Economia

Brasil se consolida como segundo maior destino de investimentos da China

Com US$ 2,2 bilhões recebidos no primeiro semestre de 2025, posição reforça Brasil como destino estratégico.

Em meio à guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Brasil foi o segundo país que mais recebeu investimentos diretos da China no primeiro semestre de 2025, com US$ 2,2 bilhões, ficando atrás apenas da Indonésia, que atraiu US$ 2,6 bilhões. Os dados são do China Global Investment Tracker, plataforma mantida pelo American Enterprise Institute (AEI), que monitora os aportes globais do gigante asiático. As informações foram publicadas por reportagem de O Globo.

O Brasil já era o quarto maior destino no acumulado desde 2005, quando os aportes do gigante asiático ainda privilegiavam os países desenvolvidos. A posição reforça a atratividade do Brasil como destino estratégico no contexto da reorientação chinesa rumo aos países emergentes. Historicamente voltado aos mercados desenvolvidos, o capital chinês tem se concentrado cada vez mais em regiões com grande oferta de recursos naturais, infraestrutura deficiente e potencial de consumo — características que colocam o Brasil no centro desse novo mapa de investimentos.

Esse movimento tem ocorrido no caso da soja, por exemplo. Dados oficiais da Administração Geral de Alfândega da China, divulgados na quarta-feira (20), mostram que, em julho, as importações chinesas de soja brasileira cresceram 13,9% em relação ao mesmo mês de 2024. Foram 10,39 milhões de toneladas, contra 9,12 milhões no ano anterior — o que correspondeu a 89% de todas as compras do país.

A ampliação desse mercado fez com que a Associação Americana de Soja enviasse uma carta a Trump alertando para a perda de mercado no país asiático. Segundo os produtores, após a imposição de tarifas adicionais sobre o produto norte-americano, a China passou a priorizar as compras de soja do Brasil.

Nova fase da China: diversificação

A diversificação dos aportes é um dos destaques dessa nova fase. Tradicionalmente voltadas a infraestrutura e matérias-primas, como energia elétrica, petróleo e mineração, as empresas chinesas agora ampliam o escopo para setores como tecnologia, mobilidade urbana, serviços logísticos e bens de consumo.

No agronegócio, a gigante Cofco está concluindo investimentos no Porto de Santos, com um terminal de granéis sólidos, além de ter comprado quase mil vagões e locomotivas em parceria com a operadora Rumo.

Na mineração, o país viu uma onda de aquisições nos últimos meses: a MMG, subsidiária da estatal China Minmetals, adquiriu minas de níquel da Anglo American por até US$ 500 milhões; a China Nonferrous levou a Mineração Taboca por US$ 340 milhões; e a Baiyin Nonferrous comprou a Mineração Vale Verde, produtora de cobre em Alagoas, por US$ 420 milhões.

Setor automotivo e serviços

Já no setor automotivo, a presença da China cresce em ritmo acelerado. A GWM (Great Wall Motors) inaugurou sua fábrica em Iracemápolis (SP), como parte de um plano de R$ 10 bilhões até 2032. A BYD, com fábrica na Bahia, intensificou ações de marketing, inclusive com inserções publicitárias em horário nobre da TV Globo. A Geely, por sua vez, lançou campanha com celebridades brasileiras e adquiriu 26% da subsidiária da Renault no Brasil.

Nos serviços, o movimento também é forte. A 99, controlada pela Didi, está expandindo suas operações para o delivery, enquanto a Meituan, dona da marca Keeta, anunciou investimentos de R$ 5,6 bilhões para operar no Brasil.

Nova rota para o Sul

A ampliação da presença chinesa no Brasil está inserida em um redesenho mais amplo da estratégia econômica global de Pequim. Pressionadas por restrições nos países desenvolvidos, especialmente após a escalada protecionista nos EUA sob Donald Trump, as empresas chinesas passaram a priorizar os emergentes.

Em 2024, as exportações da China para o chamado Sul Global somaram US$ 1,58 trilhão — superando em mais de 50% o total exportado para EUA e Europa Ocidental juntos.

Esse realinhamento comercial e de investimentos poderá gerar, segundo relatório da agência Standard & Poor’s, uma “nova ordem” global, marcada pela intensificação das trocas Sul-Sul e pelo protagonismo de multinacionais chinesas em setores estratégicos.

FONTE : ICL NOTÍCIAS /Brasil

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