Política

“Respirar Livremente” – Editorial do Dia Nacional dos Estados Unidos de América

Respirar Livremente

Op-Ed (Editorial), 4 de Julho de 2020

Pelo Encarregado de Negócios- Sr. Robert Whitehead, Embaixada dos EUA em Libreville

Hoje celebramos um conceito e uma declaração feita há 244 anos atrás, em 1776.

Quando os colonos das 13 colónias britânicas da América do Norte perceberam que suas tentativas de convencer o Rei da Inglaterra em aceitá- los como iguais havia falhado; declararam a sua independência, e, disse o Presidente Abraham Lincoln, “criou-se uma nova nação, concebida em Liberdade e dedicada à proposição de que todos os homens são criados iguais”.

Após onze anos de uma batalha, os Fundadores do meu país escreveram a Constituição que ainda hoje vigora. Uma Constituição que estabeleceu poderes governamentais e garantiu liberdades para o povo, entre elas: a liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade de reunião.

Hoje, comemoramos esses ideais e uma orgulhosa e excelente história de conquistas dos EUA. E que têm sido muitas.

Uma das nossas conquistas é algo improvável em muitas nações: a nossa liberdade de criticar aberta e honestamente e avaliar tanto as coisas boas e más da nossa cultura e história.

Os historiadores de amanhã herdarão uma valiosa coletânia historico-material referente ao ano 2020. Este ano, decorridos apenas seis meses, já foi demonstrada a eminência da engenhosidade Americana e os torpes do preconceito social.

Testemunhamos um revigoramento da exploração espacial dos EUA com o lançamento do foguete SpaceX. Vimos pessoas de diferentes gerações e origens se unindo para protestar contra a injustiça racial.

Nós nos covergimos – cientistas, profissionais de saúde e cidadãos comuns para combater a COVID 19 nos EUA e em todo o mundo.

Igualmente enfrentamos as desigualdades que persistem antes mesmo da existência do nosso país- a subestimação e a desvalorização das pessoas com base na cor de sua pele.

A orgulhosa história dos Estados Unidos é marcada pelo tratamento das minorias. Muitas vezes negamos direitos aos “outros”, conferindo status a grupos com base em raça, género, etnia, sexualidade ou vivendo com qualquer forma de limitação.

Mas a nossa Constituição nos une, e os direitos que este documento confere à nação nos proporcionam ferramentas para combater a desigualdade. A liberdade de expressão permite que as pessoas se pronunciem sobre as irregularidades.

A liberdade de imprensa permite que pessoas em todo o país tenham noção do errado e sejam capazes de juntar suas vozes ao coro que tem vindo a exigir mudanças. A liberdade de reunião permite que as pessoas possam protestar pacificamente em busca de mudanças. Essas liberdades permitem as pessoas exporem as injustiças e influenciarem reformas positivas.

Isto não tem sido fácil, e não está sendo fácil até os dias de hoje. A injustiça destruiu vidas e os meios de subsistência das pessoas. George Floyd é apenas o mais recente acréscimo a uma longa lista de vítimas de injustiça que deveria deixar de se expandir há décadas atrás.

Ao longo da nossa história, manifestantes enfrentaram multidões furiosas, ataques de cães e radicalistas que implicitamente apoiavam a brutalidade policial. No entanto, os manifestantes perseveraram, com base nos direitos garantidos pela nossa pedra angular constitucional.

Há uma outra importante razão pela qual essas exigentes reformas perseveraram: o caráter do povo Americano. Assim como o racismo e o sexismo fazem parte da história da América, o ativismo também. Das palavras comoventes do ex-escravo Frederick Douglass, à proclamação da liberdade do Presidente Lincoln para escravos, aos protestos da ativista Alice Paul “Votos para as Mulheres” fora da Casa Branca, às marchas provocadas pela chocante morte de George Floyd, os americanos se levantaram exigindo reformas para promover direitos humanos e iguais para as pessoas, independentemente da sua “alteridade”.

Por tudo isto, os princípios sobre os quais os fundadores do nosso país estabeleceram a sua nova nação tem perdurado: liberdade e justiça para todos.

Como homem branco, me beneficiei do privilégio que este estatuto étnico e de género tradicionalmente confere nos Estados Unidos. Como marido de uma esposa Africana e pai de filhos Afro-Americanos em todos os sentidos deste termo, também entendo o ônus que a raça exerce sobre os cidadãos não-brancos e as precauções extras que devem tomar para garantir o seu bem-estar. Essas são precauções  que eu nunca tive que tomar; um entorpecimento que com o tempo pode levar ao desgaste.

Tenho orgulho do meu filho, um agente federal de aplicação da lei, e,ver os videos de comportamento brutal de oficiais e agentes da lei, como testemunhado na morte de George Floyd, aborreceu e entristeceu-me.

No entanto, também alegrei-me ao ver tantos outros policiais locais colaborando com os manifestantes. Polícia em Waukesha, Wisconsin, ajoelhada com os que marcharam; o chefe da polícia de Grand Rapids, Michigan, minha cidade natal, solicitando uma reunião com os organizadores do protesto para discutir com o seu departamento pode mudar para melhor; o Sherriff em Flint, Michigan, caminhando com manifestantes.

Sem essa cooperação entre as pessoas, sem protestos pacíficos e discussões sobre a raça, privilégio e preconceitos inconsciente, nem a América nem o mundo pode prosperar.

Estou solícito que, 400 anos após a chegada dos primeiros escravos no que é hoje o Estado da Virgínia, 155 anos desde o final da Guerra Civil e 58 anos após a Lei dos Direitos Civis de 1964, o tom de racismo ainda persiste nos Estados Unidos. Mas também estou orgulhoso de que os americanos ainda exerçam o direito de protesto  contra a desigualdade e buscam justiça, que a imprensa livremente relata sobre esses esforços, que os ativistas expressam livremente e que nosso sistema responsabiliza aqueles  que buscam reprimir os direitos dos “outros. . ”

O 4 de Julho deste ano é especialmente pungente. Como nação, lembramos os grandes progressos que os Estados Unidos fizeram relativamente a igualdade, mas também devemos refletir sobre o que resta ser feito para garantir que o princípio central da Declaração de Independência de 1776 de que “todos os homens (e mulheres) são criados iguais ”, são relevantes ainda hoje.

 

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