Política

Discurso do PR alusivo aos 45 anos de São Tomé e Príncipe

DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, POR OCASIÃO DO 45º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Povo de S. Tomé e Príncipe,

Cidadãos santomenses da Diáspora,

Distintos Convidados,

Celebramos hoje o acontecimento de maior relevância da história do nosso país. Recordamos a história dos homens e mulheres vítimas de um poder que ignorava a aspiração a uma vida digna e em liberdade de todos os que a história e o destino fizeram convergir nestas ilhas.

Recordamos, igualmente, os Combatentes da Liberdade da Pátria, que se organizaram no interior e no exterior do País, para lutar pela libertação do nosso país do jugo colonial. Assumiram que a soberania seria a única via para resgatar a dignidade do povo santomense. Rendemos-lhes a mais sentida homenagem.

Pela primeira vez, em 45 anos, celebramos o aniversário da Independência Nacional de forma limitada, sem atividades de massa e sem mobilização popular. Pela primeira vez, o Ato Central é realizado num recinto fechado, com menos de três dezenas de participantes. Apelamos à compreensão de todos por essa limitação, que é devida ao contexto sanitário que o País conhece atualmente.

A Pandemia do Covid-19 assolou o País como um furacão que era esperado, mas, felizmente, chegou com uma intensidade bastante menor do que a prevista. Apesar de termos a lamentar o sofrimento traduzido em mais de sete centenas de casos e quase uma quinzena de mortes, o que é significativo para a dimensão populacional do País, verificámos que a Nação como um todo, liderada pelo Governo, sobretudo através do Sistema Nacional de Saúde e seus profissionais a todos os níveis, das Forças de Defesa e Segurança incluindo os Bombeiros, dos demais sectores da Administração, superando todas as suas insuficiências, conseguiu dar uma resposta satisfatória. Gostaria neste ponto de agradecer profundamente a todos esses profissionais que, com coragem e determinação, deram o melhor de si para enfrentar esse inimigo invisível com o sucesso reconhecido.

A Sociedade Civil, através de iniciativas de cidadãos, ONGs, Associações diversas, Igrejas, deu um notável exemplo de sua força e importância fundamental, com inúmeras iniciativas dignas do maior louvor, tanto aqui no País como na diáspora, as quais foram a seu tempo reconhecidas e elogiadas pelas populações de todos os cantos do País. Igualmente, os empresários, tanto nacionais como estrangeiros, com uma importante contribuição material para aliviar o sofrimento em vários sectores da sociedade, fizeram-se presentes. Em nome do povo de S. Tomé e Príncipe, o nosso muito obrigado a todos.

Quero igualmente render homenagem a toda a Comunidade Internacional, nas suas mais diversas componentes, que veio em socorro do nosso país, citando em particular, a nível bilateral China, Cuba, Portugal, Gana, Guiné-Equatorial, Brasil e, a nível multilateral e de Cooperação Inter-países, as Nações Unidas, em particular a OMS e a Unicef,  o Banco Africano de Desenvolvimento, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia. Uma menção muito particular para o empresário Chinês, o Senhor Jack Ma, da Fundação Ali Babá.

Confesso que foi extremamente emocionado que vi desfilar na televisão e demais órgãos de comunicação social esses exemplos de solidariedade atuante. Não temos e não teremos nunca palavras bastantes para agradecer a essas pessoas, entidades e organizações.

A Nação santomense precisa hoje dessa solidariedade entre todas as camadas da população, residente e na diáspora, como de pão para a boca.

 

Quero também deixar aqui expressa a minha profunda gratidão a Sua Excelência o Presidente da Assembleia Nacional, a Sua Excelência o Primeiro Ministro, e aos Excelentíssimos senhores Ministros da Saúde, da Defesa e Ordem Interna, e das Finanças, Secretário de Estado da Comunicação Social, Procurador Geral da República, ex-Ministros da Daúde Dr. Carlos Tiny e Dr. Fernando Silveira, pela presença assídua e participação ativa no Fórum de Alto nível que tive a oportunidade de convocar como mais uma instância de acompanhamento da resposta à Pandemia.

 

É preciso realçar que, se nos últimos tempos a epidemia parece estar controlada, o facto é que o número de casos continua a crescer pelo que  há que nos mantermos vigilantes, não baixar a guarda, antes pelo contrário adotar todas as medidas preventivas e organizativas por parte das autoridades e, da parte da população, seguir à risca as orientações das autoridades competentes com vista a estarmos preparados para uma eventual segunda ou até mesmo terceira vagas que já é referida por muitos especialistas. De resto, a evolução da pandemia em alguns países e regiões, como no caso da região de Lisboa em Portugal, dos Estados Unidos, Brasil, India, Austrália, e mesmo da China, apontam no sentido de que não podemos relaxar.

Aliás, segundo o Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde e cito “a Pandemia não está controlada na maior parte dos países, está a piorar”. E em igual sentido abona o Diretor do CDC, Centro de Controle de Doenças em África segundo o qual “a Pandemia está a atingir a velocidade máxima em África”. Isso é motivo para muita prudência e para se evitar triunfalismos injustificados. Ainda não vencemos o Covid-19 e nem sabemos ainda o que nos espera o futuro próximo. Nesse sentido, um apelo vibrante ao nosso povo para a responsabilidade que é a sua no combate à pandemia do Covid-19.

Se para atender à Pandemia, conseguiu-se uma mobilização social dessa envergadura, é igualmente dela que precisamos para resgatar a economia e relançar o desenvolvimento.

De facto, o impacto socioeconómico da Pandemia é enorme, como já o fizeram ver as autoridades, assim como diversos outros atores. É mesmo devastador para a economia, diria eu. Se bem que muita gente ainda não se dê conta da verdadeira dimensão desse impacto, já se torna evidente no número de instalações turísticas, nomeadamente hotéis, guest houses, pensões e similares encerrados, nos restaurantes e demais estabelecimentos comercias encerrados, no número de pessoas desempregadas.

O retomar do turismo em S.Tomé e Príncipe vai depender muito da confiança que conseguirmos transmitir aos turistas pelo mundo fora e aos operadores turísticos internacionais que poderão vir a investir nas nossas ilhas. Daí a importância em controlarmos convenientemente a Pandemia, evitando uma segunda vaga, oferecendo assim um turismo seguro. Medidas como a recente criação do Selo de Certificação podem contribuir para este fundamental sentimento de segurança no seio dos turistas que decidam visitar-nos.

As autoridades têm aqui uma oportunidade para olharem para as antigas casas coloniais das roças de cacau e de café e para tudo quanto gira à volta das mesmas, promovendo a recuperação arquitetónica e saneamento do meio, bem como transmitir esperança aos dezenas de milhares de concidadãos nossos que vivem em condições precárias de que com desenvolvimento de turismo nas antigas roças, poderão vir a disfrutar de oportunidades de melhor e mais emprego e melhores condições de vida.

Há que manter a mobilização, tanto das diversas camadas sociais da população, como dos nossos parceiros internacionais, para conseguirmos angariar os recursos necessários à reconstrução da nossa economia, o principal dos quais é o envolvimento responsável de todos nós.

O Covid-19, com o seu impacto sanitário e socioeconómico, representa também uma oportunidade que deve ser aproveitada pelas autoridades nacionais para reequacionar muita coisa que tem vindo a ser feita no nosso país. Reconstruir a economia sim, mas em moldes diferentes. Esta é uma oportunidade para mobilizar os diversos sectores da sociedade, para juntos analisarmos o que e como estão sendo feitas as coisas, e promover mudanças.

Assim, o Sistema de Saúde, por exemplo, pode ser reforçado de modo a melhorar os cuidados de saúde que prestamos à nossa população, de forma a que uma eventual epidemia no futuro nos encontre melhor preparados. Todos os sectores podem olhar para o seu interior e se questionar sobre que novas oportunidades a Pandemia pode ter criado. Essa é uma reflexão que eu gostaria de ver realizada no País nos próximos meses.

12 de Julho de 1975 / 12 de Julho de 2020 – 45 anos se passaram. 45 anos de luta contra a pobreza e o subdesenvolvimento, visando o progresso e o bem-estar do povo santomense.

Em 1975, quando as ilhas se tornaram independentes, havia uma expetativa muito grande em relação ao futuro, sobretudo no que respeita às condições de vida da esmagadora maioria da população.

Hoje, volvidos 45 anos como estado independente, qual é o panorama? Podemos dizer que as expetativas foram realizadas ou goradas? O País conheceu avanços ou retrocessos? As condições de vida das populações melhoraram significativamente? Em que domínios avançamos e em que domínios não se registaram avanços?

Sem pretender fazer um balanço exaustivo das realizações dos 45 anos da Independência, procurarei fazer uma avaliação sumária dos ganhos conquistados e dos falhados.

O maior ganho reside na soberania e na democracia. Somos um povo livre, gerimos o nosso destino e escolhemos os nossos dirigentes. Somos uma democracia consolidada. A alternância do Poder processa-se de forma exemplar. Isso não tem preço.

Reduzimos drasticamente o analfabetismo. A taxa de alfabetização no País situa-se entre as maiores do continente africano.

Massificámos o ensino. Desenvolvemos uma rede de estabelecimentos de ensino pré-escolar e básico em toda a extensão do território nacional. Praticamente todas as crianças em idade escolar frequentam estabelecimentos de ensino. Melhoramos significativamente a cobertura do ensino secundário a nível de todosos distritos e na Região Autónoma do Principe. A existência de vários estabelecimentos de ensino superior, proporcionando uma grande gama de cursos, é uma realidade, apesar de algumas insuficiências que lhes são reconhecidas às quais há que prestar atenção urgentemente. Enfim, dispomos de centenas de quadros de nível médio e superior, formados no País e no estrangeiro.

No que respeita à Saúde, muitos ganhos foram registados. Criamos um Sistema Nacional de Saúde que, apesar de algumas deficiências ainda, cobre todo o território nacional, fazendo com que toda a população tenha acesso fácil aos cuidados básicos de saúde. O paludismo, que era a principal causa de morbilidade e de mortalidade, está controlado.

Os diferentes indicadores de saúde, na sua maioria, também revelam avanços significativos, colocando o País entre os melhores em África. A esperança média de vida é de 65 anos, 10 anos acima da média africana, embora ainda esteja muito aquém da desejada.

Se nos sectores citados o País conheceu ganhos significativos, o mesmo não se pode dizer da evolução dos seguintes sectores fundamentais:

Desde logo,a Agricultura – apesar de se ter registado aumento significativo da produção alimentar, hortícolas em particular, e notório incremento da produção e exportação de óleo de palma, e apesar dos progressos alcançados na implementação do cacau biológico, a produção dos três principais produtos de exportação à data da Independência, a saber, o cacau, a copra e o café, baixou dramaticamente. Os edifícios emblemáticos das administrações e os grandes hospitais das roças coloniais estão em ruína. Uma imensidão de terras agrícolas abandonadas. Florestas destruídas, devido ao abate indiscriminado de árvores.

A Pesca – apesar de muitas ajudas recebidas no âmbito da cooperação internacional, o sector registou poucas melhorias. Os pescadores continuam a realizar a faina pesqueira com o mesmo tipo de embarcação e equipamentos de 1975, e até mesmo de muitos anos antes da independência. Em 45 anos não conseguimos pôr à disposição dos pescadores artesanais um tipo de embarcação de melhor qualidade e mais segura, não conseguimos formar e equipar esses pescadores e seus filhos, pelo que práticas laborais antiquadas são passadas de geração em geração, mantendo o atraso no sector. Assim, os níveis de produção da pesca artesanal continuam baixíssimos. Por outro lado, o País não desenvolveu capacidades para captura, transformação e exportação de tunídeos e outras espécies de pescado que abundam nas nossa Zona Económica Exclusiva, buscando deste modo mais rendimentos, indo além da simples concessão de licenças de pesca.

As infraestruturas de telecomunicações, portuárias, rodoviárias e aeroportuárias não evoluíram suficientemente, sendo hoje na sua maioria inadequadas e de má qualidade. 45 anos após a Independência, continuamos a funcionar com um porto onde os navios de longo curso são forçados a descarregar mercadorias contentorizadas no alto mar.

A Justiça tem os problemas que todos conhecemos. Infelizmente, ela não inspira confiança aos cidadãos e, apesar dos múltiplos apelos já feitos e oriundos de toda a parte, me parece ser necessário, mais uma vez, relembrar aos seus agentes, a todos os níveis, que o que o País espera deles está muito longe do que estão a oferecer à Nação.

A Função Pública: excesso de pessoal e pouco eficiente, devido à falta de rigor, indisciplina e com evidentes sinais de corrupção de um bom número de seus agentes.

Fraca autoridade do Estado, indisciplina na sociedade com níveis preocupantes, em larga medida como resultado da existência de muitos responsáveis colocados em níveis de decisão não assumirem as suas responsabilidades, descartando-as de forma inadmissível.

Embora o ensino seja de acesso fácil e massificado, ainda tem carências de vários tipos: professores mal preparados e mal pagos, excesso de alunos por turmas, insuficiências de manuais e materiais didáticos, indisciplina no seio dos alunos e dos próprios professores, o que faz com que a qualidade do ensino seja baixa.

E no sector da Saúde, apesar dos indicadores encorajantes, a prestação dos cuidados de saúde é de nível baixo e não satisfaz as necessidades da população.

Como consequência dos vários problemas não resolvidos nestes 45 anos, a população, na sua maioria, vive com sérias dificuldades, na informalidade, com rendimentos muito baixos, sem habitação condigna, sem água canalizada, sem saneamento básico e, ainda em número considerável, sem acesso à eletricidade.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

É perfeitamente possível as ilhas terem uma economia robusta, pleno emprego, assentes na agricultura e na prestação de serviços incluindo o turismo, tirando partido da beleza natural e da posição geoestratégica que ocupa no Golfo da Guiné, e com base nas suas tradições e bons costumes.

É possível as ilhas terem uma superestrutura adaptada à sua dimensão, com instituições pequenas e eficientes. Para tal, a formação e qualificação dos quadros é fundamental. Mas, acima de tudo, é vital a introdução de uma cultura de meritocracia na indigitação de quadros e responsáveis para os mais diversos níveis de responsabilidade na gestão do desenvolvimento do País.

A excessiva politização e partidarização de tudo vem desencorajando muitos quadros competentes que fazem a opção de emigrar, no caso dos residentes no País, ou de não regressar às Ilhas no caso dos quadros na diáspora. Ora, São Tomé e Príncipe tem imensos quadros no exterior que, caso fossem criadas motivações adequadas ao seu regresso, disso estou convencido, dariam um contributo fundamental para impulsionar o desenvolvimento da Nação. Encorajo, pois o Governo e demais autoridades a olhar nessa direção e, de forma mais estruturada, abordar a problemática do contributo dos quadros santomenses na diáspora para o desenvolvimento do País durante a próxima década.

A Reforma das Forças de Defesa, Segurança e Ordem Interna, dando origem a uma estrutura moderna, voltada principalmente para a segurança das pessoas e bens, assim como da nossa Zona Económica Exclusiva, é igualmente uma tarefa importante.

Tudo isso, embora pareça que não, é possível, se houver um contexto político totalmente diferente do atual, onde os partidos políticos são vistos como inimigos uns dos outros.

Qualquer avanço deve incorporar a reestruturação da economia, de modo a gerar dezenas de milhares de postos de trabalho, em particular para jovens, e isso apenas será possível com o envolvimento do sector privado nacional e forte mobilização do investimento privado estrangeiro.

Minhas Senhoras e meus senhores,

É com os olhos postos no futuro que entendemos fazer esta breve avaliação sumária do nosso desempenho nos últimos 45 anos. Isso porque não podemos falar do passado, que nos permitiu chegar onde estamos hoje, esquecendo o futuro.

Aliás, estou convicto de que, durante estes 45 anos, um dos nossos maiores erros, foi não termos dado suficiente atenção ao futuro, tornando-o politicamente frágil nas nossas reflexões e decisões, hipotecados que estávamos com o imenso fardo da gestão quotidiana das urgências.

Precisamos, hoje, na política, nas nossas instituições e nas reflexões que fazemos, de autênticos advogados do futuro, que não se importarão de defendê-lo, com todas as forças e energias, para que as crianças e jovens de hoje e as gerações vindouras tenham menos constrangimentos e dificuldades que as gerações atuais encontram.

As opções tomadas na Região Autónoma do Príncipe, por exemplo, nos domínios da atração seletiva de avultados investimentos estrangeiros, nos últimos anos, bem como na proteção e valorização dos ecossistemas, tendencialmente dirigidos para a sustentação de uma opção de desenvolvimento sustentável, em vários domínios, é um caminho responsável a explorar, porque liga o presente ao futuro.

Devemos privilegiar o sentido de interdependência, favorecedor de um maior equilíbrio inter-ilhas, dotando as ligações marítimas de maior eficácia, tanto de ponto de vista da qualidade de transporte como de infraestrutura portuária, que permita um efeito positivo significativo sobre a economia regional e, consequentemente, sobre a economia nacional.

Esta será, provavelmente, uma boa maneira, entre muitas outras, de pôr o futuro numa posição privilegiada da nossa agenda democrática, respeitadora dos valores da comunidade como um todo, por um lado, e do compromisso com o futuro, por outro.

Mas para isso precisamos de entendimento. O País precisa de um entendimento político nacional, para que o Poder possa empreender as grandes reformas necessárias, com a participação da oposição e envolvimento da sociedade civil, na busca de soluções para os grandes problemas nacionais. Assim, avançaremos mais seguros e melhor.

Vamos refletir sobre os problemas de fundo do nosso país. Vamos arregaçar as mangas e lançarmo-nos ao trabalho.

Viva a Independência Nacional

Viva S. Tomé e Príncipe!

    8 comentários

8 comentários

  1. José Bastos Fonseca

    13 de Julho de 2020 as 9:35

    Viva São Tomé e Príncipe!
    Viva 12 de julho.

    Excelente discurso, Sr. Presidente Evaristo Carvalho. Abordou, de uma forma geral, os êxitos e os problemas do país. Revejo-me totalmente nessa abordagem.

    O País precisa de políticos responsáveis e estadistas que saibam ver e defender o interesses nacional.

    Na minha opinião, uma das primeiras medidas deveria ser despartidarização estúpida da Função Pública e se adopte uma politica de meritocracia dos cargos directivos de uma forma global.
    A partir daí, o país começará a entrar nos eixos.

    Um bem haja ao povo santomense.

  2. Antonio Nilson

    13 de Julho de 2020 as 10:42

    Este parágrafo não faz muito sentido,
    “O maior ganho  reside na soberania e na democracia. Somos um povo livre, gerimos o nosso destino e escolhemos os nossos dirigentes. Somos uma democracia consolidada. A alternância do Poder processa-se de forma exemplar. Isso não tem preço.”

    Primeiro, porque não existe “entendimento político nacional.” Segundo, questionou-lhe o seguinte: Como é que um país soberano e democrático não consegue “empreender as grandes reformas necessárias…”?

    Parece-me que a ganho que se refere não foi assim tão significativo para ser atribuído como algo de ganho “maior.”

    Como é que o povo consegue escolher os dirigentes não obstante ao nível de corrupção e de anarquia e indisciplina que se refere?

    Como é que “somos um povo livre, gerimos os nossos destinos” quando dependemos muito de ajuda externa, e sobretudo, dependência proveniente de um país que nos colonizou, Portugal?

    Temos que mudar o sistema político da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Não tenho uma fórmula perfeita na mente, mas acho que deveríamos tentar adoptar um sistema exclusivamente presidencial e não ditatorial com um judiciário completamente independente do poder político e da burguesia, outras má influências. Os salários dos juízes devem aumentar de forma altamente extraordinária para evitar burla, corrupção, e tentações dos juízes em tomar medidas e fazer decisões contrárias às leis ou ferir a integridade da Constituição da República. Os juízes devem ser eleitos pelo povo, uma eleição sem influência política, sem necessidade de usar muito dinheiro para campanhas, totalmente proibida a interferência dos partidos políticos ou outras entidades quer seja individual ou coletiva nas eleições dos juízes, mas sim criar um fórum de vários (muitos) debates de acesso público para deixar transparecer a competência, a integridade, o talento, habilidade, experiência, e o objetivo fundamental do candidato a jurisprudência. Curriculum vitae bem avaliado e posto à disposição pública para os cidadãos terem acesso de ler e pesquisar. Este é um aspecto particularmente significativo neste processo porque temos que ter bons juízes e juízas honestos/as e altamente competentes conhecedores do Direito e das leis do país. E muito mais.

    Adicionalmente, promover diálogos, intercâmbio aberto e franco de ideias sobre a situação de cadeia e prisão em São Tomé e Príncipe porque a cadeia não deve ser um lugar apenas para os pobres, ou aqueles que roubam banana, porco, galinha, etc. A cadeia também deve ser um lugar onde outros violadores de lei devem ser lá fechados, seja quem quer que seja, políticos corruptos, membros do governo, Primeiro Ministro, deputados, funcionários públicos ou privados bem como cidadão comum ou estrangeiros que abusam ou violam as nossas normas legais, i.e., sexo com crianças, trazer ou importar doenças ao país, e outros crimes sérios e graves. A violência não deve ser tolerada.

    Só com cadeia é que se poderá retomar a ordem, disciplina, unidade, trabalho, etc. Temos de promover punição e cadeia apropriada para combater algumas malezas na nossa sociedade. Isso se consegue com um entendimento a nível nacional e também da diáspora sobre a importância de cadeia.

    É difícil fazer todo o povo seguir uma ideia ou convence-lo a seguir uma direção para o país. Existem duas facetas em termos de diversidade de ideias, pode dar certo ou pode sair muito mal. São Tomé e Príncipe tem um problema que vem da origem deste país, mentalidade tribalista e outros complexos de natureza arcaica atrasada de pensamento e atitudes”, ficar mais agravado quando muitos quadros Santomenses (sobretudo os estudantes de cursos superiores ou técnicos) que estudaram ou viveram nos países estrangeiros, uns com dos países Ocidentais, e outros com influências profundas endoutrinado nos países Socialistas ou Comunistas. Existem defeitos em todos os sistemas políticos. Democracia hoje em dia, parece comédia. O Capitalismo, comunismo, socialismo é tudo uma merda.

    Existe uma diferença muito grande entre um estudante que estudou Direito na ex-União Soviética, Cuba, ou China, e outro estudante que estou Direito nos Estados Unidos de América, Inglaterra, França, Portugal, Brasil, etc. Diferenças no estilo de vida, diferença de ideologias, entendimento sobre a democracia, liberdade, direito civil, privatização, desenvolvimento tecnológico, meios de produção, governação e administração da coisa pública e privada, interpretação dos direitos humanos, criação de empregos sobretudo para os jovens, formação e treino, desenvolvimento, etc. Como encontrar uma via de consolidação para adoptar um posição de entendimento abrangente?

    A única forma de começar a meter São Tomé e Príncipe na linha, temos de começar a punir as pessoas, digo e friso—fazer doer bem forte quando violam a nossa sociedade e abusam o nosso povo promovendo anarquia e indisciplina.

    Deve-se começar com a Lei e a Ordem Social!

    Depois continuar com o desenvolvimento noutras áreas e os outros setores: Saúde, Educação, Turismo, Infraestruturas, Construção, Agricultura, e outros. Não sei sobre o estado de defesa e segurança no país porque não foi bem considerado neste discurso na data da independência de STP. Quanto em termos de valor numérico entrou ao cofre do estado Santomense desde que este governo atual começou a gerir o país?

    Não se fala em detalhes sobre os “items, one by one” relativamente ao orçamento geral do estado?

    Como é possível um indivíduo roubar milhões de dólares num país tão pobre como São Tomé e Príncipe, e fazer-se de conta que nada aconteceu? Os que roubaram e os que continuam a roubar o país mantendo a pobreza e o sofrimento do povo, os ladroes devem ser apanhados, devolver o que roubaram (pelo menos o que poderem recuperar deve ser devolvido ao cofre do Estado Santomense). Eu acredito em dar borrachas, só com chicote é que algumas pessoas aprendem. Deixo claríssimo que sem cadeia para todos não vai dar, cadeia tem que ser a destinação dos bandidos, ricos ou pobres, governantes ou membros da elite ou menino da rua—-toda gente que falha deve comer, comer e bem, para lhes fazer chorar de dor porque o povo coitado Santomense está chorando de dor por mais de 45 anos, em parte por causa dos corruptos gatunos e má gestão, falta generalizada de ordem e disciplina.

    A Cadeia é um lugar onde devemos considerar como um recurso indesejável e também com o primeiro rumo à ordem e disciplina na nossa sociedade. Porque não promover um diálogo aberto e civilizado sobre o papel e o uso de cadeias em São Tomé e Príncipe? Sem um mecanismo de prevenção ao crime e falta de instituições sérias, aquilo não vai dar, ou levará muito tempo para conseguimos o “ganho” que o Sr. Pres. Evaristo do Espírito Santo Carvalho faz referência no seu discurso alusivo aos 45 anos de São Tomé e Príncipe.

  3. sem assunto

    13 de Julho de 2020 as 11:47

    Gostei de ver o nosso PR, está saudável, bonito.
    Sabemos o quanto deve custa-lo ser pau mandado, recebedor de ordens de um falso nacionalista, e ser um assina só, mas fazer oquê, são ocios do oficio.
    Esta cansado visivelmente, para ano fara 5 anos de um péssinmo serviço a nação, nesta altura certamente devera passar a pasta.
    Que Deus abençõe São Tomé e Príncipe e que encontremos alguém que possa fazer jus a funçáo do PR, estamos fartos de nulidades ao mais alto posto da nação.

  4. Zé de Neves

    14 de Julho de 2020 as 11:21

    Curioso não fazer referência a uma revisão constitucional que liberte a propriedade estatizada. Ninguém no seu perfeito juízo investirá um só € numa país que reprime a posse do bem de capital mais básico e, por consequência, afasta a iniciativa privada.
    Outra referência que faz falta ao discurso, é o mercado de trabalho e a antiquada Lei do trabalho. Pura e simplesmente não existe nem Lei nem cultura do trabalho. Dizem-se marxistas, mas zerinho redondo quanto a Leis do Trabalho, qualquer investidor foge a sete pés perante um cenário destes.

    Remeter para o estado paizinho tudo e mais alguma coisa, é voltar a cometer os mesmos erros de sempre esperando resultados diferentes…

    Em resumo, nem a política nem o estado percebeu que o a economia global espera ainda uma Perestroika São Tomense que emita sinais claros de querer ir a jogo na economia. Até isso acontecer, será apenas um conjunto de intenções vazias embrulhadas num discurso redondinho sem metas concretas e verdadeiramente mobilizadoras.

    O mais certo é que nos 50 anos de independência se esteja a fazer um balanço exactamente igual a este mas com bases ainda menos impressionantes.

  5. Como será

    14 de Julho de 2020 as 16:30

    Bonita intervenção, eu sinceramente na minha ignorância nas ciências politocas,mesmo assim ainda acho eu que o pais precisa rever as leis da nossa constituição. Isto é no sentido de mudar certas clasulas e acrescentar as novas, mas para issso deve ser ouvida toda sociedade santomense dentro e na diáspora, pois cada um dara a sua opinião , e sera levada a assembleia para sua analise.O trebunal deve funcional duma forma credível, como disse o irmao que me antecedeu, o pais carece de Juizes competentes e nao corruptos, para tal eles devem ser bem pagos.

  6. O POLÍSEMaditóPRE AMIGO

    15 de Julho de 2020 as 15:44

    SENHOR PRESIDENTE! Lí e relí o seu discurso. O SENHOR faz um balanço dos 45 anos da nossa independência,aponta algumas das nossas principais fraquezas, muitas das nossas oportunidades ainda mal aproveitadas,e,na sua opinião,os santomenses podem enfrentar e vencer os desafios do atrazo e do subdesenvolvimento.Para isso, segundo o SENHOR PRESIDENTE,eu cito,”precisamos de ENTEDIMENTO.O país precisa de um ENTENDIMENTO POLÍTICO NACIONAL para que o Poder possa empreender as grandes reformas necessárias,com a participação da oposição e envolvimento da sociedade civil,na busca de soluções para os grandes problemas nacionais.Assim(,ainda o SENHOR PRESIDENTE)avançaremos mais seguros e melhor”,fim de citação.O SENHOR PRESIDENTE termina a sua mensagem com um apelo, eu cito,”Vamos refletir sobre os problemas de fundo do nosso país.Vamos arregaçar as mangas e lançarmo-nos ao trabalho”Fim de citação……Tudo bem SENHOR PRESIDENTE! Agora,qual é o passo a seguir?Nas condições actuais só o SENHOR PRESIIDENTE,como Chefe de Estado, está em condições objectivas e subjectívas de desencadear um processo com vista a obter o desejado ENTENDIMENTO POLÍTICO NACIONAL Com apoio dos partidos políticos ,de personalidades da sociedade civil poderá ser criada uma PLATEIA DO ENTEDIMENTO(DIALOGO)NACIONAL,”um espaço de liberdade responsável, um ponto de encontro de cidadãos com ou sem filiação partidária,em busca de consensos indispensáveis para enfrentar com sucesso os complexos desafios do desenvolvimento de S.TOMÉ E PRINCIPE.Um espaço de cultura das diferenças,de consideração e respeito pelas ideias do outro de sublimação do contraditório.”É de todos sabido que não se pode fazer reformas sem consensos.Só nos resta ,SENHOR PRESIDENTE,seguir a risca o seu apelo”:VAMOS ARREGAÇAR AS MANGAS E LANÇARMO-NOS AO TRABALHO”.

  7. SEMPRE AMIGO

    15 de Julho de 2020 as 15:55

    Peço desculpa houve um erro:O PoliSEMaditó PRE AMIGO é o SEMPRE AMIGO

  8. SEMPRE AMIGO

    18 de Julho de 2020 as 15:49

    Esqueci ,nominal do comentário, acrescentar :esse processo só terá sucesso se for liderado por si SENHOR PRESIDENT!

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