Política

PR : “O país não pode manter e nem conservar as forças armadas que tem hoje”

A declaração do Presidente da República Evaristo Carvalho no acto central das celebrações do dia das Forças Armadas relança o desafio de estruturação das FASTP, com destaque para o ramo Exército.

A cerimónia que ficou marcada pelo juramento de 370 novos soldados, suscitou na intervenção do Presidente da República, e Comandante Supremo das Forças Armadas, uma urgente reflexão nacional sobre o futuro da instituição militar. «O nosso desafio será o de construir as forças armadas que necessitamos, que exigem as condições do nosso país, as suas fraquezas e as suas ameaças», afirmou Evaristo Carvalho.

O Presidente da República, realçou que o assunto pode gerar divergências, mas o país já não aguenta com as forças armadas que tem. «Nesta como em muitas outras coisas, poderemos até discordar sobre a perspectiva. Mas o que é certo e incontornável é que não podemos manter e conservar as forças armadas que temos hoje», pontuou.

O Chefe de Estado apelou a um enorme esforço interior de modernização, « deste importante instrumento de defesa da nossa soberania e o reforço contínuo da sua capacidade…».

Evaristo Carvalho, lançou pistas sobre as ameaças, e indicou o mar, como principal alvo na nova estratégia de defesa nacional. «Num contexto de micro-Estado, com uma reduzida população, mas gozando de uma extensa fronteira marítima rica em recursos marinhos, numa sub-região extremamente agitada e cobiçada, as nossas forças armadas e cada um dos seus oficiais, sargentos, praças e marinheiros, devem ter a todo o instante o conhecimento exato do seu papel, do novo modelo da sua estrutura e da sua organização para fazer face as assimetrias das novas ameaças», explicou o Comandante Supremo das Forças Armadas.

O Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, o Brigadeiro Idalécio Pachire, também destacou o facto do Estado são-tomense e os parceiros internacionais, colocarem a defesa do espaço marítimo nacional, como prioridade na defesa nacional.

«Têm salientado a necessidade de dotar as forças armadas e em particular a guarda costeira de meios e competências que nos permitem contribuir para a estratégia de segurança marítima na região do Golfo da Guiné», afirmou o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.

A Presença desde o início do ano 2018 do navio Zaire da marinha portuguesa, nas águas nacionais, reforçou as competências da guarda costeira. «1/3 da guarnição deste navio é composto por militares são-tomenses. A presença do navio e as acções de fiscalização marítima conjunta tem contribuído para a conservação dos recursos vivos, e como elemento dissuasor à prática de actividades ilícitas, nomeadamente a pirataria, trafico de drogas e de seres humanos na área de jurisdição de São Tomé e Príncipe», detalhou o Brigadeiro Idalécio Pachire.

Com apoio directo da cooperação militar de Portugal e do Brasil, a Guarda Costeira, que começou a ser estruturada no ano 2012, cresce e se posiciona cada vez mais como a principal unidade militar defesa nacional.

Abel Veiga

    13 comentários

13 comentários

  1. Revoltado

    8 de Setembro de 2019 as 13:54

    Finalmente o PR a dizer uma grande verdade.Espero que colabore com o governo para passar de palavras a prática.

  2. Toni

    8 de Setembro de 2019 as 14:50

    Só agora é que chegaram a esta conclusão!! No quadro actual Stp ter forças armadas é irrisório e pura perda de recursos que não tem.

    Dada a conjectura do País , sem recursos, sem qualquer tradição militar, acho que deveria sim existir um tipo de serviço público que os jovens teriam que cumprir no âmbito da proteção social, vigias de praias, vigias de escolas, precaver a mendicidade junto dos turistas, ajudar a promover a correcta utilização dos lixos, enfim preparar a juventude para uma mudança de comportamento que é necessário para se poder evoluir, este serviço poderia ser no máximo de um ano.

    Agora manter estes militares, que só existem para gastar o dinheiro que Stp não tem, é lesar o País e o povo.

    Não serve para nada!

  3. Coerência

    8 de Setembro de 2019 as 14:56

    Sábia leitura do PR.

  4. Renato Cardoso

    8 de Setembro de 2019 as 14:58

    Do discurso à prática passam gerações!
    E continua—se com o exército faz de conta e armamento de Staline! É obra!!!!

  5. Olivio

    8 de Setembro de 2019 as 17:33

    É importante o país despor de uma unidade militar bastante coesa, deve ter um navio patrulha bem equipado e transportanto helicópteros e com fuzileiros navais bem treinados com forças especiais Brasileiras, Portuguesas e até Angolonas .

    • Toni

      10 de Setembro de 2019 as 16:42

      Concordo consigo… e como pagar isso tudo?!

      As lanchas que têm, não andam porque não têm combustível ou estão avariadas

      Helicóptero? Nem avioneta para príncipe conseguem ter… e depois quem fazia manutenção do aparelho.

      Stp não precisa de qualquer força militar, precisa sim através da cooperação ter acordos de fiscalização das áreas marítimas, tirando isso mais nada. Como defendo criar uma força cívica, com jovens por um período máximo de 1 ano, e sim vigiar praias, vigiar floresta, vigiar comportamentos, educar população para boas práticas de civismo, se calhar conseguiam um melhor desenvolvimento do povo.

      Stp nem armamento considerado eficiente tem…

  6. Eduardo Henrique Soares Jorge

    8 de Setembro de 2019 as 19:22

    Como é para o bem dos militares e felicidade geral dos graduados, espero que a Dra Kelma se candidate.

  7. COERÊNCIA

    9 de Setembro de 2019 as 5:49

    O PR não reune muita simpatia dos São Tomenses, mas desta vez está coberto de razão

  8. marco antonio

    9 de Setembro de 2019 as 7:36

    Esses militares andam sempre na boa vida não fazem nada de jeito para o País, para além de pedirem sempre promoções e promoções e grandes viaturas para os chefes. Ainda por cima andam atrás do Angolanos para tudo.Por favor meus senhores Angola tem os seus problemas também. Temos que aprender a resolver os nossos. Acho que os militares deviam ser mais criativos e fazerem coisas úteis para o País, como por exemplo vigiar as praias, limpar a capital de madrugada recolher os lixos, vigiar a nossa mata que está a ser derrubada por carvoeiros e madeireiros. Enfim acho que os governos também nunca tiveram criatividade para pôr este pessoal a trabalhar. Veja por exemplo o caso de bairro de satóm que está atrás da casa de ministro da defesa Oscar Sousa e ainda por cima tem a patente de tenente coronel mas que nem consegue impedir que as pessoas tiram areia aí.
    Vamos refletir será que vale a pena ter as forças armadas nas condições actuais? Que contribuições têm dado ao País nos últimos anos?

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    • Lupuye

      9 de Setembro de 2019 as 22:25

      Muito bem dito. Temos que mudar isso. Estou plenamente de acordo com a tua forma de pensar.

  9. S.Tome

    10 de Setembro de 2019 as 17:27

    Ok, bem visto Senhor Presidente, e agora, o que vai fazer para colmatar esta situação antes que o seu tempo acabe.
    Isso já nós sabemos… queremos soluções.

    Boa tarde

  10. Kwatela

    13 de Setembro de 2019 as 5:08

    Parabéns sr Presidente.
    Alguém pôs o dedo na ferida.
    Partilho inteiramente com a sua visao estratégica. Discordei de si em vários aspectos ms nesse eu solidarizo consigo.
    Cabe ao governo e a sociedade civil abrir um espaço de debate para cada um emitir a sua opinião. Bem haja.

  11. Barão de Água Izé

    13 de Setembro de 2019 as 10:40

    Nova política econômica. Novo modelo de Sociedade.Novo Estado. Fim da cubanizacáo e do marxismo em STP.

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