Política

Manifestação espontânea exigiu o pagamento de mais de 3 anos de salário em atraso

Os auxiliares de enfermagem, maqueiros, motoristas, arquivistas e demais profissionais da saúde que trabalham no hospital central Ayres de Menezes continuam a lutar pelo salário que o Ministério da Saúde não paga há mais de 3 anos.

São cerca de 300 homens e mulheres, que se manifestam desesperados. «3 anos…é demais», foi um dos slogans da manifestação ruidosa diante do Ministério da Saúde.

«Queremos solução ….queremos solução», foi outra frase do protesto público. «Patrice veio e nos prometeu soluçãoAgora queremos solução para os nossos problemas», gritaram duas mulheres funcionárias do hospital central Ayres de Menezes.

Ordânia Sebastião auxiliar de enfermagem na unidade dos cuidados intensivos do hospital central, disse que a manifestação espontânea aconteceu por causa de uma alegada injustiça.

«Somos um total de 300 trabalhadores, mas ficamos a saber que pagaram os salários de apenas 25 pessoas. Porquê que isto está a acontecer? Por isso viemos aqui ao ministério para pedir esclarecimento», afirmou a auxiliar de enfermagem.

A conversa no exterior do ministério da saúde com o director dos serviços administrativos e financeiros do ministério da saúde foi não correu bem. «Ele não nos deu nenhuma resposta concreta. Estamos a ir para 4 anos sem salário», referiu Ordânia Sebastião.

A funcionária do sector da saúde explicou que foram integrados no sistema depois do ministério da saúde ter emitido uma guia de estágio. Terminado o período de estágio foi passada a guia de marcha como funcionários do hospital central.

«Assinamos o livro de ponto todos os dias, mas o nosso nome não sai na folha de salário. Tenho duas filhas, tenho que comer e vestir, mas tudo tem sido na custa do meu marido. Onde é que se viu isto?», interrogou.

FOTO : Comandante da Polícia do Distrito de Água Grande dialoga com os manifestantes

Com manifestação espontânea na porta, o ministério da saúde chamou a polícia para acalmar os ânimos.

Chefiados pelo subintendente Perlice Santos, que é o Comandante da Polícia do distrito de Água Grande, os agentes da polícia dialogaram com os populares. O comandante aconselhou os manifestantes a agirem no respeito as leis. Explicou que há o direito a manifestação, mas que deve o protesto cumprir as formalidades legais.

Os manifestantes concordaram com a posição da polícia, mas revelaram que a situação é alarmante e que tinha chegado ao estado de saturação. Um funcionário do hospital central explicou a polícia que trabalha todos os dias, e até em regime de piquete nocturno, mas há 2 anos e 6 meses que não recebe o salário. «Tenho problemas graves com a minha família», afirmou o funcionário.  Mesmo ao lado, uma funcionária do hospital gritou «fome dói…fome também dói…Xê». Podia-se ler no rosto dos agentes da autoridade uma enorme comoção.

A manifestação espontânea persistiu até que o Ministério da Saúde abriu as portas para o diálogo. A funcionária Vânia Jordão acompanhada por outros dois colegas foram recebidos pela direcção administrativa e financeira do ministério da saúde.

«Estivemos lá dentro e conversaram muito bem connosco. Perguntaram se podiam atender os trabalhadores mais antigos, ou então, dar continuidade ao processo e resolver o problema de todos no mês de dezembro. Nós dissemos que não. Propomos que fosse melhor resolver o problema dos mais antigos em primeiro lugar, e posteriormente dos funcionários que começaram a trabalhar mais recentemente» afirmou.

Mal a porta-voz Vânia Jordão terminou a oração, os colegas em manifestação rejeitaram a proposta de pagamento dos salários em atraso até Dezembro de 2024.

FOTO : Adilza Pereira

««Não, não e não. É demais», gritou a senhora Adilza Pereira funcionária de limpeza da medicina 1 e 2 do hospital central Ayres de Menezes. «Estou há 2 anos e 6 meses sem salário, as crianças comem o quê?», interrogou.

Segundo Adilza Pereira os funcionários não caíram de paraquedas no hospital Ayres de Menezes. «Assinamos o contrato, e pagamos ao Tribunal de Contas. Então nosso dinheiro está a entrar aonde? Até dezembro não…», frisou.

Adilza e os demais colegas chamaram a atenção do público que estava na avenida Kwame Kruma para a necessidade de serem valorizados.

«Entramos no hospital central e pusemos o hospital a brilhar. Porquê que nós não somos valorizados? Nós não vamos esperar até Dezembro», pontuou.

Os funcionários revoltosos lançaram um ultimato ao governo. «Até o final deste mês se o salário não sair vamos voltar para aqui em manifestação. Podem chamar a polícia podem chamar tudo», acrescentou Adilza Pereira.

Os funcionários do hospital central avisaram que a próxima manifestação espontânea, vai ter muito mais gente. «Até as nossas crianças vamos trazer para o Ministério. Toda a factura de energia vem junto. Eu tenho aqui 4 facturas da EMAE por pagar, tudo vamos trazer para o ministério», concluiu a funcionária de limpeza da medicina 1 e 2 do hospital central.

Aumento da carestia de vida provoca tensão social em São Tomé e Príncipe.

Abel Veiga

8 Comments

8 Comments

  1. ANCA

    5 de Julho de 2024 at 13:18

    Há necessidade de modificar o quadro jurídico administrativo dentro da pronunciada reforma da administração publica, ou reforma administrativa.

    De recordar o que vê a olhos nu, e o que efetivamente passa, nos sectores da administração publica, nos gabinetes, nas repartições, escolas, hospitais, finanças, etc,…o que é urgente alterar…

    Os funcionários entram a horas que querem, falta de assiduidade, falta pontualidade.

    Os funcionários sabem pouco, ou não querem cumprir prazos para respostas ao requerimentos, cobram um valor extra, para além daquele que está estipulado pelo estado,…

    -Falta de objetividade, falta de avaliação por objetivos, falta de produtividade, corrupção ativa e passiva.

    Aliciamento a pessoas por palavras, gestos, toques, á mulheres, á homens, á crianças com intuito de conseguir sexo e subjugação dentro do departamento ou sector da administração pública, exercício de pressão, maledicência, etc, etc,…

    Existência de assedio, poligamias, no trabalho e nas escolas, dentre outras praticas.

    Assim acontece na saúde, na educação, no serviço militar, nas câmaras municiais, nos ministérios, etc.,…que é necessário alterar, pois que tais praticas impedem o desenvolvimento efetivo dos serviços e do país(território, população, administração).

    Exige medidas legislação e acompanhamento.

    Código Procedimento Deontológico no Sector da Saúde para médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de saúde.

    Código Procedimento Pedagógico para o sector da educação, nomeadamente para os professores.

    Código Procedimento Administrativo

    Assim no desporto e afins

    – manual em que se indica e coordena, fiscaliza, avalia, responsabiliza, atividades dos funcionários do sector administrativo publico – desde ministro, diretor, funcionários públicos, no fundo as competências aquilo está estipulado fazer, se pede para fazer,..

    Assim também devera existir o tribunal administrativo, para que quando haja falta de observação e execução ou violação grave dos preceitos do código procedimento administrativo, possa haver punição, penas e afastamento.

    Um requerimento(um pedido por escrito) quando dá entrada num serviço, deve ter um prazo de resposta á emitir pelo serviço, ou vários serviços por onde passa, se se não há observância de cumprimento deste prazo, tem que haver penalização, isto requer um programa de definição de competências, de avaliação de competências e formação continua, dentro da administração pública, para que se melhore a produtividade e eficiência dos serviços, logo administração/instituições fortes e capazes.

    A não existência destes códigos nos serviços pressupõe a desorganização e anarquia

    Pois que desta forma seremos pouco atrativos para investimentos, ninguém investe num quadro jurídico organizativo caótico, desorganizado.

    Este tem sido nosso handicap de não acelerar o desenvolvimento.

    De referir ainda ausência de planos de desenvolvimento, quer local, quer regional

    O Homem São Tomense está habituado ao leve leve, quando se tem um diretor, um ministro que tenta exigir e impor rigor, normalmente é apelidado de ditador, isto se muda com avaliação das pessoas

    Do mesmo modo como candidatam a um emprego publico, devem saber e estar informado e formado ter formação, para execução deste trabalho, quando não se cumpre os objetivos proposto o estado pode suspender e afastar os profissionais.

    Deve haver existência de regras de funcionamento da administração publica, deve haver exigência, rigor, requisitos.

    Sendo o estado que gere o dinheiro publico, pagas as pessoas para trabalharem, gerir, planear, executar, deve haver regras, rigor, deontologia postura profissional publico.

    Dá a necessidade de uma escola de Administração Publica, só se entra e trabalha na administração publica central e local , quem tiver formação e competência para o efeito, necessidade de avaliação e formação continua.

    A reforma do sector da justiça se exige

    A reforma do sector da saúde e educação se exige.

    Se se és de São Tome e Príncipe, se nasceste aqui, ajuda a desenvolver o teu país, dá o teu contributo

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

    • ANCA

      5 de Julho de 2024 at 18:08

      Necessidade de alterar, reformar, modernizar, organizar os serviços da administração publica, rigor segurança e trabalho.

      Primeiramente revisão da lei de contratação publica

      Criação/implementação de concurso para preenchimento publico,abertura de vagas para ingresso, avaliação de competencias, definicação de regras diretivas e preceitos para a execução de tarefas e responsabilidades, formação/ avaliação de desempenho dos profissionais bem como dos serviços e instituições, propostas de melhorias, auditorias internas, verificação de cumprimento do codigo procedimento administrativo, do codigo procedimento deontologico, do codigo de ética profissional, criação de tribunal admnistrativo e do trabalho.

      Criação de uma nova divisão administrativa do trabalho publico, reforma quanto a formulação de concurso publico para ingresso na carreiras de trabalho no sector publico, contrato publico, mediante avaliação/aferição de grau academicos para execução de tarefas, as atribuições, a competência profissional, definição da carreiras professionais, quanto a avaliação/formação, avaliação de competencias, quanto a questões/quadro remuneratórios, evolução na carreira,…assim enquadradas

      Tecnicos superiores( grau-6 de mestres/ doutoramento e especialidades ou especialistas)

      Tecnicos-(grau-5 de Licenciatura ou licenciados)

      Assistente Técnicos(grau-4 de administrativos, arquivistas, vigilantes etc,…cursos de bacharelatos, cursos tecnicos profissionais, 12ºano)

      Assitente Operacional ou axiliares(grau-3 de serventes de limpeza, motoristas, maqueiros, etc…frequencia de 9 º ano, 6º ano, 3ºano de escolaridade)

      Fortalecimento das instituições, definição de regras bem definidas de funcionamento/aprimoramento/acompanhento dos serviços, autonomia dos serviços, digitalização, automação dos serviços, requalificação/formação profissional, formação continua dentro dos serviços, para o saber e saber fazer, para qualidade dos serviços prestados, para melhor avaliação das competencias e obejctivos, tanto dos profissionais, quantos dos serviços, implementação de regras de higiene e segurança no trabalho, seguros, garantias, melhorias e beneficios, parceirias….

      Escola ou centro de formação de administração publica

      Tendo em conta a importância estrategica do sector da segurança, da protecção e defesa.

      Necessidade de escola ou centro de formação militar e da guarda costeira, academia militar

      Tendo em conta a produção, processamento, diversificação economia, higiene e segurança alimentar, higiene e segurança fitosanitarias, protecção do ambiente, a fauna e a flora, as alterações climaticas

      Necessidade de expansão de centro de capacitação agricola, agropecuaria, bem como actividades dos pesqueiros, formação qualificação profissional

      Formação para cidadania, valorização profissional

      Medidas de estruturação da instituições familiar ou da primeira institução social- a Familia.

      Pratiquemos o bem

      Pois o bem

      Fica-nos bem

      Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  2. Olegário Tiny

    5 de Julho de 2024 at 14:20

    Os gastos das viagens anormais, porventura ilegais do primeiro ministro devem ser calculados e (se não for suficiente) dedicados ao reforço de verbas para o pagamento dos salários destes trabalhadores. O Estado tem que ser digno dos seus compromissos,deve ser pessoa (jurídica) de bem … não pode nunca ser caloteiro.

    • fome dói…fome também dói…Xê

      6 de Julho de 2024 at 13:05

      Olégario Tiny, outrora era parte do problema, se mudou, quer tomar parte na solução e quer dar contribuição construtiva na luta para o povo e país não devemos desprezar. O conteúdo do seu comentário é sólido.

      Ignorem os comentários da ANCA. Não os leio! Ela faz propaganda para governo de Patrice. Patrice nem se quer deu ela dinheiro para comprar casa na Europa, há pessoas burras malditas que vendem-se muitíssimo barato. Triste

      Patrice aguenta até nos teus ossos
      Demos-te conselho para sair do poder gatuno, ignoraste conselho de amigo porque se calhar pensas que sabes tudo, e não queres deixar de chupar a mama da vaca, vaca virou osso, leite agora parece água. Criminoso sem consciência psychopath! Deixa de castigar!
      Vais sofrer!
      Patrice é doente.
      Deixa de roubar!

      Esse povo é mesmo lento. Vê como Black Lives Matter, Occupy Wall-street, GNR, Protestos em França, etc metem casa em ordem no ocidente
      É preciso causar dor nos bolsos desses abusadores do povo pobre, reclamar entre num ouvido e sai do outro
      Vocês têm que fazer os corruptos e família deles chorar doer na pele
      Eles têm que perder 3 anos de salário ou riqueza perdida se não pagarem imediatamente e com retroativo
      Sem “pão pão queijo queijo” nessa gente, só povo é que sofre.
      Ou sofremos todos, ou morremos todos, ou tentamos sobreviver todos – está é a mentalidade e espírito de Rei Amador guerreiro que falta em São Tomé e Príncipe.
      Tem que pagar!
      M&rda acabou!

  3. Atento

    5 de Julho de 2024 at 22:03

    A culpa é do colono branco

  4. ANCA

    6 de Julho de 2024 at 9:41

    De recordar que muitos deste profissionais, jamais dispõe de um contrato de trabalho, ou foram submetido a concurso publico para preenchimento de vagas de trabalho no sector

    Temos necessidades de aumentar a educação( bem como a educação para cidadania), a literacia(ambiental, financeira, digital), formação de qualidade, formação qualificação massiva de professores, formação profissional de excelência, nas áreas de que carece o país, para sua transformação, modernização, nas tecnologias de informação e comunicação, ambiente e floresta, turismo, gastronomia, administração e serviços, metalurgia, construção civil, mecânica, automação, indústria extrativa, agricultura, agropecuária, pescas, aquacultura, economia do mar, economia azul, economia circular, energias renováveis, transportes aéreos e marítimos, na saúde, na enfermagem, cuidados de saúde primários, etc, etc…necessitamos de centros de formação, escolas de formação profissional.

    Por outro lado há necessidade de aferir nível/grau de estudo aos diplomas profissionais( uma pessoa que tenha 9ºano de escolaridade mais que faz a frequência de um curso profissional curricular estruturado, deve ser atribuído o grau, acima por exemplo 12ºano, isto permitirá que a pessoa esteja qualificada e aberta ao mercado de trabalho, mesmo que seja numa aérea diferente da formação que efetuou.

    Quem diz a pessoa que tem 9ºano diz-se também de uma pessoa que tenha 6ºano, 4ºano, obtendo um diploma de formação profissional, há que fazer a requalificação do nível – grau de qualificação destas pessoas para outro nível, permitindo assim mais mobilidade profissional, bem como a possibilidade da pessoa se ir qualificando para outros níveis graus de ensino.

    Por outro lado deve haver, reforma no sistema de educação nacional entrosamento do ensino comum secundário, com o ensino profissional, permitir que quem tenha feito 9ºano de escolaridade, possa escolher uma área profissional a seguir, dentro do ensino comum aferindo no final do curso profissional, o grau de 12ºano no final de três anos de curso.

    Tendo território, tendo pessoas, tendo recursos, há que ordenar e organizar o território para desenvolvimento de atividades humanas, tendo pessoas a que forma-las organiza-las, dando permitindo ferramentas que lhes permite desenrolar
    as suas atividades com saber e saber fazer e conhecimento de modo haver maior produtividade, havendo recurso a sua transformação e processamento se impõe de modo a criar mais valias, para trocas comercias e consumo.

    Se tu gosta, és dum partido ou do outro, jamais importa importa é que possamos juntos construir um São Tomé e Príncipe, capaz e moderno.

    Nasceste aqui ajuda a desenvolver e modernizar o teu país a tua gente, o teu território

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica-nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  5. Mezedo

    6 de Julho de 2024 at 11:05

    Má fé dos governantes, provoca isso. temos certeza de pessoas que entraram a menos de um ano no sistema de saúde e já ganham salario. Não serão eles santomense como os outros que estão aqui a 2 3 anos? Eles não votaram no ADI?

    Essa má fé que esta neste governo merece resposta na rua todos santomenses de verdade deviam sair a rua, exigir respeitos pelo povo, pelos cidadão. É um abuso o que este governo esta fazer.

    Em 2018, o governo de ADI deixou varias pessoas sem salario, governo de MLSTP enquadrou as pessoas e pagou salario.

    Porque fazem isso com pessoas que encontraram a trabalha? Será que essas pessoas não contribuíram para vitória do ADI?

    Em alguns casos é bem feito, aqui se deve aqui se paga.

    Um Cidadão manifesta a seu ponto de vista em relação a situação do país. Ele é ameaçado vandalizado. e depois dizem que estamos num estado de direito democrático. Diz que país tem liberdade.

    Um dia Deus há de libertar esse povo desses desgraçados.

  6. Mais Além

    6 de Julho de 2024 at 11:59

    Projecto do novo hospital arranca dentro de semanas – Téla Nón (telanon.info)

    «Eu só quero dizer aos são-tomenses que esta questão da falta de água no hospital e no bairro do hospital figura nas nossas prioridades», concluiu Patrice Trovoada.

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