Durante a visita ao Hospital Central Ayres de Menezes, realizada esta quarta-feira, o Primeiro-Ministro Américo Ramos abordou os problemas crônicos de energia e água no país, temas que há anos afectam diretamente a qualidade de vida da população e o funcionamento de serviços essenciais. Em declarações à imprensa, Américo Ramos traçou um panorama detalhado das falhas estruturais da EMAE, empresa pública responsável pela distribuição de energia elétrica e água, e das medidas tomadas pelo governo para enfrentar esses desafios.
O primeiro ponto levantado foi a escassez de geradores e a necessidade de manutenção constante dos existentes, muitos com mais de 10 anos de uso. Américo Ramos explicou que atrasos na entrega de novos equipamentos se devem a fatores logísticos, como a frequência limitada de transporte entre portos e a complexidade de fornecedores internacionais. Apesar disso, há expectativa de que os novos geradores cheguem ainda este mês, garantindo a normalização gradual do fornecimento de energia.
O Primeiro-Ministro reforçou que o problema energético não é recente, citando o histórico de contratos com empresas privadas como a Tesla, cuja saída do país deixou lacunas significativas na produção. A gestão do combustível, o desvio, o roubo e a falta de manutenção recorrente também foram apontados como fatores críticos.
Américo Ramos sublinhou a importância de reformas estruturais na EMAE, acompanhadas de fiscalização, tecnologias de medição e contadores, para evitar desperdícios e garantir sustentabilidade.
No campo da água, a situação é igualmente complexa. A rede de distribuição da cidade capital tem quase 50 anos e sofre perdas consideráveis desde a captação até o consumidor final. Além disso, mudanças climáticas e diminuição das águas subterrâneas agravam o cenário.
O Primeiro-Ministro, Américo Ramos revelou que um projeto de requalificação do sistema, estimado em cerca de 60 milhões de dólares, já está no papel, mas depende de financiamento gradual. A participação de todos, incluindo denúncias de práticas irregulares, é considerada essencial para a eficácia das medidas.
Américo Ramos deixou claro que os desafios energéticos e hídricos exigem esforços coordenados entre governo, empresas públicas, parceiros internacionais e cidadãos. A recente redução de 30% na tarifa de energia em dezembro e janeiro foi apresentada como uma medida equilibrada para aliviar a população sem comprometer a sustentabilidade da EMAE.
De acordo com as palavras do Primeiro-Ministro proferidas esta quarta-feira, aos órgãos de comunicação social durante a sua visita à maior unidade hospitalar do país, sem reformas estruturais profundas, fiscalização rigorosa e colaboração de todos os setores, problemas históricos como energia e água permanecerão desafios para São Tomé e Príncipe. “Todos somos responsáveis pelo que acontece no país. Se queremos melhorias, cada um deve fazer a sua parte”, concluiu Américo Ramos, reafirmando a necessidade de ações sustentáveis, planejadas e inclusivas.
Waley Quaresma