O grito para que a justiça esclareça o caso de 25 de novembro de 2022 emana do mais profundo da alma são-tomense. Povo pacífico, que habitualmente esquece das promessas eleitorais não cumpridas, os são-tomenses, não têm a tradição de agir ou lidar com matanças.
O povo são-tomense nunca se esquece das acções sanguinárias cometidas contra os seus filhos, como em fevereiro de 1953, e infelizmente repetido no dia 25 de novembro de 2022.
«Tem de haver o julgamento. Todo o povo de São Tomé e Príncipe está à espera desse julgamento. Há quem diga mais, que nem sequer deveria haver eleições antes do julgamento deste hediondo acontecimento», afirmou Delfim Neves.
Deputado da nação, Delfim Neves foi detido em casa no dia 25 de novembro de 2022.
«Foram 4 vidas ceifadas no quartel do Moro. E eu deveria ser a quinta vítima mortal, mas escapei. Por isso não posso esquecer que outros perderam a vida. Eu fui pego em casa, mas não fui o único. Também houve outro cidadão que foi pego em casa e morreu de forma como todos assistimos», relatou.

O deputado da nação reagiu assim à decisão da Procuradoria Geral da República de emitir uma certidão que o iliba como arguido no alegado caso de tentativa de golpe de Estado no dia 25 de novembro de 2022.
«Não gosto de falar em golpe de Estado, porque nunca houve. A investigação concluiu que nunca houve, pois foi uma “inventona” e não uma intentona», precisou Delfim Neves.
A decisão da Procuradoria-Geral da República era previsível. Aliás, segundo o deputado, o despacho do Ministério Público de instrução preparatória «já tinha dito que eu não fui acusado de qualquer crime que me tivesse imputado. Nunca fui acusado de nada», acrescentou.
A certidão emitida no dia 8 de maio tem o objectivo de desmentir e mandar calar, os seus detractores políticos.
«Decidi requerer ao Ministério Público, o pedido de uma certidão para clarificar o que se passava. Mas alguém continua a insistir que eu sou o mandante, foi assim que emitiram uma certidão que vem clarificar todas as dúvidas», pontuou.
O julgamento no Tribunal Judicial, que antes tinha recusado julgar as mortes no quartel do exército resulta da vontade expressa pelo povo são-tomense.
«Eu fui o defensor do projecto de lei, que transferiu o processo do Tribunal Militar para o Tribunal Civil porque os próprios juízes nomeados para o Tribunal Militar foram peremptórios em dizer que não há condições, para que o processo seja julgado no Tribunal Militar», frisou Delfim Neves.
Segundo o deputado, o caso 25 de novembro de 2022 manchou a história e a imagem do país como nunca.
«Isto que aconteceu foi na minha perspectiva, uma montagem para ceifar vidas», concluiu.
O leitor deve ouvir na íntegra a entrevista dada ao Téla Nón pelo deputado, após a emissão pela Procuradoria-Geral da República da certidão que o iliba de qualquer crime.
Abel Veiga