Política

Emigração massiva intensifica a crispação entre o Chefe do Governo e o Chefe de Estado

Crispado, assim está o relacionamento político entre o primeiro-ministro Patrice Trovoada e o Presidente da República Carlos Vila Nova.

O primeiro sinal de crispação entre os dois dirigentes oriundos da mesma filiação partidária, ou seja, o partido ADI no poder veio a luz do dia, após a presidência aberta de Carlos Vila Nova à região sul da ilha de São Tomé.

Durante a visita o chefe de Estado manifestou-se incomodado com o agravamento da pobreza no distrito de Caué. Carlos Vila Nova criticou algumas políticas do governo nomeadamente as irregularidades na aplicação do IVA que agudizam o custo de vida e a pobreza, e também a falta de professores nas escolas de algumas localidades de Caué. O Chefe de Estado exigiu soluções imediatas para os problemas sociais em Caué.

O primeiro-ministro Patrice Trovoada respondeu que as irregularidades na introdução do IVA tinham sido resolvidas, e para a educação indicou que o problema da falta de professores é antigo e reconheceu que nem tudo estava bem no sector da educação.

Na última semana antes de viajar para a conferência da paz em Angola, o Presidente da República manifestou-se preocupado com a emigração massiva que o país tem registado.

«Podemos hoje dizer que 1/4 da nossa população emigrou ao longo deste último ano», afirmou Carlos Vila Nova.

As estimativas do Presidente da República apontam para 25% da população emigrada em apenas 1 ano. Mas o primeiro-ministro discordou e contestou.

«O nosso país não está tão mal assim porque se uma pessoa ouve dizer que há 25 por cento da população que está a sair do país, quer dizer, nós estamos quase num país em guerra. Eu acho que isso foi uma questão de má informação…», declarou Patrice Trovoada.

O Presidente da República manifestou-se satisfeito por ter trazido à baila o fenómeno migratório que tem retirado a São Tomé e Príncipe os quadros qualificados. Praticamente já não existem canalizadores, electricistas, ou marcineiros qualificados no país.

«Para dizer que fico bastante satisfeito de ter trazido o assunto ao quotidiano. Porque com as discussões que decorrem, é altura de fazermos uma análise e traçarmos uma estratégia para de forma positiva lidarmos com este assunto», defendeu o Presidente da República.

No desmentido ao Presidente da República, o primeiro-ministro desafiou Carlos Vila Nova a consultar os dados disponíveis nos serviços de migração e fronteiras.

«Quem quiser realmente aprofundar a questão, os dados estão disponíveis nos serviços de migração e fronteira, nos serviços de fronteira de Portugal e de outros países, de Angola, etc, e terá a realidade dos números», replicou Patrice Trovoada.

O Presidente da República desvalorizou o desafio do primeiro-ministro. Exigiu que o governo acompanhe o assunto que está no quotidiano são-tomense e encontre a SOLUÇÃO.  

«Não faço mais comentários sobre o assunto da emigração. Espero que se aproveite a ocasião de estar no quotidiano e nós fazermos uma leitura e traçarmos uma estratégia para lidarmos positivamente com esta questão», pontuou Carlos Vila Nova.

O Chefe de Estado acrescentou que a emigração massiva de são-tomenses «é uma constatação, existe».  Disse que o fenómeno migratório acelerou. «Ele está a ser feito de forma acelerada e de alguma maneira as autoridades têm que ter um plano, uma estratégia apenas isso», concluiu.

A debandada de são-tomenses para o estrangeiro, é justificada com a falta de soluções para os problemas sociais, económicos e financeiros pelo governo. A crise financeira agudizou-se, o desemprego aumentou, e a carestia de vida é cada vez mais sufocante.

O momento de crispação entre os dois titulares de órgãos de soberania do Estado ficou mais evidente quando os jornalistas confrontaram o Presidente da República com as sucessivas  ausências da Presidente da Assembleia Nacional Celmira Sacramento e do primeiro-ministro Patrice Trovoada nas cerimónias de despedida e de recepção do Presidente da República quando viaja em missão oficial.

Foi sempre uma prática protocolar e de Estado, que todos os antigos Presidentes da República tiveram, mas que só o Presidente Vila Nova deixou de ter.

«Vocês estão sempre aqui, é uma observação. Mas na ocasião quando a pessoa em questão estiver aqui perguntem-no(risos)…. Vejo isso com normalidade. A mim preocupa-me mais as questões de fundo que são do país e que devem ser resolvidas», frisou o Presidente da República.  

Crispação marca o ambiente político entre o Chefe de Estado e o Chefe do Governo.

Abel Veiga

5 Comments

5 Comments

  1. Sem assunto

    27 de Novembro de 2023 at 5:11

    Convém saber como sair da casca, ó, Vila Nova. Afinal a nenhum chefe agrada-lhe ser desafiado.
    Que estória é está de estar sempre a ver tudo com normalidade? É falta de coragem para falar o que realmente pensa, ou o desconhecimento da magnitude do cargo que exerce?
    Não é a primeira vez nem tampouco a segunda, que o senhor relativiza diversos assuntos com a sua frase de marca “….encaro/vejo tudo isto com normalidade” demostrando falta de seriedade e amadorismo em lidar com questões que tocam o coletivo.
    Político amador!

  2. Célio Afonso

    27 de Novembro de 2023 at 8:56

    Efetivamente o CVN tem que demonstrar que foi eleito pelo povo e não nomeado pelo sr. PT.
    Tudo que é demais faz mal.

  3. alberto costa

    27 de Novembro de 2023 at 10:14

    Muito bem Vila Nova. Só peca por vir tarde.
    Mais ainda vai a tempo de meter ordem nesta mer**.
    Este Patrice está te pisando e jogando no tambor de lixo. Até cego está vendo como o sr está sendo maltratado.
    Deixa de panhonhice e toma posição de um Presidente da República de todos os santomenses e não um serviçal de Patrice Trovoada e ADI.

  4. Renato Cardoso

    27 de Novembro de 2023 at 13:06

    É lamentável e abusivo o primata na vestes do primeiro-ministro humilhar recorrentemente outro que de presidente deixa muito a desejar.

  5. enfim

    28 de Novembro de 2023 at 9:30

    Blá-blá-blá!!
    Afinal quem manda aqui?
    É o Patrão quem deve vénias ao escravo ou é o escravo quem deve vénias ao Patrão?
    Se liguem!
    Quando o Patrão viaja afinal estão todos aí. É isto que conta!
    Não se apercebem que aquí o escravo conhece bem o seu lugar e vê tudo com normalidade?

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