O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) de São Tomé e Príncipe lançou duras críticas ao Governo são-tomense, num comunicado público divulgado nesta sexta-feira, 1 de agosto de 2025, por ocasião dos 50 anos da Independência do país. A organização denuncia décadas de promessas não cumpridas, ausência de políticas públicas eficazes e um ciclo contínuo de frustrações impostas à juventude nacional.
No documento, o CNJ afirma que, passados 50 anos de independência e após 18 governos constituídos, a juventude continua a ser marginalizada, usada apenas como massa de manobra durante os períodos eleitorais e ignorada na hora das decisões estruturantes para o país.
“São 50 anos de frustrações, 50 anos de sonhos adiados e de políticas públicas vazias que não respondem à realidade e às necessidades concretas dos jovens”, lê-se no comunicado.
A organização sublinha ainda que não há um verdadeiro programa nacional de apoio à juventude e que os sucessivos governos têm falhado em garantir acesso à educação de qualidade, formação profissional, emprego digno, habitação, saúde, cultura e lazer. Segundo o CNJ, a juventude são-tomense vive “sem oportunidades e sem esperança”.
O comunicado vai mais longe ao acusar as autoridades de falta de visão estratégica e de uma gestão ineficaz dos recursos, o que agrava a vulnerabilidade social e económica dos jovens. Para o CNJ, esta realidade tem contribuído para o aumento da delinquência, do consumo de drogas, da criminalidade e da emigração forçada.
“Os jovens continuam sem alternativas, obrigados a emigrar para sobreviver ou a entregar-se à informalidade e ao desespero”, denuncia o órgão juvenil.
O CNJ exige uma mudança urgente de postura por parte do Governo e apela à construção de políticas inclusivas, consistentes e duradouras que envolvam efetivamente os jovens nos processos de decisão. A organização diz estar disponível para dialogar e colaborar, mas alerta que o tempo de discursos vazios terminou.
O comunicado termina com um apelo contundente: “Se São Tomé e Príncipe quer ter futuro, precisa valorizar e investir seriamente na sua juventude”.
Waley Quaresma
COMUNICADO À IMPRENSA
50 ANOS DA INDEPENDENCIA NACIONAL
CONSELHO NACIONAL DA JUVENTUDE DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
No dia 12 de Julho de 2025, São Tomé e Príncipe completou 50 anos da sua independência. Meio século de liberdade política, mas também meio século de promessas quebradas, de políticas vazias, de ciclos repetidos de frustração.
Durante 50 anos, 18 Governos sentaram-se na cadeira do poder. Todos nos falaram em progresso, todos nos iludiram com frases de ocasião, todos prometeram um futuro melhor. Mas a realidade que enfrentamos é outra: nenhum desses governos teve coragem, vontade ou visão de colocar a juventude no centro das políticas públicas. Nenhum! Fomos sistematicamente usados como massa de manobra, como plateia para discursos vazios, como número em estatísticas manipuladas, mas nunca como parceiros na construção do país. Não porque somos ignorantes, mas porque confiámos em demasia. Fomos educados a respeitar os nossos líderes, mas esses mesmos líderes falharam-nos. Usaram-nos e descartaram-nos.
A juventude santomense hoje representa mais de 60% da população. E o que nos oferecem? Desemprego, miséria, migração forçada e humilhação. Milhares de jovens deixaram o país – não porque não o amam, mas porque aqui não há nada a esperar. Países como França, Inglaterra, Suíça, Brasil e sobretudo Portugal, tornaram-se refúgios para os nossos melhores cérebros. Uma fuga silenciosa, mas devastadora, provocada por um Estado falido moralmente, que prefere pagar favores políticos em vez de investir na educação, na formação e no empreendedorismo jovem. Quantas mais gerações precisam partir até que se entenda que a juventude não quer esmola – quer oportunidades reais!
Não podemos deixar de expressar a nossa indignação com as comemorações dos 50 anos da Independência, o Conselho Nacional da Juventude foi totalmente excluído das comemorações, não participámos em nenhuma comissão, não fomos ouvidos em nenhuma decisão. Recebemos apenas 40% do OGE destinado as nossas atividades, num claro sinal de desprezo institucional. Este incumprimento da parte do Governo não nos permitiu realizar o Encontro Nacional da Juventude, conformo o nosso plano de atividade.
O que tem acontecido ao longo de 5 décadas, não é apenas um erro político – é um crime moral contra a juventude santomense. Porque enquanto os palácios se enchem de luzes, as casas dos jovens continuam na escuridão. Enquanto os discursos enaltecem conquistas, as estatísticas gritam miséria. Enquanto as bandeiras tremulam nas praças, os jovens tremem de medo do futuro. E nós dizemos: BASTA!
Não vamos passar mais 50 anos calados. Não vamos esperar mais 50 anos para sermos ouvidos. Vamos participar, vamos fiscalizar, vamos denunciar, vamos exigir. Não aceitaremos mais desculpas. Não acreditamos mais em justificações esfarrapadas. Estamos cansados de ser enganados e estamos preparadas para exigir o que nos pertence. Temos direito a educação digna, a emprego, a saúde, a participação política, à liberdade e ao respeito.
O futuro de São Tomé e Príncipe, terá de ser construído com base na inclusão, na transparência, na verdade, no trabalho sério e no envolvimento real da juventude. O Horizonte 2075 não pode ser um novo ciclo de promessas. Tem de ser o marco de uma nova era. E isso só será possível com coragem para romper com os vícios do passado e ousadia para construir algo novo. O CNJ terá o prazer de em breve, submeter ao Governo e outros órgãos da soberania a CARTA NACIONAL DA JUVENTUDE, um documento feito pelos jovens, com os retratos de 50 anos e a visão e os almejos da juventude para os próximos 50 anos.
Apelamos ao atual Governo e aos que virão: chega de desculpas. Sejam líderes, não gestores do fracasso. Tomem decisões com a juventude, não sobre a juventude. Dêem-nos espaço, dêem-nos meios, dêem-nos responsabilidade. Ou então, preparem-se para nos ver nas ruas, nos fóruns, nas comunicações sociais e nas urnas.
Porque vamos exigir. Porque vamos participar. Porque somos o presente. E porque o futuro começa connosco. Agora.
Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe
São Tomé, 01 de Agosto de 2025
A Secretária-Geral
Dulcezia Botelho
Lucas
5 de Agosto de 2025 at 8:39
Os velhos mandantes comeram tudo e desgraçaram os demais
santomé cu plixinpe
5 de Agosto de 2025 at 10:16
jovens gatunos e liambeiros….