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Exposição a resíduos químicos pode “ser a maior causa de mortes no mundo”  

 Parceria – Téla Nón / Rádio ONU

Especialista independente destaca que 90% da incidência de doenças associadas ao problema ocorrem em países de baixa ou média rendas; relator sobre substâncias perigosas fala de países que promovem direitos humanos no exterior ignorando questões domésticas.

Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

Um relator das Nações Unidas alertou esta quinta-feira que a exposição aos resíduos químicos pode ser a maior causa de doenças e mortes em todo o mundo.

Em Genebra, o relator especial Baskut Tuncak* disse que comunidades de baixa renda sofrem as consequências da falta de ação em relação à poluição tóxica.

Grupos minoritários

Para Tuncak,  o problema mata os pobres de forma desproporcional com mais de 90% da incidência de doenças associadas ocorrendo em países de baixa ou média rendas. Crianças e grupos minoritários são os mais afetados.

O especialista destacou ainda que bilhões de pessoas estão do “lado errado” do que chamou de “divisão tóxica” e não conseguem obter compensação diante da grande indústria.

Crise

Tuncak disse que os impactos da poluição e dos resíduos tóxicos são “evidentes”, mas muito pouco é feito para enfrentar esta crise de saúde pública. As declarações do relator constam de um informe apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos.

Para o especialista o motivo dessa inação é dos Estados que promovem os direitos humanos no exterior, ignorando as questões domésticas.

Tuncak declarou ainda que os efeitos da exposição à poluição no ar, na água e nos alimentos domésticos aumentam o impacto nos grupos vulneráveis.

Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia, UE, que ficou conhecida como Brexit, é uma razão de preocupação para  o especialista porque pode ameaçar a série de proteções dos direitos humanos estabelecidos sobre produtos perigosos.

Para ele, o Brexit “abre a porta” ao Reino Unido para se tornar “depósito de lixo para as indústrias sujas” pela falta clareza do governo sobre a substituição dos órgãos da UE que devem proteger as pessoas de materiais tóxicos.

Este ano, Baskut visitou o Reino Unido onde registou avanços na gestão das ameaças impostas pelas substâncias perigosas mas não em relação à poluição do ar que está associada a cerca de 40 mil mortes por ano.

*Baskut Tuncak é relator sobre as implicações da gestão e eliminação ambientalmente racional de substâncias e resíduos perigosos.

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