Política

PJ queimou cocaína antes de desaparecer dos cofres dos Tribunais e do MP

Na última semana a Polícia Judiciária de São Tomé Príncipe incinerou 32 quilos de droga. A maior parte cocaína. Segundo Maribel Rocha, Directora da PJ, dos 33,5 quilos havia também alguma quantidade de heroína.

Nos últimos anos tornou-se rotineira a apreensão pela Polícia Judiciária de importante quantidade de droga, principalmente a cocaína no aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe. A maior apreensão aconteceu na segunda semana do mês de Julho último, mais de 30 quilos.

No momento da incineração da droga, a Directora da Polícia Judiciária disse à imprensa que as drogas apreendidas constituem provas de crime, mas devem ser incineradas mesmo antes do julgamento dos traficantes.

No entanto a polícia só pode executar a queima após autorização dada pelas instâncias judiciais, nomeadamente pelo ministério público.

A queima da última semana de cocaína apreendida, foi inédita nos últimos anos, e terá contribuído para evitar perigos maiores.

É que durante o ano 2018, a polícia judiciária efectuou várias apreensões de cocaína em São Tomé e Príncipe. Mas, logo depois a polícia descobriu que a droga que era guardada nos cofres dos Tribunais e do Ministério Público, como prova de crime, acabava por ser roubada, e alegadamente injectada novamente no circuito do trafico internacional e ou do consumo interno.

Veja alguns artigos que relataram o escândalo de roubo e desaparecimento de cocaína nos cofres dos Tribunais e do Ministério Público de São Tomé e Príncipe no ano 2018.

 Escândalo de Cocaína no poder judicial de STP

 

Assalto ao Supremo Tribunal para roubar cocaína

Ainda na última semana, numa das sessões plenárias da Assembleia Nacional, o deputado Arlindo Ramos, da bancada parlamentar do partido ADI na oposição, denunciou a grande ameaça do trafico e consumo de drogas, para o pequeno Estado insular são-tomense.

O deputado que foi ministro da defesa e da administração interna de 2014 à 2018, deixou entender a nação que conhece as redes internas do trafico. No púlpito do parlamento Arlindo Ramo, chamou a atenção da nação são-tomense, para a incapacidade do poder judicial em lidar com o fenómeno. «Se as drogas são entregues aos tribunais acompanhado dos detidos, e o tribunal diz que as provas não são suficientemente claras para manter essas pessoas detidas….. As drogas são guardadas nos tribunais e depois desaparecem…., as pessoas são identificadas e indiciadas, mas acabam por entrar novamente no sistema……..» denunciou o deputado.

Por outro lado, Maribel Rocha, Directora da Polícia Judiciária, aproveitou o calor da fogueira que foi atiçada na “Lixeira da Penha”, para queimar os 32 quilos de droga para anunciar que a rede de trafico de cocaína também passa pela ilha do Príncipe.

Mais preocupante ainda segundo a Directora da Polícia Judiciária, é o registo que a polícia tem, de um significativo aumento do consumo de droga em todas as escolas secundárias de São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

    6 comentários

6 comentários

  1. Coerência

    13 de Agosto de 2019 as 7:41

    Ora aí está. As instituições do Estado estão completamente discredibilizadas. É uma desordem total. 1- a PJ não pode queimar o objeto de crime antes da audiência de julgamento. 2- esta ação da PJ tinha que ser precedida de uma autorização judicial para o efeito, ou após o fim da audiência de julgamento. 3- se as drogas vão para o MP e o tribunal e desaparecem e entram de novo em circulação, mais vale pôr de parte as formalidades legais e queima-las tal como a PJ fez. Desta forma afastamos o perigo.Os nossos dirigentes têm que deixar de brincadeira e velar pela recuperação da credibilidade e segurança dos órgãos judiciais e do Estado no seu todo, só assim STP será verdadeiramente um Estado de Direito. Legalmente a PJ agiu mal, mas pela salvaguarda da população, agiu bem. O Estado tem que se organizar.

    • João Reis

      13 de Agosto de 2019 as 11:44

      É preciso saber o que diz a lei da droga de STO, em relação a manutenção e conservação de prova “drova”, porque ha lei que conheço que diz que 10 dias após o exame definitivo pode destruir a droga porque essa não é um tipo de prova que seja necessário conservar até ao julgamento.

  2. Libreville

    13 de Agosto de 2019 as 8:42

    Todas as Drogas apreendidas na Ilha do Príncipe só Tozé Cassandra consegue dar melhor explicação, como nesse Pais Políticos são blindados, assim, estamos a ver os desfiles dos que mais têm poder nesse Pais. Vergonha…

  3. Caboverde

    13 de Agosto de 2019 as 13:13

    Temos que pacificar São Tomé e príncipe.Cinvodo a todos para uma reflexão neste sentido

  4. Ralph

    16 de Agosto de 2019 as 1:31

    O tráfego de drogas é um flagelo que parece ter afligido quase todo o mundo. Mesmo nos mais remotos cantos do planeta, haveria demanda para comprar e vender drogas. Eu estaria surpreendido se houvesse um país em que não haja pessoas a tentarem introduzir drogas ilícitas. Para mim, a solução é difícil e tem a ver a melhorar muitos aspetos do problema. Por exemplo, tem-se de aumentar os níveis de educação, criar mais oportunidades económicas e fortalecer a cumplicidade da lei. Mesmo assim, haverá sempre gente que continuará a recorrer ao consumo e ao tráfego de drogras simplesmente porque querem (ou têm de) fazer isso.

  5. Livramento

    17 de Agosto de 2019 as 15:11

    Foda-se!
    Vocês preocupados com alguns quilates de cocaína enquanto em Cabo Verde a unidade de medida é a tonelada kkkkkkkkkkk

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