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Guerra Israel-Irão: fazer prevalecer o direito internacional

(Nota do editor: Este artigo representa o ponto de vista do autor Karim Badolo e não necessariamente o da CGTN.)

A guerra entre Israel e o Irão entrou em uma fase decisiva com a entrada oficial dos Estados Unidos no conflito ao lado de seu aliado israelense. Sem a aprovação do Congresso, por iniciativa do presidente Trump, o exército dos EUA realizou ataques contra três instalações nucleares iranianas na noite de 20 para 21 de junho. Quando se esperava que o presidente americano jogasse a carta da pacificação entre as partes beligerantes, pegou todos de surpresa. Esta intervenção tem pesadas consequências para a paz no Médio Oriente e pode pressentir um futuro incerto para toda a região que já enfrenta outras situações de conflito.

No entanto, desde o início dos ataques israelenses contra o Irão em 13 de junho, vozes se levantaram para exigir a cessação dos ataques. 21 países, incluindo 11 países africanos, como Egito, Argélia, Sudão, Somália, Djibuti, Ilhas Comores e Chade, fizeram uma declaração conjunta, apelando a uma desescalada.

Os signatários do apelo enfatizaram a necessidade de evitar ataques em locais nucleares sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e respeitar o direito internacional. Em suma, os 21 países signatários expressaram o desejo de que a via do diálogo e das negociações seja privilegiada em todas as circunstâncias.

A União Europeia apelou para cessar as hostilidades. Após os ataques americanos, a UE exortou “todas as partes a dar um passo atrás.” Exorto todas as partes a dar um passo para trás, voltar à mesa de negociações e evitar qualquer escalada”, disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

No mesmo registo, o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, não deixou de alertar contra os riscos de escalada desde o início dos ataques israelitas, apelando ao respeito do direito internacional.

“Esta é uma escalada perigosa em uma região já na corda bamba e uma ameaça direta à paz e segurança no mundo”, alertou, após a intervenção dos EUA no Irã. A China, por sua vez, expressou sua preocupação com o risco de que o conflito se torne “incontrolável”. O Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, apelou para não “deixar a região cair em um abismo desconhecido.”

Neste momento, o representante permanente da China nas Nações Unidas, Fu Cong, disse que “nesta fase crítica, a comunidade internacional deve formar um consenso e fazer todos os esforços para promover negociações para aliviar as tensões”.

“A China apela a todas as partes no conflito, em particular Israel, para cessar fogo o mais rápido possível, garantir a segurança dos civis e iniciar o diálogo e as negociações. A China está disposta a colaborar com a comunidade internacional para unir esforços, fazer cumprir a justiça e trabalhar para o restabelecimento da paz e da estabilidade no Médio Oriente”, reagiu um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros após a intervenção americana no Irão.

Embora a intervenção americana tenha complicado ainda mais a situação entre Israel e o Irão, é sempre importante fazer prevalecer o direito internacional, indispensável para a estabilidade no mundo. A diplomacia deve continuar a pesar neste conflito. O caminho da negociação é a alternativa ideal para a segurança de cada uma das partes. No momento em que se celebra o 80o aniversário da ONU, é preciso recordar os desastres que a lei da selva causou à humanidade. O uso da força por qualquer pessoa é contraproducente em todas as circunstâncias.

As posturas unilaterais comprometem a paz para toda a humanidade. A paz é uma iniciativa coletiva, não se impõe pela força. É através do direito e do diálogo que as nações poderão resolver suas diferenças e conviver pacificamente. A ilusão da força cega e afasta dos compromissos do convívio em estabilidade. Os exemplos são numerosos: a lei do mais forte não beneficia ninguém e não pode durar. É preciso fazer prevalecer a todo o custo o direito internacional, única garantia para um mundo pacífico.

FONTE : CGTN (Foto: VCG)

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