Política

As mulheres são os alicerces do Tchiloli património imaterial da humanidade

Na primeira celebração nacional do Tchiloli como património imaterial da humanidade, o Presidente da República Carlos Vila Nova chamou a atenção do público para o papel preponderante desempenhado pelas mulheres, na realização do teatro de rua que conta a história do império de Carlos Magno na Europa.

«Elas fazem a costura dos trajes, elas é que preparam o comer para as exibições que vocês fazem e que levam horas. Elas estão presentes e estão lá, embora não sejam intérpretes», declarou Carlos Vila Nova.

A Tragédia do Marquês de Mântua ou Tchiloli, tem dezenas de figurantes e intérpretes, todos masculinos. Mas, as mulheres santomenses estão sempre atrás dos seus maridos que interpretam o Tchiloli, e contribuem para o êxito da representação teatral.

João Carlos Silva Presidente da Casa das Artes Criação Ambiente e Utopia (CACAU) foi o promotor da primeira celebração do Tchiloli como património imaterial da humanidade.

“Tchiloli a Mesa” foi o lema da celebração que reuniu a volta da mesa os interpretes da Tragédia Formiguinha de Boa Morte e da Tragédia de Caixão Grande. Dois grupos de Tchiloli mais activos no país.

«Foi um grande feito para São Tomé e Príncipe», desabafou o Presidente da República, sobre a designação pela UNESCO do Tchiloli como património imaterial da humanidade.

O Chefe de Estado que agradeceu a CACAU pela iniciativa recordou o encontro que teve há alguns anos com o Presidente da Plataforma do Tchiloli. Segundo Carlos Vila Nova durante a conversa com o Presidente da Plataforma do Tchiloli no palácio presidencial, foi informado que que os grupos do Tchiloli estavam a desaparecer. «Não vamos conseguir resistir, resta apenas um grupo em actividade. O quê que o senhor Presidente pode fazer para nos ajudar a resgatar os grupos?», afirmou citando o Presidente da Plataforma do Tchiloli.

Um desafio lançado há alguns anos, cuja resposta foi dada pela UNESCO em dezembro de 2025, com a proclamação do património imaterial da humanidade. Prova de que o Tchiloli resistiu e cresceu.

O Chefe de Estado santomense destacou também as pessoas anónimas, incluindo cidadãos estrangeiros que trabalharam muito para que a Tragédia do Marquês de Mântua fosse consagrada pela UNESCO como uma manifestação do mundo.

O Futuro esteve no centro da reflexão do organizador da celebração. João Carlos Silva, convidou todos os presentes a refletirem sobre o futuro do Tchiloli. «O que estamos a fazer hoje para além da celebração, é olhar o futuro. Haverá no futuro esse cuidado de construir um programa geral para a preservação desses patrimónios materiais e imateriais? Compete apenas ao Estado esta obrigação?» interrogou.

O Presidente da República confessou que tem conversado com o Presidente da CACAU sobre o desafio que o país hoje tem em mãos, após a consagração do Tchiloli como património da humanidade.

Carlos Vila Nova defendeu a promoção das escolas do Tchiloli. As crianças também participam na manifestação cultural, sobretudo como correio. O destaque vai para a criança portadora de uma carta endereçada pela corte real a um dos figurantes do Tchiloli. A criança é designada de “Moço Kata”. É um dos momentos mais alegres do Tchiloli. Ao som da fanfarra marcada pelo toque da Flauta, a criança baila diante do Reinaldo de Montalvão, que procura tomar a carta que o menino transporta.

«De pequenino elas começam a interpretar, passam por diversos escalões. Isso quer dizer que a ideia das escolas de Tchiloli é importante», precisou Carlos Vila Nova.

O Presidente da República desafiou o governo a tornar sustentável a existência do Tchiloli em São Tomé e Príncipe.

«Eu defendo a partir de agora, a introdução do património cultural no curriculum escolar», pontuou.

Na qualidade de activista cultural, João Carlos Silva propôs o renascimento da lei de mecenato, através do envolvimento das empresas privadas, no apoio ao Tchiloli.

O Presidente da República foi chamado a exercer magistratura de influência para que o Estado santomense se aproprie do património imaterial da humanidade e o preserve.

«Para que o Estado santomense consagre por exemplo nos futuros orçamentos de Estado, uma verba para que a cultura tenha condições de ir devagarinho fazer um ajustamento, e falando do Tchiloli, em que os grupos estão a passar por grandes dificuldades», declarou o Presidente da CACAU.

O publico que participou no “Tchiloli à Mesa” acredita que as autoridades santomenses estão agora obrigadas a dar sinal claro, de que estão de facto preocupadas com as artes e cultura de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

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