Política

Dura realidade dos idosos em São Tomé e Príncipe

Em São Tomé e Príncipe, o número de idosos em situação de vulnerabilidade tem vindo a aumentar, revelando uma realidade marcada pelo abandono, pela exclusão social e pela ausência de meios dignos de subsistência.

Com pouco mais de 60 anos, António Vila Nova enfrenta diariamente a extrema pobreza. Com deficiência numa das pernas e sem qualquer fonte de rendimento, carrega sobre a cabeça um saco de plástico preto com areia retirada da praia, que vende em pequenas quantidades na esperança de conseguir alguns trocados para matar a fome.

Não tenho onde ir buscar, não tenho trabalho, não tenho nada. Tenho deficiência numa das pernas e estou aqui pessimamente mal”, desabafou António. “Apanho um pouco dessa areia todo o dia, para ver se ganho uns 50 ou 70 dobras para safar.”

Tal como António, centenas de idosos vivem em condições precárias, sem apoio familiar ou comunitário, enfrentando o peso do isolamento e da invisibilidade social.

A Direção da Proteção Social, Solidariedade e Família presta atualmente apoio a mais de três mil idosos em situação de vulnerabilidade, através de um subsídio trimestral de 480 dobras, cerca de 19 euros. No entanto, o número de pessoas à espera deste apoio continua a crescer.

Recebem apenas um subsídio na ordem de 480 Dobras, trimestralmente. Quer dizer que num ano esses idosos podem receber apenas quatro vezes, mas nem sempre o valor sai”, explicou Cláudia Benguela, Chefe do Departamento de Proteção Social.

A lista de espera é extensa, mesmo em distritos menos populosos como Caué, onde mais de 300 idosos aguardam inclusão no programa. Em Água Grande, o distrito mais populoso, a situação é ainda mais crítica.

A pobreza tende a aumentar, o isolamento e abandono tende a aumentar, e nesta fase da vida a pessoa já não tem força física para trabalhar. É essa real situação de demanda que a proteção social tem se confrontado”, assinalou Benguela.

No âmbito do Dia Mundial dos Idosos, a Direção organizou uma marcha pelas principais artérias da capital, com o objetivo de despertar a consciência coletiva sobre o abandono e o isolamento que afetam esta franja da população santomense.

José Bouças

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