Desporto

Rei com dias contados…fora do “triângulo”

Quando pensaram na criação do futebol, não imaginaram nesta indústria rentável que assistimos hoje, onde o mesmo, até do “Rei” é chamado, chegando à roubar todo o prestígio, ao mais antigo membro da família real [atletismo], que segundo a história, nasceu e cessará com o homo sapiens, que diariamente é obrigado a realizar os três movimentos característicos da modalidade [correr, lançar e saltar].

Com passar dos anos, e dos séculos, o desporto “Rei” [futebol] que foi descoberto na China [segundo a história], passando por Grécia e Roma, até chegar à Inglaterra, sofreu diversas alterações, que culminou com a sua industrialização, na terra da sua majestade [Inglaterra].

A industrialização trouxe consigo, uma nova visão, onde o desporto deixou de ser visto apenas como um ponto de lazer, e passou também a ter o condão industrial [como temos assistido hoje, gerando milhões e milhões, em transferências de jogadores, com realce para o Neymar (Barcelona para PSG, 222 milhões), Coutinho (Liverpool para Barcelona, 160 milhões), e Dembélé (Dortmund para Barcelona, 106 milhões), são algumas das maiores transferências, de uma vasta lista de milhões].

Para além do destacado, a industrialização trouxe também normas, como por exemplo, a dos resultados finais, fazendo prevalecer em cada jogo, apenas três desfechos, alegria [vitória], tristeza [derrota] e mescla dos dois [empate].

Com a nova visão, e as normas implementadas, estavam lançadas as bases para um “Rei” mais técnico, enfatizando a destreza acima da força, com o sucesso a depender apenas, da aposta no TRIÂNGULO [formação, investimento, e infra-estruturas].

De lá, as que não apostassem neste triângulo, estavam condenadas ao pior destino, resultado que ninguém entra em campo para conquistar [mas, hoje em jogos a eliminar, em muitas casos, este resultado até acaba por trazer alegria, caso o clube/selecção tenha vencido no primeiro jogo], derrota.

Ciente que, somente com o “triângulo” seria possível encher de orgulho, milhões de almas, que vêem o futebol, a sua maior atracção, as grandes potências, como: Brasil, Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha… e Portugal, apostaram forte nos três pontos desta figura geométrica, fazendo nascer grandes equipas como: Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Santos, Juventus, Bayern de Munique…, Benfica, Porto e Sporting, e grandes jogadores como: Pelé, Eusébio, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Di Stéfano, Bobby Charlton, Abedi Pelé, Roger Milla, George Weah…, Messi, Drogba e Ronaldinho Gaúcho.

Mais o que mais me preocupa, é que nesta leva, as nações do continente que mais exportar os jogadores [África], não conseguiram, e nem conseguem se posicionar no top 20 das melhores ao nível mundial.

Nesta ordem, surgem várias perguntas. Como por exemplo: O que os nossos países andam à fazer? Será que não têm dinheiro? Isso Não!

Podem até justificar com uma outra coisa, mas o dinheiro não! Porque, cada país deve criar uma política de marketing, despertando e atraindo o investimento estrangeiro [o que quase não assistimos]. E também temos conhecimento que a FIFA e a CAF colocam anualmente uma verba no cofre dos países africanos, com vista a fomentação do Rei. Então o que se passa? Será mesmo, a não aposta no triângulo? Ou …? Não sabemos! E nem vamos alongar muito.

Estamos tristes com o que vemos e convivemos! Em 2014, foi uma lástima o que aconteceu com a selecção da Gana, em plena Copa do Mundo, os jogadores ameaçaram não realizar o jogo com Portugal, caso não pagassem o subsídio.

Foi uma vergonha para nós africanos. E não foi e nem é somente este episódio que nos deixa triste com o Rei africano. Existem outros, uns mais deploráveis que os outros.

Até quando vão despertar e pensar no Rei, para alegria dos seus devotos? Enquanto não chega este momento, vamos assistindo um grupinho de nações e clubes dominando a esfera mundial, e outros, afundando cada vez mais.

Agora, olhando para dentro, em que grupo podemos colocar as ilhas de Tomé e António?

No grupinho da linha da frente ou fora dele? Quem vai responder, eu ou tu? Até poderia dar está resposta, mas existem coisas, que factos falam por si.

Então vamos aos factos!

  • A selecção nacional, nas últimas duas décadas, oficialmente realizou 25 jogos, contabilizando apenas 1/5 de vitórias;
  • Marcou 14 e sofreu 61 golos;
  • Tem uma média de 0.56 golos marcados, e de 2.44 golos sofridos por jogo;
  • Figura no top das cinco piores selecções do continente africano;
  • O país nunca conseguiu apurar uma selecção para fase final de uma grande competição, em nenhum escalão;
  • Os clubes nunca conseguiram passar uma eliminatória, nas provas internacionais, mesmo perante adversários medíocres;
  • Campeonatos por diversas vezes foram suspensos;
  • Equipas jogando no campo pelado, etc.

São alguns factos que te ajudarão a responder esta questão, onde remeto-me ao silêncio, para não ser mal interpretado.

Contudo uma coisa é certa, se os líderes federativos do continente africano, não pensarem em reverter a situação ou melhorar o cenário actual, onde a solução passa apenas por aposta firme no TRIÂNGULO, o Rei terá os dias contados, ou viverá com graves lesões em África.

Henrie Martins

 

    2 comentários

2 comentários

  1. pick

    2 de Abril de 2018 as 23:08

    lesões na ilhas de Tomé e António sim, em africa não vendo para equipas AFRICANAS apuras para Russia2018 pelos jogos apresentados até então poderam fazer grade jogos Marrocos e Nigeria em particular. Já agora força ao Morrrocos pela candidatura para realização do Mundial 2026.

  2. José de Santo Amaro

    3 de Abril de 2018 as 15:49

    Nino Monteiro, Patrice Trovoada e Américo Ramos é um triângulo ou trio de ataque ao recurso financeiro de desporto em São Tomé e Príncipe.

    Estamos degradando cada vez mais com esses trio!

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