Sociedade

“Um pacote de esparguete faz a diferença”

É um slogan de solidariedade, de humanismo, lançado espontaneamente pela Primeira Dama de São Tomé e Príncipe, Fátima Vila Nova, em abril último quando entregava ajuda alimentar ao centro de dia da Quinta de Santo António, arredores da cidade de São Tomé.

O apelo “Um pacote de esparguete faz a diferença neste lar” divulgado pelo Téla Nón e outros órgãos de comunicação social, provocou uma onda de solidariedade, e transformou-se num slogan da campanha de solidariedade para com os idosos e crianças do país que cada vez mais se debatem com a ameaça da fome.

Os antigos alunos do Liceu Nacional na década de 80 do século XX, por sinal colegas de escola da Primeira Dama foram os primeiros a reagir. Compraram esparguete, óleo alimentar e outros produtos alimentares, e entregaram ao centro de dia da Quinta de Santo António.

«Exactamente um pacote de esparguete faz diferença…Peço que contribuam para este lar e outros lares do país, porque um pacote de esparguete faz muita diferença para os carenciados», afirmou Fátima Vila Nova.

O padre Vicente Coelho, representou a Igreja Católica que é a administradora do centro de dia que atende mais de 120 idosos que habitam toda a cintura da capital São Tomé. São idosos carenciados dos bairros da Quinta de Santo António, de Água Arroz, São Gabriel e outros bairros limítrofes da capital.

«É um grande estímulo, porque o lar tem estado a passar por dificuldades tendo em conta a situação económica do país. É a oportunidade para tirar um sorriso aos nossos irmãos e irmãs aqui dos arredores da cidade, que alimentamos com esse esparguete e outros produtos», afirmou o Padre Vicente Coelho.

Solidariedade, significa amor e até mesmo salvação segundo o pároco da Igreja da Conceição.

«Na nossa constituição no artigo número 1 dizemos que somos um estado solidário, mas não. Ainda falta muito trabalho, porque solidário é aquele que pensa no outro. Antes de tomar uma decisão pensa no outro», frisou.

Solidariedade também é um acto que produz felicidade. «Eu sou feliz quando o outro é feliz. Acredito que os senhores que doaram a ajuda alimentar estão felizes, porque fizeram felizes os outros irmãos e irmãs», sublinhou o Padre.

A Igreja Católica disse que o acto de caridade promove a salvação. A comunicação social joga um papel determinante no despertar da consciência humana, para o bem, para a caridade.

«As pessoas viram este apelo na RTP-Africa e reagiram de fora do país. Esta oferta é dos alunos dos anos 80 do Liceu Nacional que contribuíram para esta campanha e espero que mais pessoas contribuem para esta campanha», pontuou a Primeira Dama Fátima Vila Nova.

Grande parte dos ex-alunos do Liceu Nacional na década de 80 do século XX, é hoje quadros superiores e dirigentes da administração pública. Juízes conselheiros, médicos e enfermeiros, engenheiros, etc. Todos desfrutaram da felicidade que um pacote de esparguete provoca no seio dos cidadãos mais vulneráveis da sociedade santomense.

Abel Veiga

5 Comments

5 Comments

  1. Original

    24 de Maio de 2024 at 19:49

    Parece-me que os governantes deste País atrasam desenvolvimento de STP para depois apresentarem com pacote de esparguete dizendo que faz diferença.
    Acho que este comentário poderia ser dispensado,mas como conhecem tipo de população que têm,ainda batem palmas para estas sobras que não são consumidos
    nos banquetes do dia a dia.População não tem outra alternativa mas Deus proverá.

    • Mepoçom

      25 de Maio de 2024 at 13:52

      Você conhece a realidade deste país? Como não não é melhor não comentar. Eu também sou crítico naquilo que devo e acho para criticar com razão. Mesmo os países com poderes económicos a obra de solidariedade é bem vinda, e é para que funciona a Caritas. Se a primeira dama lança a campanha só devemos apoiar ainda que não podemos contribuir, os outros contribuem por nós.

    • Jorge Semedo

      25 de Maio de 2024 at 16:55

      Em pleno Séc XXI, ainda estamos a promover esparguete/massa para dieta dos nossos idosos e não só? Esparguete é derivado do trigo, fonte de carboidrato que por sua vez, produz açúcar o nosso organismo. Excesso do açúcar no sangue provoca diabetes. Quando os nutricionistas estão a desaconselhar o consumo de farináceos/açúcares (como o pão, os bolos, os doces, os refrigerantes, o arroz, as pastas – esparguete, macarrão, etc), eis que levanta-se a bandeira ao consumo de esparguete e óleo vegetal pelos mais velhos, já debilitados. Será promoção a importação em detrimento do nossos produtos nacionais (batata doce, mandioca, inhame, matabala, banana, legumes e hortaliças, óleo de palma, quiabos, pepino, vários tipos de peixes e carnes nacionais, etc, etc) que são ricos em nutrientes, vitaminas e sais minerais, indispensáveis para gentes daquelas idades. O melhor contributo para salvaguarda desses nossos idosos, seria a criação de um campo com sistema de irrigação gota a gota, nas proximidades, onde eles pudessem cultivar os seus produtos de subsistência e sistemas de criação de peixes, como forma de diversão e quiçá, terapia. Isto lhes manteria mais motivados, exercitados, comendo alimentos frescos e saudáveis. Num país que se diz falido, a enveredar pelo consumo de produtos de importação é um authentico suicídio. Vamos concentrar as nossas energias na produção e consumo de produtos nacionais e introduzir alguns produtos agrícolas importados, como arroz, ervilhas, etc, na nossa produção nacional, numa authentica diversificação agrícola alimentar, para pouparmos as escassas divisas.
      Para quê que fomos estudar ao estrangeiro, ocupamos cargos cimeiros na Administração do país e mantemos o país nesta indigência? Caros Doutores, caros PhD, caros professores universitários, caros banqueiros, caros economistas, caros juízes e não só! Pensem fora da caixa e arranjem soluções para o país se erguer. Foi para isso que estudaram. Não se conformem com bonitos fatos e garvatas, bons carros topos de gama, viagens para gozos de férias em Portugal, Brasil e não só. Façam mais elo país. Viver na luxúria e oferecer esparguete e óleo vegetal aos idosos é o mesmo que oferecer doenças aos mesmos. Façam melhor por favor.

  2. Original

    26 de Maio de 2024 at 0:18

    Sr.Mepoçom,
    Emiti A minha opnião e assumo o que disse.Acho que Sr.anda distraído em relação a dituação de STP depois de quase 50 anos de independência estar a distribuir esparguete e derivados e convidar comunicação social para publicitar dizendo que faz diferença.Acho este gesto indigno para nossa população e se País tivesse um rumo que permitisse os cidadãos sobreviverem através do seu rendimento,não haveria necessidade para este gesto tão humilhante.Pergunto ao Sr.vamos viver assim até quando? Se o senhor não tem orgulho de ser alguém que possa sobreviver através do seu rendimento,eu tenho este orgulho e não necessito da sua permissão para manifestar o que trago no meu sentimento e estou nas tintas para o que Sr.acha.Pessoas como Sr.está contribuindo para que este País seja assim e vai continuar assim.Sr.acha que a mulher do presidente deve sair de palácio e distribuir alimento para cidadão? Acha este gesto digno? Se população tivesse o seu rendimento, sobreviria à sua custa.Sr.não acha este gesto uma humilhação?Tenha orgulho de si da sua família.Fico por aí e é meu sentimento como cidadão deste País.

  3. José António

    26 de Maio de 2024 at 22:03

    Quantos países desenvolvidos não fazem o mesmo. Nunca viste nos países europeus grupos de pessoas nas ruas e nas lojas, pedindo espalguete, arroz e açucar para o Banco de Alimento?
    Quantas pessoas, santomenses, portugueses e todos os estrangeiros se dirigem mensalmente ao Banco de Alimento na busca de alguns pacotes de espalguete, óleo e outros alimentos.
    Não é vergonha nenhuma lançar este tipo de apelo entre nós. Quem tem mais, deve ajudar aos que têm menos. Não existe país nenhum neste mundo, onde todos têm as mesmas quantidades.

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