Política

Descoberta da ilha do Príncipe – Mensagem do Governo da Região Autónoma

Declaração do Presidente do Governo Regional do Príncipe, Filipe Nascimento, alusiva aos 550 Anos da 1.ª Chegada dos Navegadores Portugueses à Ilha do Príncipe
Caras Concidadãs e Caros Concidadãos,
Comemoramos hoje, simbolicamente, no dia 17 de janeiro de 2021, os 550 anos da primeira chegada dos navegadores portugueses à Ilha do Príncipe, data especial para todos nós, Principenses.
Após o cancelamento dos festejos da efeméride da Autonomia do Príncipe em 2019 devido ao naufrágio do Amfitriti com muitas vidas ceifadas e em 2020 devido a Covid-19, eis que nos vemos, uma vez mais, na triste circunstância de comemorar a efeméride do Achamento do Príncipe sob uma profunda crise sanitária, social e económica.
Apesar desta conjuntura, temos de assinalar e preservar esta data, junto de outros valores histórico-culturais, da nossa autonomia aos nossos crioulos Lunguié, Forro, Angolar e Cabo-verdiano, às nossas danças tradicionais, ao nosso Auto Floripes, à nossa Dêxa, entre outras manifestações que enobrecem a nossa vasta riqueza multicultural. Temos a obrigação de a preservar para as futuras gerações e a promover para o mundo.
A povoação do Príncipe iniciou-se através de um processo conturbado e violento de escravatura, prolongando-se por vários séculos. Muitos sofreram até chegarmos aqui. A todos eles, a nossa eterna homenagem e gratidão.
Em 1975 o nosso País finalmente ganhou a sua independência, embora o Príncipe só tenha ascendido a Região Autónoma em 1995, vinte anos depois.
Desde aí, e nos anos que passaram, os ganhos para a população desta ilha concretizaram-se a vários níveis, desde logo com o alcançar da Autonomia, que teve sobeja importância na redução das desigualdades criadas pela dupla insularidade.
Entretanto, e após muitos ganhos a nível socioeconómico, educativo, sanitário, energético, laboral, entre outros, eis que continua a ser premente e necessário o reforço dessa mesma autonomia, particularmente no domínio financeiro.
Tendo bem presente os ganhos que a autonomia trouxe ao nosso País no aumento dos indicadores sociais, no setor do turismo, do ambiente, entre outros, registamos com apreensão e grande preocupação a resistência e falta de sensibilidade para com o aprofundamento deste importante instrumento de desenvolvimento.
Assistimos, com tristeza, no ano transato, à rejeição da proposta de melhoria do Estatuto Político-Administrativo, uma Causa que pelo seu valor não nos permitimos desistir de prosseguir!
Perdemos, igualmente, nos últimos anos, a subvenção das mercadorias importadas para o Príncipe, e após o fatídico naufrágio do navio Amfitriti, vivemos atualmente uma crise muito acentuada no transporte de ligação de pessoas e mercadorias entre as ilhas, com uma vincada ausência de regularidade, preços exorbitantes e falta de segurança, entre outros, com graves consequências na falta de abastecimento do mercado regional, o que promove preços de mercadorias especulativos e inflacionados.
Neste momento, temos cidadãos do Príncipe em São Tomé impedidos de regressar a casa por falta de navio de passageiros.
Registamos nos últimos anos uma ausência de investimento público na Região Autónoma do Príncipe, nomeadamente ao nível do porto, hospital, estradas, energias renováveis, fibra ótica, entre outras infraestruturas fundamentais na criação de mais e melhor emprego na Região, com especial enfase para a nossa vasta Juventude, que constitui, de longe, o nosso maior ativo.
Entretanto, após várias conversações com o Governo Central, espera-se as respetivas concretizações. A população do Príncipe não pode esperar mais!
O Governo Regional continuará firme em conversações com o Governo Central no sentido de se promover uma distribuição mais justa e equitativa dos recursos por todo o País, com o intuito de diminuir as desigualdades e aumentar a coesão territorial, com o consequente aumento da felicidade das Pessoas.
Tendo em conta a situação da crise pandémica ora vivenciada, venho, pois, apelar a uma maior solidariedade do Estado Santomense para com a Região Autónoma do Príncipe e uma maior união dos santomenses dentro e fora do país em torno da causa do Príncipe.
Uma palavra de alento e encorajamento à população do Príncipe e aos conterrâneos residentes na Diáspora para juntos vencermos esta crise. Uma nota de reconhecimento ao pessoal da saúde e todos os que têm labutado connosco neste combate.
Haverá sempre um antes e um depois da Covid-19, mas ainda estamos no durante Covid-19. Só sairemos desta fase se todos seguirmos com rigor as recomendações sanitárias: usar corretamente a máscara; lavar frequentemente as mãos; e evitar ajuntamentos!
Não paramos de lutar para mudar o atual e difícil momento para todos, na certeza de que melhores dias virão. Para isso podem contar com este Governo que tenho a honra e o privilégio de liderar! Estamos a preparar um plano de retoma económica, com recuperação de emprego e rendimento das famílias!
Para nós, o mais importante são as Pessoas!
Com o povo do Príncipe unido, nada nos vencerá. Juntos, iremos vencer mais esta crise, como já vencemos outras no passado e, decerto, continuaremos a vencê-las no futuro, porque aqui, onde o equador começa, os Principenses nunca acabam!
Deçu ka bençoa nón, dá nón sauide, ki pagi, ki aleguia. Passôôô!
    5 comentários

5 comentários

  1. STP unido

    18 de Janeiro de 2021 as 23:11

    Muito bem Felipe. Com pandemia, com crise, com falta de investimento do governo centra, você é jovem com coragem e esta a lutar pela ilha irmã. Todos temos dever de ajudar pra bem daquele povo sofredor. Nada de politiquice. Força

  2. CODO

    18 de Janeiro de 2021 as 23:14

    Viva príncipe. Bom discurso. Chega de conversa de governo central. Se não fazer obras k PM falou no parlamento agora povo nossos irmãos do príncipe tem k ir pra rua fazer manifestação. Força Filipe

  3. Mezochi

    20 de Janeiro de 2021 as 7:10

    Este jovem político é uma voz moderada e que faz falta no nosso país. É isso que gente quer. Força

  4. MÁRIO MARTINS

    28 de Janeiro de 2021 as 23:49

    Bem haja, parabéns São Tomé e Príncipe por mais um ano de vida/ a partir da descoberta infelizmente/.
    É bom dar oportunidade à jovens,porque deve ser assim e ninguém deve discordar com fenómenos da natureza. Outra questão que devemos ter em conta e com muita atenção é espírito de culpar ou indicar o dedo ao irmão mais velho se podemos considerar a Ilha de São Tomé como tal/ Governo Central/. Prestemos atenção no discurso muito bem elaborado com lamento de alargamento de Poderes à região. Cuidado com fenómeno de separação baseado na insatisfação. Deve haver uma lei na constituição São-Tomense de não separação dessas duas ilhas seja em que circunstancia for. Devemos acabar com esse espírito, pelo contrário, devemos lutar para recuperação de da ilha de Ano Bom que se encontra ao Sul de são Tomé, porque o Arquipélago de São Tomé nunca deixou de ser constituído por três ilhas; Príncipe, São-Tomé e Ano Bom.Somos um e único povo sem dúvidas.Em vez de fragmentarmos vamos ser mais forte e Unidos. Aportar sempre no trabalho incansável, duro, dia e noite, só assim podemos firmar e trazer bem estar para geração vindoura. Parabéns Meu povo, saudade Grande!

  5. SEMPRE AMIGO

    8 de Fevereiro de 2021 as 18:39

    O que reter afinal deste arrazoado discurso? Tudo bem!…Até hoje não sei porque é que nós santomenses celebramos as datas do “descobrimento” das ilhas PRINCIPE e SANTO TOMÉ Afinal de contas quem foram os “descobridores”, os portugueses ou os santomenses?O que sabemos é que as duas ilhas foram depois utilizadas como entreposto de escravos enviados para as AMÉRICAS e em parte para Portugal.Foram também utilizados emSTP como mão de obra escrava nas plantações de cana de açúcar ede cacau.Então celebramos o quê?

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