Os dados revelados após um estudo que analisou os comportamentos, atitudes e práticas de violência contra as crianças no país surpreenderam a UNICEF.
«6 crianças por 10 submetidas a violência. É um resultado que não esperávamos, porque as crianças são o futuro de São Tomé e Príncipe e devemos protegê-las», reclamou Marie Reine Fabry, representante da UNICEF em São Tomé e Príncipe
O estudo demorou 2 anos. Crianças, educadores e agentes da polícia nacional foram inquiridos. Os números da violência contra as crianças provocaram uma reacção imediata da UNICEF e do governo no sentido de travar o flagelo.
«É preciso haver leis, e um sistema que funcione. Um sistema integrado com a justiça, a saúde, a educação, a protecção do trabalho, a protecção social, é preciso que todos estes sectores trabalhem em conjunto», precisou a representante da UNICEF.

A pobreza absoluta no seio das famílias são-tomenses, é uma das causas do aumento da violência contra as crianças.
«Devemos tratar do problema da pobreza, do problema do consumo do álcool, e os problemas das famílias. Pois constatamos que há muitas crianças que vivem em famílias monoparentais. Todas essas causas merecem, não uma resposta superficial, mas sim uma resposta global do Estado», pontuou Marie Reine Fabry.
A UNICEF e o Governo reuniram-se para analisar os resultados do Estudo e definir uma estratégia para lidar com o flagelo. A reforma legislativa é uma das acções para travar a violência contra as crianças.
Entre 10 crianças são-tomenses, pelo menos 6 são vítimas da violência. O estudo revelou também que as raparigas foram vítimas de violência sexual desproporcional.
Abel Veiga