte da fanfarra», frisou.


A música ou a fanfarra do Tchiloli acompanha toda a manifestação cultural, e anuncia as diferentes fases interpretadas pelos actores da tragédia. A morte de Valdivinos pelo Príncipe Dom Carloto durante a caça, tem uma melodia própria, e sucessivamente.
«A fanfarra está hoje em vias de extinção. Isto porque estamos a aderir as coisas do estrangeiro e deixando para trás a nossa identidade. A música do Tchiloli identifica a nossa terra, São Tomé e Príncipe», reclamou Marcos Carvalho.

O “Tchiloli à Mesa” organizado pela CACAU, foi para o tocador da flauta do Tchiloli de Boa Morte, o momento de celebração mais importante desde que a UNESCO anunciou no início de dezembro, o Tchiloli como património imaterial da humanidade.
«É uma alegria tão grande, estou feliz porque é uma luta de muitos anos. Temos de preservar este património…», concluiu.
A fanfarra deve ser uma das áreas do Tchiloli a ser promovida no seio da juventude santomense, para perpetuar o ritmo e o som genuinamente santomense do património imaterial da humanidade.
Abel Veiga