«Não existe liberdade de imprensa em São Tomé e Príncipe porque quem não pensa como aquele que governa é sempre visto como inimigo». Foi a posição defendida pelo Padre Vicente Coelho, director da Rádio Jubilar, no acto de celebração do dia internacional da liberdade de imprensa, 3 de Maio.
Na conferência organizada pelo Conselho Superior de Imprensa, o Padre Vicente Coelho, questionou sobre a existência da liberdade de imprensa no país.
«Eu gostaria de questionar se existe mesmo a liberdade de imprensa em São Tomé e Príncioe. Porque onde há liberdade de imprensa aceita-se as críticas porque são construtuivas. Mas, em São Tomé e Príncipe acreditamos que a comunicação social está partidarizada e quem não pensa como aquele que governa é sempre visto como inimigo», afirmou o Director da Rádio Jubilar.
A Rádio católica de São Tomé e Príncipe é independente. Não está sob o domínio do poder político. Produz informação e principalmente um espaço de debate aberto sobre os problemas sociais, políticos e económicos do país. Um programa que tem gerado muito mal estar ao poder político.
«Quantas vezes já fui ameaçado? Há dias encontrei na igrela onde celebro a missa uma carta com muitas ameaças, uma carta bem escrita, bem estruturada. Quem a escreveu? Por causa das coisas que eu digo na missa e na rádio jubilar?», interrogou o Padre Vicente Coelho.
Nos dois órgãos de comunicação social de maior abrangência a nível do território nacional, nomeadamente a Rádio Nacional e a a TVS não existem programas de debates. As questões políticas e outras não são debatidas nos dois órgãos que nem sequer são empresas públicas, mas sim departamentos do gabinete do Primeiro Ministro. Isso acontece em todos os governos de São Tomé e Príncipe. Nunca a rádio nacional e a TVS, deixaram de ser departamentos do Palácio do Governo.
«Não existe em São Tomé e Príncipe uma liberdade de imprensa, porque os que expressam livremente são sancionados, marginalizados, espezinhados», concluiu o Padre Vicente Coelho.
O Mundo celebrou 31 anos do Dia da Liberdade de Imprensa sob o lema “Uma imprensa para o planeta – O jornalismo diante da crise ambiental. Mas em São Tomé e Príncipe o Conselho Superior de Imprensa escolheu o lema “Liberdade de imprensa e cidadania – Desafios e Responsabilidades”.
Abel Veiga
Maiquel dos Santos
6 de Maio de 2024 at 8:22
Força ai senhor padre, ” no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo”…
implacável
6 de Maio de 2024 at 8:45
Deviam publicar a carta para saber se foi Elísio Teixeira quem escreveu.
Patrice E. T. Corrupto
6 de Maio de 2024 at 11:30
Constituição da República Democrática de S.Tomé e Príncipe
PARTE II
Direitos Fundamentais e Ordem Social
Título II
Direitos Pessoais
Artigo 29.º Liberdade de expressão e informação
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio.
2. As infracções cometidas no exercício deste direito ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal, sendo a sua apreciação da competência dos tribunais.
Artigo 30.º Liberdade de imprensa
1. Na República Democrática de São Tomé e Príncipe é garantida a liberdade de imprensa, nos termos da lei.
2. O Estado garante um serviço público de imprensa independente dos interesses de grupos económicos e políticos.
Artigo 31.º Direito de aprender e liberdade de ensinar
1. É garantido o direito de aprender e a liberdade de ensinar.
2. O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, políticas, ideológicas ou religiosas.
Paulo Francisco
6 de Maio de 2024 at 14:56
Subscrevo na integra….. e depois vem o primeiro ministro tentar lançar-nos poeiras nos olhos que o poder não interfere na comunicação social…
Eu Sou Daqui
6 de Maio de 2024 at 15:25
Ainda se lembram do artigoa qual este pequenoexcertopertence??? Foi publicado aqui no dia 26, depois do massacre de 25 de Novembro….
“Desmistificar a ilusão democrática da política e do Estado como agentes do bem comum, parece-me um bom começo. Polémico, é verdade. Mas o que seria da política se não pudéssemos polemizá-la!? Suprimir o pensamento divergente foi – e ainda é – o sonho dos ditadores de ontem e dos que estão por aí, de plantão, disfarçados sob as máscaras de democratas de última hora.Desmistificar a ilusão democrática da política e do Estado como agentes do bem comum, parece-me um bom começo. Polémico, é verdade. Mas o que seria da política se não pudéssemos polemizá-la!? Suprimir o pensamento divergente foi – e ainda é – o sonho dos ditadores de ontem e dos que estão por aí, de plantão, disfarçados sob as máscaras de democratas de última hora.”