Política

ADI emocionou-se com o retorno a sua sede dos veteranos e fundadores que foram afastados

A Direcção do partido ADI protagonizou um momento histórico no final da tarde de sexta-feira,21 de agosto. Reuniu-se na sua sede com os veteranos e fundadores do partido, que foram excluídos ao longo dos últimos 32 anos.  

Carlos Neves, o primeiro líder do ADI eleito no congresso fundador do partido no ano 1994 contou a história da criação da força política, que participou na governação do país em vários momentos, em governos de coligação, para depois de 2010 começar a ganhar ciclicamente as eleições legislativas com maioria relativa e absoluta.

«Há muita gente que pensa que o ADI caiu do céu. Não caiu do Céu. É uma manifestação de vontade de muita gente que comungava os mesmos ideais», afirmou Carlos Neves.

FOTO : Carlos Neves de pé

Primeiro líder do ADI e historiador de formação, Carlos Neves explicou que com a abertura do país à democracia pluralista em 1990, ele e os demais colegas participaram nas eleições legislativas de 1991, já com a intenção de criar um partido político, na altura designado USD. Era um movimento de apoio à candidatura de Miguel Trovoada ao cargo de Presidente da República.

Segundo Carlos Neves, para não provocar a dispersão de votos nas primeiras eleições legislativas do país, os membros do movimento inspirado pelo ex-Presidente Miguel Trovoada, preferiram concorrer às eleições legislativas de 1991 na lista do partido PCD.

«Mas depois das roturas entre Miguel Trovoada e o PCD, este movimento de apoio decidiu avançar para a criação de um partido, que incluiu muita gente que hoje está fora, e alguns já morreram», sublinhou.

Carlos Neves foi eleito Secretário-Geral do ADI no primeiro congresso realizado em 1994 e reeleito no congresso de 1998. Miguel Trovoada Presidente da República de 1991 à 2001 era o líder espiritual do partido.

«No ano 2000, aquando da eleição do Presidente Fradique de Menezes, houve uma rotura entre nós. Eu saí do partido, mas o ADI continuou. Hoje é uma força política instalada que achamos que deve retomar os princípios para os quais nós o criamos. A declaração de princípio e o programa do partido fui eu que escrevi, e o doutor Gabriel Costa escreveu os Estatutos», pontuou.

A narração do ex-líder Carlos Neves deixou emocionada a actual direcção liderada por Américo Ramos.

«Foi bastante emocionante ouvir essa história toda, porque não podemos preparar o futuro, sem conhecer o passado e termos o presente como referência daquilo que nós queremos», declarou o Presidente da ADI.

Américo Ramos anunciou que a reunião com os fundadores do ADI tinha como propósito «convidá-los a fazer parte da família, voltarem para a família. E pelo que foi dito aqui notou-se grande disponibilidade de todos de integrarem a família, e participarem nas acções do partido», frisou.

Américo Ramos, Vasth Santos e Orlando da Mata, as três principais figuras da direcção do ADI mergulharam-se nas raízes do partido, para desviarem-se dos erros do passado, e «ter uma abordagem inclusiva de todos aqueles que pretendem fazer parte do projecto do partido», assegurou o Presidente Américo Ramos.

Nova direcção chama os fundadores para regressarem ao partido, e diz que continua a dialogar com os membros revoltosos dos últimos tempos, para garantir a unidade plena do ADI.

«Levando a ideia de “São Tomé e Príncipe em Primeiro Lugar”, mais  do que os nossos interesses pessoais. Se se reverem neste projecto voltarão para a equipa, para a família ADI», defendeu Américo Ramos.

Quando falta cerca de 1 mês para as eleições legislativas, autárquicas e regional, ADI aposta na estratégia de inclusão e unidade, para continuar a ser o maior partido político de São Tomé e Príncipe.

«Em 2021 o ADI estava dividido. Após conversas e diálogo conseguimos unir o ADI e vencer as eleições. Com abertura e diálogo conseguiremos fazer um ADI grande, e o maior partido de São Tomé e Príncipe», concluiu Américo Ramos.

O novo Presidente da ADI pretende repetir a estratégia política de 2021, quando na qualidade de secretário-geral do partido comandou sozinho no terreno, as acções políticas que conduziram ADI a vitória nas eleições presidenciais de 2021, e nas legislativas de 2022.

A reunião entre a direcção e os veteranos e fundadores que foram excluídos do ADI decorreu no Salão Patrice Trovoada na sede do partido.

Abel Veiga

FAÇA O SEU COMENTARIO

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top