Política

Filipe Nascimento – Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe

DISCURSO DE TOMADA DE POSSE DO NOVO PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL FILIPE NASCIMENTO

Excelências,

Senhor Primeiro-Ministro,

Senhor Ministro da Defesa e da Administração Interna,

Senhor Presidente da Assembleia Legislativa Regional,

Senhor Presidente do Governo Regional do Príncipe cessante,

Senhores Deputados Regionais,

Senhores Secretários Regionais,

Senhor Comandante do Destacamento Militar,

Senhor Comandante da Polícia Nacional no Príncipe,

Senhores Representantes das Confissões Religiosas Regionais,

Senhoras e Senhores Convidados,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Começo esta minha intervenção de tomada de posse como presidente do Governo Regional do Príncipe realizando o mais justo dos elogios.
O consulado do Eng.º José Cassandra à frente do governo da Região Autónoma do Príncipe foi um tempo extraordinário de transformação.
Foi criada uma estratégia, foi traçado um rumo e a nossa vida mudou.

O Príncipe, região ultraperiférica de um Estado periférico, passou a ter um lugar no mundo. De ilha esquecida e desestrategizada, passámos a ser objeto de reconhecimento geral pela qualidade da governação, sustentabilidade do modelo de desenvolvimento e sustentabilidade ambiental e, não de somenos, pela progressiva melhoria da qualidade de vida da população.

A sua capacidade de estabelecimento de pontes foi fundamental para garantir os apoios internacionais que nos ajudaram a transformar a realidade do nosso quotidiano.

Quer com acordos com entidades públicas, quer garantindo os investimentos privados que nos deram outro fôlego em matéria de desenvolvimento económico.

A passagem do Eng. José Cassandra no governo do Príncipe marcou um tempo sem recuo.

Não obstante a sua saída do Governo do Príncipe, a visão, capacidade de trabalho e capacidade de realização do Eng.º José Cassandra, para além de um prestígio internacional único, tornam-no um ativo demasiado importante para ser prescindido da vida nacional.
Eng.º José Cassandra,

A dívida da Ilha do Príncipe para consigo é única e de valor incomensurável. A Sua obra é marcante.

Nenhum outro governante são-tomense, desde a nossa independência, em 1975, tem igual registo ou igual património de transformação positiva da realidade. De transformação positiva da qualidade de vida da população.
São Tomé e Príncipe precisa que os seus melhores estejam disponíveis para os desafios da vida pública! Como tal, meu querido amigo, o nosso muito obrigado, e o nosso até já!

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Dando seguimento ao registo que há pouco citei, cumpre-nos a nós a mais difícil das tarefas governativas no nosso País: continuar o legado de transformação e modernização da Ilha do Príncipe, e de melhoria progressiva da qualidade de vida da Sua população.
Iremos imprimir a nossa impressão digital, mas iremos também, orgulhosos e humildes perante os resultados anteriormente atingidos, seguir o caminho que vem sendo trilhado.

A Política faz-se de sonho, visão e capacidade de realização. Em todas estas dimensões colocaremos as Pessoas no centro das nossas preocupações.

Seguiremos no sonho e no caminho de tirar o Príncipe da ultraperiferia que nos tolhe o desenvolvimento. Continuaremos a apostar que temos um lugar no mundo, haja as infraestruturas físicas essenciais e as ligadas às novas tecnologias, fundamentais na economia internacional de hoje e do futuro.

Continuaremos a aposta na gestão equilibrada do nosso território.

Valorizaremos os nossos recursos mais importantes: os nossos cidadãos. Apostaremos na educação e na formação profissional, dando os instrumentos que permitam a cada um dos filhos da nossa ilha explorar ao limite as suas potencialidades.

Seguiremos concretizando os nossos sonhos e a nossa ambição.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
A nossa ultraperiferia começou a ser superada quando foi implementado um modelo de desenvolvimento assente na sustentabilidade ambiental, baseado na classificação da nossa Ilha como reserva da Biosfera, e pela capacidade de integrar redes internacionais de regiões e cidades.

Este modelo de desenvolvimento deu-nos um caminho de futuro. Mas é tempo de fazer mais!
Será criado um plano de desenvolvimento regional que ordene e organize todo o nosso território, que só assim pode ser desenvolvido harmoniosamente.

O ordenamento e o planeamento territorial deverão ser um pilar central dos próximos anos na Ilha do Príncipe. Apenas organizando o nosso território podemos resolver crónicos problemas como o saneamento, habitação, educação e distribuição equilibrada de terras.
Apenas com o ordenamento podemos partir para a melhoria da capacidade produtiva regional e da capacidade de gerarmos riqueza e emprego.

Paralelamente, precisamos de melhorar substancialmente as nossas infraestruturas. O nosso aeroporto conheceu melhorias significativas, mas também precisamos de mobilizar parceiros e engajar o financiamento suficiente para finalmente vermos construído o prometido porto sustentável, melhorando as ligações com a ilha maior do nosso arquipélago, e potenciando a produção interna.
Paralelamente, precisamos de ver reforçada e melhorada a rede de estradas internas. As estradas estão para um território, como as artérias ou as veias para o corpo humano.

Ainda neste capítulo, queremos melhorar significativamente as ligações virtuais da nossa ilha. Precisamos de melhores e mais fiáveis comunicações com o exterior. Se o aeroporto ou o porto reportam a comunicações físicas, precisamos de ver reforçada a capacidade de integrar as redes internacionais digitais. Neste campo, o acesso aos cabos submarinos de fibra ótica constitui um imperativo para a Ilha do Príncipe. Pois até hoje, a população do Príncipe não compreendeu este défice em relação à outra parte do País. Estamos a tempo de corrigir tamanha injustiça.

Com um território mais ordenado, mais conectado, mais seguro, com a transição energética para as energias renováveis, estaremos em condições de captar mais e melhores investidores.

Senhor Primeiro-ministro, sobre a relação com o poder central, propomos uma abordagem de cooperação e lealdade institucionais, pois precisamos de avançar em matérias determinantes para o bem-estar do Povo: na Justiça, a população do Príncipe clama por uma maior efetividade deste setor, com juízes e magistrados permanentes e um estabelecimento prisional fixo no Príncipe; na Mobilidade Inter-ilhas, necessitamos de garantir maior segurança e preços mais acessíveis nos transportes de pessoas e mercadorias; no Comércio, necessitamos de garantir preços de produtos tendencialmente equiparados com os da Ilha de São Tomé.

O Príncipe, com uma região que padece de dupla insularidade, e a sua população, como parte do país, merece esse avanço. E se houver essa sensibilidade dos diversos atores nacionais, teremos “Mais Príncipe para um melhor São Tomé e Príncipe”.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Apresentamos hoje os melhores indicadores nacionais em matéria de Educação. Estamos orgulhosos, mas não estamos satisfeitos!
No próximo ano deverá ser assinado o protocolo para a construção do novo Liceu, atrasado devido ao surgimento desta pandemia, mas que apurei, junto dos nossos parceiros, já ter o projeto em desenvolvimento.

Mas, tão importante quanto o novo Liceu, iremos dar novo ênfase ao ensino profissional, dando a cada cidadão a possibilidade de ter uma profissão.

Na Saúde, muito foi feito nesta última década e meia. Procuraremos reforçar os laços nas redes a que pertencemos e com os parceiros internacionais com que sabemos poder sempre contar, para garantir a universalização dos cuidados de saúde primários na nossa ilha e avançar no processo de modernização do sistema regional de saúde.

Na Economia, continuaremos a aposta num modelo económico diferenciado e diversificado. Manteremos os pilares da sustentabilidade ambiental que potenciou o turismo de qualidade que queremos ver continuar a crescer no Príncipe.
O Turismo gerou empregos diretamente nas unidades hoteleiras, e indiretamente pelo efeito multiplicador.

Não são apenas empregos que o turismo gera. O Turismo constitui o mais importante setor transacionável da nossa economia, aquele que faz entrar divisas no País – robustecendo a nossa economia e equilibrando a nossa balança comercial.
Devemos, porém, ser capazes de encontrar novos setores da economia, quer com vista à substituição das importações, quer para aumentar as nossas exportações.

Neste campo, e novamente decorrente da organização do nosso território, temos de melhorar a capacidade de abastecimento alimentar da nossa ilha. Precisamos de garantir melhor produção interna, que garanta segurança alimentar a todos os cidadãos do Príncipe.

Ainda na agricultura, a quase mítica qualidade dos nossos produtos – vejase os casos da pimenta, baunilha, ananás, mel de abelha, entre outros – confere-lhes um papel a desempenhar enquanto potenciais setores transacionáveis no nosso País. Urge organizarmo-nos de modo a voltarmos a explorar comercialmente produtos como o nosso cacau, café e frutos tropicais. Não é um imperativo do Príncipe, é um imperativo nacional.

Com estas alterações, conseguiremos pôr em prática políticas de substituição de importações e, também, de exportações, que constituem os pilares centrais para a obtenção dos recursos económicos que serão o garante do futuro do nosso Povo.
Para termos sucesso nesta empreitada, além da nossa capacidade de engajamento de recursos com os nossos parceiros, especialmente com o Governo Central, temos de fazer uma intrínseca articulação entre o nosso programa governativo, o Plano de Desenvolvimento Sustentável “Príncipe 2030”, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, entre outros.

A nossa Cultura e o nosso Desporto devem contar com uma aposta progressiva para uma maior diversificação e promoção.
A Juventude representa um imprescindível ativo para o nosso País. Temos de encontrar cada vez mais uma resposta para a sua realização pessoal e profissional.

Não podemos esquecer da nossa Diáspora, reconhecendo a necessidade de serem criadas condições para melhor aproveitamento do seu potencial.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Os trabalhos que teremos pela frente são de grande monta. O País atravessa uma das mais graves crises desde a independência. Apenas podemos sair desta crise com visão, capacidade de trabalho e elevação institucional, com respeito pelas diferenças e pelos poderes e responsabilidades de cada um.

À nossa Assembleia Legislativa Regional, e os Senhores Deputados, na pessoa do Senhor Presidente, propomos uma relação de máxima cooperação institucional.

Aos Senhores Secretários, membros do Governo que hoje toma posse, a população espera de nós toda a nossa entrega. Este Governo tem de ser combativo, sobretudo na gestão das consequências do pós-Covid-19. A colaboração e a lealdade entre todos nós são fundamentais para o sucesso do Príncipe. Não temos margem para falhar. Este Governo pretende garantir a estabilidade política e governativa.

Necessitamos de uma governação dialogante, transparente, aberta, de terreno e proximidade, inclusiva, capaz de absorver todos os contributos da massa crítica da sociedade civil, e voltada para o resultado.

À nossa oposição política, exortamos os intervenientes a assumirem a sua responsabilidade e apelamos uma atuação mais construtiva. Pois, só assim poderemos reforçar o nosso processo de desenvolvimento que se pretende inclusivo.

À população do Príncipe, nos últimos anos vivemos momentos terríveis, com destaque para o fatídico naufrágio do navio Amfitriti, o inédito sismo, entre outras catástrofes, e agora com a pandemia da Covid-19, é tempo de estarmos focados na superação das adversidades e isso só é possível com UNIDADE, DISCIPLINA E TRABALHO.

O meu mais penhorado, singelo e profundo obrigado a todos aqueles que que nos têm apoiado neste processo de transição pacífica.
Aos meus Familiares, Companheira e Filhos, Mãe e, especialmente, ao meu Pai, que Deus o tenha, obrigado pelo vosso imprescindível apoio.

Colocaremos todo o nosso saber e todas as nossas energias ao serviço do Príncipe e ao serviço do País. Temos sonhos que acreditamos serem do tamanho da nossa capacidade de realização.

Temos, pelo nosso País e pelo nosso Povo, o amor e o patriotismo devidos. Todos somos poucos para os desafios que temos pela frente.

Vamos unir-nos e trabalhar muito pelo Príncipe!
O melhor está para chegar!

Viva a Região Autónoma do Príncipe.
Viva a República Democrática de São Tomé e Príncipe.
Muito obrigado.

    6 comentários

6 comentários

  1. Muito bem

    18 de Agosto de 2020 as 22:52

    São estes discursos que o País precisa. Mais União entre todos os santomenses. Parabéns jovem. Espero que todos colaborem com ele para o bem do Príncipe e do País!

  2. Original

    19 de Agosto de 2020 as 9:00

    Apesar de todo este currículo, acabas de ser admitido numa escola de vida onde muitas vezes maior parte dos documentos ficam à porta de entrada.Ser humano e política são 2 coisas muito ingratas de resto,o tempo dirá.

  3. Francisco Paulino

    19 de Agosto de 2020 as 11:58

    Força jovem Filipe. Esta região precisa de gente como tu.

    • Como será

      20 de Agosto de 2020 as 14:07

      Depois de ler todos comentarios a volta da investidura do novo jovem governador do principe, so tenho a dar o jovem força e empenho durante a sua governação, mas tambem fiquei pasma em saber que em stome, existe tribalismo, coisa grave, coisa feia e ao mesmo tempo é triste, alguem que nasce em s.toem cresce em stome nao pode assumir cargos na político por ser descendente de caboverdiano? MEU DEUS que nacao vem a ser esta, sera que as pessoas que defendem esta ideia sabem a historia de s.tome.? E os santomense na diaspora que assumem cargos de chefia sem que minguem lhe sensura, meus vamos para com este tipo de pensamento.Stome é de todos quanto aqui nasceu.Devemos todos unir para salvar este pais, e nao ficarmos na pratica de tribalismo. Estes sao factores que impedem africa a desenvolver”Tribalismo” e num pais como o caso de stome nao deveria existir pessoas com estes pensamentos tribais, isso ate é muito vergonhoso

  4. sem assunto

    19 de Agosto de 2020 as 17:46

    Este é o paradigma do terceiro mundo. O potêncial dos individuos são virados para a politica ao invês da tecnica e ciência, que paradoxo. Afinal o que desenvolve uma nação ?
    É o punhado de politicos sem escrupulos, como temos aqui de sobra, ou individualidades trabalhando abnegadamente para o desenvolver da ciência e tecnica ?
    Se este individuo é produtivo, e dotado de valores, sera na politica o melhor espaço de aplicação destas valências ?
    Acorda São Tomé, defina-te nação!

  5. Bandidos

    20 de Agosto de 2020 as 1:50

    Um Presidente ilegítimo, fonte da corrupção. Vais sair do Príncipe como entraste aguardemos. Bandidos

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