Economia

Perspectivas económicas globais: África Subsariana Crescimento lento, Desafios Políticos

África Subsariana – perspectivas regionais:

Espera-se que o crescimento regional atinja 2,9% em 2020, supondo-se que a confiança dos investidores melhore em algumas grandes economias, haja redução de constrangimentos com a energia, uma recuperação na produção de petróleo que contribua para a recuperação dos exportadores de petróleo e um crescimento robusto continua entre os exportadores de commodities agrícolas.

A previsão é mais fraca do que o esperado anteriormente, refletindo uma demanda mais fraca dos principais parceiros comerciais, preços mais baixos de commodities e desenvolvimentos domésticos adversos em vários países. Na África do Sul, espera-se um crescimento de 0,9%, assumindo que a agenda de reformas do novo governo acelere, a incerteza política diminua e o investimento se recupere gradualmente. O crescimento na Nigéria deverá atingir 2,1%, uma vez que o quadro macroeconômico não é propício à confiança.

Prevê-se que o crescimento em Angola acelere para 1,5%, assumindo que as reformas em andamento proporcionem maior estabilidade macroeconômica, melhorem o ambiente de negócios e aumentem o investimento privado. Na União Econômica e Monetária da África Ocidental, espera-se um crescimento estável de 6,4%. No Quênia, o crescimento é visto chegando a 6%.

Perspectivas económicas globais: África Subsariana
Crescimento lento, Desafios Políticos

Janeiro de 2020

Desenvolvimentos recentes: A recuperação económica na África Subsaariana perdeu o seu dinamismo, estimando-se que o crescimento em 2019 tenha sido moderado para 2,4%. A intensificação dos ventos contrários globais, tais como a desaceleração da atividade dos principais parceiros comerciais, a elevada incerteza política e a queda dos preços das matérias-primas, tem sido agravada por fragilidades internas em vários países.

Em Angola, Nigéria e África do Sul – as três maiores economias da região -, o crescimento foi moderado em 2019, permanecendo muito abaixo das médias históricas e em contração pelo quinto ano consecutivo numa base per capita.

Para além das grandes economias, o crescimento deteriorou-se no que diz respeito às várias exportações de matérias-primas industriais em 2019, à medida que os preços mais baixos e a redução da procura reduziram a atividade nos sectores de extração, tais como na República Democrática do Congo, na Libéria e na Namíbia. O crescimento aumentou nalguns países à medida que os investimentos nas novas capacidades petrolíferas e mineiras impulsionaram a atividade, tais como no Gana, na Guiné e na Mauritânia. Entre os exportadores de produtos agrícolas, as taxas de crescimento têm sido mais robustas, apesar de existirem algumas desacelerações ligeiras.

Perspetiva: Espera-se que o crescimento regional aumente para até 2,9% em 2020, assumindo que a confiança dos investidores melhore em algumas grandes economias, que os estrangulamentos energéticos diminuam, que um aumento da produção de petróleo contribua para a recuperação dos exportadores de petróleo e que um crescimento robusto continue entre os exportadores de produtos agrícolas. A previsão é mais fraca do que o anteriormente esperado, refletindo uma menor procura por parte dos principais parceiros comerciais, preços inferiores das matérias-primas e um desenvolvimentos internos adversos em vários países.

Na África do Sul, espera-se que o crescimento atinja 0,9%, assumindo que a agenda de reformas do novo governo produzirá efeitos, que a incerteza política diminui e que o investimento recupere gradualmente. Prevê-se que as restrições cada vez mais vinculativas das infraestruturas – nomeadamente no fornecimento de eletricidade – inibam o crescimento interno, enquanto a dinâmica das exportações será dificultada pela fraca procura externa. O crescimento na Nigéria deverá atingir os 2,1%. O enquadramento macroeconómico – caraterizado pelas múltiplas taxas de câmbio, restrições cambiais, inflação elevada e persistente, e um banco central com múltiplos objetivos em vista – não traz confiança.

Espera-se que o crescimento em Angola aumente para 1,5%, assumindo que as reformas em curso proporcionam uma maior estabilidade macroeconómica, melhoram o ambiente empresarial e reforçam o investimento privado. Na União Económica e Monetária da África Ocidental, espera-se que o crescimento se mantenha estável a 6,4%.

Entre os exportadores de produtos agrícolas da região, a continuação das despesas públicas em infraestruturas, combinadas com o aumento da atividade do sector privado em Madagáscar, Ruanda, Uganda, ou com a continuação das reformas para aumentar a produtividade e competitividade dos sectores orientados para a exportação, como no Burkina Faso e na Costa do Marfim, continuarão a apoiar os bons resultados. No Quénia, o crescimento deverá chegar ao 6%.

Riscos: Uma desaceleração mais acentuada do que a esperada nos principais parceiros comerciais, como a China, a Zona Euro ou os Estados Unidos, irá reduzir substancialmente as receitas das exportaçõs e o investimento. Um abrandamento mais rápido do que o esperado na China poderá causar uma queda acentuada nos preços das matérias-primas e, dada a forte dependência da África Subsaariana dos sectores de extração para as receitas de exportação e fiscais, isso irá pesar fortemente na atividade regional.

Um aumento generalizado da dívida pública levou a aumentos acentuados dos encargos com juros, afastando as despesas não relacionadas com juros e suscitando preocupações com a sustentabilidade da dívida. A insegurança, conflitos e insurreições — especialmente no Sahel — teriam um impacto na atividade económica e na segurança alimentar em várias economias. Os eventos climáticos extremos estão a tornar-se mais frequentes à medida que o clima muda, representando um risco significativo para a atividade devido ao papel desproporcionado desempenhado pela agricultura em muitas economias da região.

Por favor veja o documento abaixo para ter mais informações com destaque para os gráficos que mostram as perspectivas de comportamento económico dos diversos países africanos, de 2020 em diante.

1 – África – Banco Mundial

2 – Crescimento Global – retoma modesta cerca de 2,5%

3 – GEP20a_PressHighlights_Chapter 3

Fonte: Banco Mundial.
Notas: e = estimativa; p = previsão. As previsões do Banco Mundial são frequentemente atualizadas com base em novas informações e alteração das circunstâncias (globais). Consequentemente, as projeções aqui apresentadas podem ser diferentes das apresentadas noutros documentos do Banco, mesmo que as avaliações básicas das perspetivas dos países não difiram significativamente num dado momento.
a. Números baseados no ano fiscal

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