Numa entrevista conduzida pelo Jornalista Jorge Marmelo da Revista Pública, uma publicação semanal do Jornal Público, São de Deus Lima, detalhou toda a história relacionada com a violação da liberdade de imprensa na Televisão São-Tomense. Descreveu também a realidade política e social do país. A cultura, claro que tinha que estar na agenda da Entrevista.
O programa mais visto da televisão de São Tomé e Príncipe foi suspenso por decisão do Governo. Conceição Lima, jornalista, poeta e responsável pelo programa, considera ter sido alvo de “saneamento” e teme que o episódio possa ser um mau sinal para o futuro da democracia no seu país. Este mês chega às livrarias portuguesas o seu novo livro de poemas, O País de Akendenguê.
A jornalista e poeta são-tomense Conceição Lima esteve 15 anos a viver em Londres. Ali se licenciou em Estudos Afro- Portugueses e Brasileiros pelo King’s College e obteve o grau de mestre em Ciências Políticas e Estudos Africanos pela School of Oriental and African Studies. Ali foi jornalista e produtora dos serviços em Língua Portuguesa da BBC.
Regressou a São Tomé e Príncipe há um ano e, em pouco tempo, o programa de entrevistas que conduzia na televisão estatal são-tomense, TVS, passou a liderar as audiências — até Dezembro passado. Quando quis entrevistar o antigo primeiro-ministro de Cabo Verde, Carlos Veiga, o Governo de Patrice Trovoada mandou suspender o Em Directo.
Há um abaixo-assinado de apoio a Conceição Lima a circular por vários países, incluindo Portugal, e mais de 86 por cento dos participantes de um inquérito realizado pelo jornal online Tela Non consideraram que o procedimento do Governo são-tomense não foi democrático. O caso, porém, está longe de ser virgem. José Bouças tinha também sido afastado da TVS e algo semelhante acontecera há alguns meses com outro jornalista, Óscar Medeiros, ao qual, ironicamente, coube agora, enquanto director da TVS, despedir Conceição Lima.
Para além de jornalista (foi, entre outras coisas, correspondente do PÚBLICO, da Anop, da Rádio France International, da Voz da América e da BBC, tendo fundado e dirigido, na década de 1990, o semanário independente são-tomense O País Hoje), Conceição Lima é também considerada a mais importante poeta viva de São Tomé. A sua produção poética remonta
aos primeiros anos da independência são-tomense, mas tem apenas dois livros publicados, O Útero da Casa (2004) e A Dolorosa Raiz do Micondó (2006), ambos na Editorial Caminho, traduzidos também na Alemanha.
Este mês sai o terceiro, O País de Akendenguê. Deu esta entrevista à Pública por email.
São Tomé e Príncipe vai ter este ano eleições presidenciais. Casos como o da suspensão do seu programa indicam, de alguma forma, que o jogo pode estar a ser viciado à partida?
É difícil, para um observador atento, não inscrever esta preocupação nas suas reflexões, à luz não só da suspensão do programa Em Directo, mas de outros sinais indiciadores de uma apetência hegemónica do Governo do doutor Patrice Trovoada em relação à imprensa. Esses sinais são claramente visíveis na imprensa estatal, mas estendem-se também a uma certa imprensa privada. Assiste-se a um controlo muito mais apertado dos conteúdos, à drástica limitação do acesso dos jornalistas às fontes oficiais. É muito difícil conseguir-se, por exemplo, entrevistar um ministro. Diria que a agenda deste Governo parece não incluir a aceitação, e muito menos o encorajamento, de espaços de debate, de confronto de ideias, de exercício do contraditório, de acareação de perspectivas sobre as grandes áreas da cidadania, de interpelação, sobretudo dos governantes, sobre as suas opções e decisões. Isso é tão mais notório e preocupante, quando se sabe que a última campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe revelou uma muito significa cativa descompressão da comunicação social. Todos os intervenientes, partidos com e sem assento parlamentar, tiveram direito à palavra, a apresentar as suas propostas, os seus programas, a formular as suas críticas. Organizaram-se debates, entrevistas, vários frente-a-frente, e os órgãos estatais, nomeadamente, deram mostras de um grande esforço de isenção e pluralismo. Basta dizer que o panfleto anónimo, ingrediente crucial de campanhas anteriores, esteve ausente das últimas eleições autárquicas, regionais e legislativas. As forças concorrentes veicularam as suas propostas através de canais instituídos. Para responder à sua pergunta, sim, se esta tendência hegemónica e autoritária não for revertida, o processo das presidenciais poderá, à partida, estar viciado.
Até que ponto a suspensão do Em Directo pode ser visto como um sinal de algum retrocesso no processo democrático do país?
Na medida em que elimina, cerceia ou tenciona domesticar um espaço de liberdade de opinião, de debate e de confronto de ideias e de perspectivas, num país onde, pelo menos até agora, não existe outro espaço com tais características na imprensa, é um claro sinal de recuo. E é um acto que eu não gostaria de circunscrever à minha pessoa, de forma alguma, porque se atinge a jornalista na sua liberdade e função de informar, atinge o grande público na sua liberdade e direito de ser informado.
Há um verso seu que diz “hostil o silêncio agarra-se ao teu corpo”. Pode ser uma metáfora adequada para aquilo que está a sentir na sequência da suspensão do programa?
Há um silêncio algo doloroso, sim — o silêncio daqueles que, na oposição, eram os mais ferrenhos defensores do programa e do seu espírito e que hoje, se não aplaudiram o que aconteceu, ficaram sintomaticamente calados. Não falo já dos que ontem se assumiam como livres-pensadores e inflamados arautos da liberdade de imprensa e hoje se revelam adeptos de teses de contornos perigosamente fascizantes, segundo as quais basta uma liderança forte e determinada para que todos “entrem na linha”. A esses respondo que a mais clarividente liderança não é infalível e que a lenta e sinuosa construção democrática em São Tomé e Príncipe passa pelo forjar de uma opinião pública esclarecida e interveniente, o que reclama o fortalecimento e não a domesticação da imprensa e a infantilização dos jornalistas. É preciso dizer, porém, que, no país e não só, o sentimento dominante é de rejeição da decisão do Governo. As manifestações de solidariedade cá são menos expansivas do que no exterior, mas são claras e chegam de todos os segmentos da população.
O abaixo-assinado que foi posto a correr na sequência deste episódio já tinha reunido, no final de Dezembro, mais de 400 assinaturas. Como vê esta manifestação de apoio?
Comove-me profundamente essa onda de solidariedade que me tem chegado de jornalistas, escritores, cidadãos de várias partes do mundo. Cá em São Tomé, houve uma unânime reprovação [por parte] da imprensa privada, já
que a pública não abriu a boca. E o Sindicato de Jornalistas solidarizou-se comigo.
Como é que uma jornalista com a experiência da BBC enfrenta um processo como aquele que resultou na suspensão do programa
Em Directo?
Comove-me profundamente essa onda de solidariedade que me tem chegado de jornalistas, escritores, cidadãos de várias partes do mundo. Cá em São Tomé, houve uma unânime reprovação [por parte] da imprensa privada, já que a pública não abriu a boca. E o Sindicato de Jornalistas solidarizou-se comigo.
Como é que uma jornalista com a experiência da BBC enfrenta um processo como aquele que resultou na suspensão do programa Em Directo?
Com perplexidade e a consciência reforçada de que temos em São Tomé e Príncipe uma moldura democrática, é certo, mas um quadro, ou melhor, uma cultura democrática muito frágil, sujeita a travagens e recuos bruscos, determinados, por vezes, até por estados de humor e por interesses que nada têm a ver com os dos cidadãos e nem sequer com os do Estado e da sua imagem. Perplexidade pelo modo como tudo começou, com um acto de censura do Governo a uma entrevista. Tratou-se de um acto de extrema desconsideração para com o doutor Carlos Veiga, de completa e cabal desautorização do director da TVS, que dera pleno aval à entrevista, e de desrespeito para comigo, que fiz o convite em nome da TVS. Há regras, há uma equipa do programa, há editores, há um director. Tendo este avalizado
a entrevista, o veto do Governo, e o modo como se deu, foi um acto de espantosa e grosseira interferência.
O que é que aconteceu exactamente?
São Tomé e Príncipe, com 20 a 25 por cento da população de origem cabo-verdiana, é regularmente palco das campanhas eleitorais de Cabo Verde, sendo um dos espaços mais disputados do círculo de África. Carlos Veiga, ex-primeiro-ministro cabo-verdiano, líder da oposição e candidato ao cargo nas eleições de 6 de Fevereiro, chegou a São Tomé no dia 30 de Novembro e fez saber que gostaria de responder a afirmações feitas anteriormente em entrevista à TVS pelo doutor José Maria Neves, na dupla qualidade de primeiro-ministro de Cabo Verde e líder do PAICV, o partido no poder. Do ponto de vista da equipa realizadora e da direcção, havia outros motivos que justificavam a entrevista, nomeadamente a agenda são-tomense de Carlos Veiga, caso venha a vencer as eleições, dada a existência de uma série de acordos entre os dois países. Com o aval do director da TVS, a entrevista foi marcada no próprio dia da chegada de Veiga para o dia seguinte, às 10 horas. No dia da entrevista, cerca das 8h40, a entrevista foi reconfirmada. Às 9h20, telefonou-me o director da TVS a dizer que, por “ordens superiores”, a entrevista não iria ter lugar. Obviamente, comuniquei ao director que não me sentia confortável para justificar um cancelamento de última hora, cujas razões desconhecia. Coube-lhe, pois, explicar a Carlos Veiga as instruções que recebera do Governo, num encontro em que estive presente do princípio ao fim. Julgo ter sido o momento mais embaraçoso de toda a minha carreira. Um momento de grande embaraço e de indisfarçável vergonha. No dia seguinte, escrevi um artigo no diário digital Tela Non, intitulado “A Entrevista que Carlos Veiga não Deu”, no qual denunciei o que se tinha passado. Na manhã seguinte, o director da TVS, que é também o correspondente da RDP África, chamou-me ao seu gabinete para me informar de que o Governo o instruíra a comunicar-me que, quando o meu contrato terminasse, a 31 de Dezembro, os vínculos com a TVS não seriam reatados. Perguntei-lhe se conhecia as razões e disse-me que não. Perguntei-lhe se, como director da TVS e meu superior hierárquico, não lhe interessara conhecer as razões. Respondeu-me que não, que se limitava a transmitir-me uma ordem do Governo. Uma honra bizarra, sem precedentes na era multipartidária: um quadro de uma direcção ser despedido pelo Governo da República. Logo depois, o programa “Em Directo” foi suspenso, a pretexto de uma grelha especial para a quadra festiva.
Já tinha tido algum problema anterior com o Governo?
Logo que o novo Governo tomou posse, fui convidada pelo primeiro-ministro, Patrice Trovoada, a criar e liderar um Gabinete de Comunicação e Imagem. Declinei o convite, por razões óbvias. Não quero, contudo, acreditar que esse factor tenha determinado a ordem política para o que considero ter sido o meu saneamento da TVS. Pode-se entender que um
governo jovem revele uma certa crispação, mas o Executivo do doutor Patrice Trovoada parece ter um sério problema com o contraditório e, com as presidenciais à vista, receio que essa crispação e esses tiques autoritários tendam a aumentar. Não deixa de ser irónico que a primeira e única grande entrevista de Patrice Trovoada ao público são-tomense, em 18 meses como líder da oposição, tenha sido ao programa Em Directo. Antes, tudo o que fizera fora prestar curtas declarações à imprensa nacional e estrangeira.
Vê também alguma ironia no facto de ter sido “saneada”, para usar a expressão que utilizou, por um jornalista que tinha, ele próprio, sido afastado da TVS pelo anterior governo?
Mais do que irónico, acho lastimável.
Um jornalista africano considerou que o caso do seu programa deve ser visto à luz das particularidades são-tomenses e que a ingerência do Governo nos órgãos de comunicação é considerada, aí, uma coisa normal. É assim?
Em São Tomé e Príncipe, as relações entre os governos e a imprensa, mormente os órgãos estatais e seus jornalistas, mas não só, têm sido, ao longo dos tempos, ora mais, ora menos difíceis, mas nunca pacíficas. Deve-se contudo dizer, em abono da verdade, que nos últimos tempos a situação vinha registando, como disse, alguma melhoria. Não foram melhorias estruturais, é certo, mas acho que não podem ser desvalorizadas, foram importantes, devem ser preservadas e fortalecidas. O que se passa é que estão ameaçadas e não apenas pela atitude quase marcial do Governo neste caso. Ora, isto deve suscitar ilações e levar os são-tomenses a reflectir. Os meios materiais e tecnológicos são importantes, as viaturas são importantes, as viagens são importantes, mas uma lógica que desencoraje, hostilize e exclua reflexões e debates sobre as grandes esferas da cidadania, sobre os rumos que o país vai seguindo em cada etapa, é castradora e é perigosa.
Com que constrangimentos se debate o exercício do jornalismo?
Há toda uma série de constrangimentos. Começando no regime jurídico dos órgãos estatais e passando pela duvidosa viabilidade da imprensa privada actualmente, pela ausência de uma séria concorrência aos órgãos estatais. Por exemplo, existe apenas uma estação televisiva em São Tomé e Príncipe e, no panorama radiofónico, a Rádio Nacional continua a ter um quase monopólio informativo. Há outros factores fortemente limitativos, como o nível de formação dos jornalistas, a vulnerabilidade resultante de salários simbólicos, a pouca eficácia das instâncias de fiscalização das normas éticas e deontológicas, a própria exiguidade territorial num Estado tentacular com forte poder de retaliação, o facto de os potenciais porta-vozes da opinião pública serem, na sua maioria, clientes desse Estado. Tudo isso condiciona negativamente o quadro. Uma mudança substancial e de fundo vai levar tempo, não tenho dúvidas. E aos poderes convém este estado de coisas. Estou convencida de que o ritmo dessa construção, mais ou menos lenta, vai depender, por um lado, de opções individuais para as quais temos de estar preparados, pelas quais se paga um preço, e, por outro lado, da superação dessa tentação para a amálgama governopartido- Estado.
A suspensão do programa aconteceu numa altura em que o mundo discutia a divulgação de documentos secretos pelo Wikileaks. Parecem discussões de planetas diferentes, mas, se calhar, estamos a falar de coisas parecidas…
Embora os estados se arroguem o direito de classificar a informação, determinando e seleccionando o que deve ou não ser do conhecimento do grande público, considero que este tem o direito de ser informado sobre muitas das questões reveladas pelo Wikileaks. Paga-se um alto preço por posições como esta, mas as reacções e manifestações de solidariedade do grande público são bem ilustrativas de que os critérios do Estado não coincidem bastas vezes com os critérios do público sobre o que deve ou não ser divulgado. Paga-se um alto preço por posições como esta, mas as reacções e manifestações de solidariedade do grande público são bem ilustrativas de que os critérios do Estado não coincidem bastas vezes com os critérios do público sobre o que deve ou não ser divulgado.
O jornal O País Hoje, que fundou, também acabou por fechar há alguns anos. Encontrou algum paralelismo entre este processo e o do programa na televisão?
Não. O jornal O País Hoje terminou por falta de recursos financeiros e também materiais. Era um período de grande escassez, ora não havia papel no mercado, ora a Empresa de Artes Gráficas tinha máquinas avariadas… Julgo que foi uma experiência interessante e que contribuiu para fazer opinião, naquela altura.
São Tomé e Príncipe fez, até certo ponto, um percurso parecido com o de Cabo Verde, que entretanto se transformou num case study, pelos bons indicadores de desenvolvimento humano que apresenta. O que é que aconteceu entretanto a S. Tomé? Foi a descoberta do petróleo?
Julgo que a trajectória de Cabo Verde, os chamados anos da grande fome, a hemorragia dos cabo-verdianos para o estrangeiro, a inclemência da natureza, tudo isso terá contribuído para uma aguda consciência de que era preciso maximizar os frutos da independência, as ajudas externas, as remessas dos emigrantes, acima de tudo, o contributo dos próprios cidadãos cabo-verdianos no país e na diáspora. Julgo que enraizou nos responsáveis, e não só, um sentido de que eram donos do seu destino, que o passado trágico não deveria ser reeditado. Num país onde houve um tempo em que “as cabras tinham aprendido a comer pedras para não perecer”, estou convencida de que o grande segredo foi e tem sido a aposta nas mulheres e nos homens. E há o factor estabilidade. Em 35 anos de independência, Cabo Verde teve três primeiros-ministros. Só na segunda república, em cerca de 20 anos, São Tomé e Príncipe teve 14 primeiros-ministros e nunca nenhum chegou a cumprir a legislatura. Num país de pouco mais de 160 mil habitantes, tem havido um permanente recomeçar por parte do Estado. O fenómeno transversal da corrupção é sobretudo usado como arma de arremesso de umas forças políticas contra as outras. A forte personalização do quadro político gera fenómenos de perversa lealdade que pouco têm a ver com as populações, com o país e com o Estado. Fala-se na necessidade de mudança, mas reciclam-se métodos típicos do modelo partido-Estado, métodos que, não raras vezes, excluem aqueles que não prestam vassalagem aos líderes e aos partidos. Queixam-se de falta de quadros qualificados neste e naquele sector, mas elegem-se como critérios de selecção a subserviência ao líder e aos partidos. Fala-se na necessidade de se apostar fortemente na agricultura, nos recursos marinhos, no turismo, mas o petróleo, que ainda não chegou e não se sabe exactamente quando irá chegar — e que, se chegar, será esgotável —, provoca já em certos dirigentes um estado de frenesim e de desvario que nada auguram de bom. São Tomé e Príncipe tem um grave défice de liderança, relacionável com a própria mentalidade do são-tomense.
São Tomé está a ficar parecido com o país insular dos ex-presidentes Cacau e Café, do romance Lenin Oil de Pedro Rosa Mendes?
São Tomé e Príncipe é um micro-Estado insular privilegiado pela natureza, à espera do milagre da perfuração dos poços, à espera fundamentalmente de que os são-tomenses decidam o que fazer do seu presente e do seu futuro. A mentalidade de assistidos, desenvolvida ao longo de 35 anos, é uma armadilha.
Parafraseando outro verso seu, as nuvens estão densas em S. Tomé?
Parafraseando um poeta africano, afirmo a minha esperança de que a ninguém, a nenhum autoproclamado profeta, venha a ser conferido o poder de impedir a chuva ou de privatizar o nascer e o pôr-do-sol.
Estava a morar em Londres há 15 anos. Por que regressou?
Foram muitos anos, uma experiência extremamente gratificante, mas nunca me senti exactamente emigrante. Em grande medida, senti-me como que vivendo uma espécie de exílio auto-imposto. Não queria regressar um dia ao meu país e não reconhecê-lo. Acreditava e acredito que tenho algo a oferecer a São Tomé, como jornalista e como escritora, e decidi que muito do que queria fazer reclamava o meu regresso a casa, que não se pode permitir que seja transformada num lugar de exílio.
Numa escola da Póvoa de Varzim, há alguns anos, explicou aos alunos que aprendeu com o seu pai o poder das palavras, o modo como as palavras podiam trazer a paz. Ainda acredita nisso?
Acredito na força apaziguadora das palavras, na capacidade das palavras para suscitar concórdia e funcionar como um remo. Conheço também o seu poder embriagador e inflamatório, a força sedutora da palavra demagógica, proferida não para revelar ou encorajar o desbravamento de um caminho, de caminhos, mas sim para mascarar e anestesiar os espíritos. Ou até para os amedrontar.
E a poesia? Há espaço para a poesia num quotidiano marcado pelo silenciamento?
Acredito que, mesmo no mais ermo e inóspito dos lugares, haverá sempre lugar para a poesia. Há lugar para a poesia em São Tomé e Príncipe, ainda que o hábito de leitura seja algo incipiente. Criam-se espaços para ler e discutir, espaços com os jovens sobretudo. Os que lêem acarinham os poetas, há um certo grau de reconhecimento público, embora eu, por exemplo, seja mais estudada e divulgada no exterior do que no meu próprio país. Não é, contudo, uma atitude direccionada. O poder em São Tomé e Príncipe nunca rimou com a literatura, com a poesia. Não é uma atitude ostensiva, é sobretudo uma atitude de indiferença. O livro mais celebrado de Alda Espírito Santo, É Nosso o Solo Sagrado da Terra, só foi reeditado 37 anos depois, graças a esforços de um grupo de amigos do qual fiz parte. Infelizmente, ela não viu essa reedição, morreu pouco antes. Os pais fundadores da nossa literatura, Caetano da Costa Alegre, Marcelo da Veiga, Francisco José Tenreiro, em 35 anos de independência e as suas obras estão esgotadas há muito. Quanto ao silenciamento da poesia, não creio sequer que faça parte da agenda dos arautos do autoritarismo. Para esses, a poesia é uma bizantinice, algo vagamente inútil, vagamente lunar que não mexe com os espíritos nem com o ritmo das coisas. Mas ainda que houvesse um propósito cerceador ou censório, seria inútil. Se outras esferas dependem muitas vezes de instâncias alheias a nós, ninguém pode decretar a extinção ou a abolição do ser poeta e de o afirmar. A esperança é que, com o seu acto solitário, o poeta coloque um pequeno grão no património Colectivo, no património humano. E se as suas palavras tocarem um só espírito, elas não terão sido vãs.
Quando haverá um novo livro?
Já este mês, com lançamento previsto para o festival Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim. Intitula-se O País de Akendenguê e é poesia, com prefácio do professor Hélder Macedo. Estou a preparar neste momento um outro livro, reunindo crónicas escritas ao longo de décadas em várias publicações. Espero publicá-lo ainda em 2011, mas ainda não tenho datas.
Não resisto a perguntar que país é este do título do novo livro?
Pierre Akendenguê é um musicólogo, poeta e filósofo gabonês. O livro é sobre as ilhas de África, as Áfricas da minha ilha, outras ilhas e outros continentes na ínsula e crioula África que eu sou, atravessada por tantos rios e tantos mares, gravuras do Oriente, o cheiro da canela e do alecrim, tantos, tantos lugares e tantas vozes. Pierre Akendenguê é a grande referência que dá o título ao livro, mas a epígrafe do primeiro capítulo, por exemplo, é da poeta que mais admiro e que mais me marcou, Sophia de Mello Breyner, uma poeta que amava as ilhas e com quem percorri a minha ilha. O Zeferino Coelho [editor da Caminho], e não só, acha que há uma forte influência da sua poesia na minha.
É normalmente considerada a maior poeta viva do seu país. Isso é um peso?
É sobretudo uma responsabilidade, a qual me encoraja mais e mais a continuar a escrever.
Já decidiu o que vai fazer a seguir a toda esta confusão com o programa Em Directo?
Logo se verá. O que lhe posso assegurar é que vou continuar a ser jornalista, como sempre fui. E poeta, claro.
Entrevista conduzida por Jorge Marmelo da Revista Pública, uma publicação semanal do diário Público: – jorge.marmelo@publico.pt
Jose Rocha
14 de Janeiro de 2011 at 3:25
Dirigida a Jornalista São Deus Lima
Gostaria de pedir a Jornalista São Lima que detalhasse as razoes óbvias, a que se refere neste entrevista, que a levaram a declinar o convite lançado pelo Governo no sentido de criar e liderar um Gabinete de Comunicação e Imagem de S.T.P?
O facto da jornalista São, tendo em conta a sua competência, com todo o mérito, considerada uma das mais conceituadas jornalistas que o pais jamais teve, não ter aceite semelhante convite do Governo causa muita confusão.
Acho que muitos leitores, tal eu, estarão curiosos por saber as razoes obvias que levaram a São a não ter aceite o convite do Governo como diz nesta entrevista.
Espero que o Tela Non não Censure o desafio lançado e deixe que a São, ela própria, responda.
Franz K
14 de Janeiro de 2011 at 10:06
É simples meu caro. Há uma máquina de propaganda montada por este governo só comparável aos tempos do monopartidarismo, isto parece-me claro.
Parece-me óbvio que um poeta que é uma alma livre, não tem que fazer parte da agenda propagandista de ninguém.
Mas também é obvio que a nossa poetisa está a fazer propaganda do seu lado, ou melhor, está a aproveitar este incidente para aparecer como arauto anti-governo. Está a misturar as coisas.
Penso que ela não tem necessidade para tal, devia estar acima destas coisas e escrever obras (como tem feito) que enriqueçam a cultura de STP, e que reflitam a nossa realidade politico-sócio-económica, mas cada um sabe com que linhas se cose.
MELHORES DIAS VIRAO
14 de Janeiro de 2011 at 14:59
A Sao Lima para além de escritora é jornalista e como jornalista exige a verdade porque a verdade é só uma.O que queremos apenas é que o governo saia a rua e fale sobre o assunto,precisamos ouvir da parte do presidente da republica e do primeiro ministro o que esta a se passar de concreto.Coisa pior é deixar cidadao sem resposta.A RTP E A RDPAFRICA JA TENTOU TIRAR DO GOVERNO E DO PRESIDENTE O SEU PARECER ACERCA DISSO? FALO DO PRIMEIRO MINISTRO,NAO DO PARTIDO ADI.ESPERO UMA RESPOSTA TELA NOM!!!
Rui Sousa
17 de Janeiro de 2011 at 2:41
Frantz K
MÁQUINA de propaganda, este governo? Ó homem, vá assustar pintainhos, pelas alminhas! Vocês são do mais tosco que alguma vez se viu! Santa Cruz!
Olho de Boi
14 de Janeiro de 2011 at 19:11
Gabinete de Comunicação e Imagem do GOVERNO, não de STP, sr. Rocha. Leia a nota do ADI, está lá.
Jorge David
15 de Janeiro de 2011 at 13:03
Meu caro,
Toda a razao esta do seu lado e acredito que a causa de toda esta vergonhosa confusao, reside no nao com a Sao respondeu ao convite do sr. Primeiro Ministro. Porque, na verdade e sobejamente conhecida a vasta capacidade tecnica e profissional da Conceicao Deus Lima, jornalista que, atraves da BBC Londres levou o nome de S. Tome e Principe aos 4 cantos do mundo. No entanto, a decisao do governo constitui um grave atropelo a liberdade de imprensa e aos ideiais da mudanca que todos apoiamos. Abracos.
Costa
15 de Janeiro de 2011 at 15:41
Espero que o Tela faca forca junto da Sao para que ela responda a pergunta lancada pelo Sr. Jose Rocha.
Caso a Sao nao diga nada em relacao ao desafio lancado pode-se afirmar que ela nao esta sendo honesta para com todos aqueles que desde a primeira hora tem estado ao seu lado e muito menos ainda para com aqueles que subscreverem a Petição de apoio em seu favor.
Abel Castor
15 de Janeiro de 2011 at 15:54
Concordo com o Sr Jose Rocha. A Sao deve esclarecimento aos leitores, depois de toda esta confusao gerada a sua volta, caso contrario, as pessoas, que sempre a apoiram, se sentirao ultrajadas.
zeme almeida
14 de Janeiro de 2011 at 11:22
Caros compatriotas,como observador atento e preocupado do que está a passar nesta casa TVS,parece-me que não vai ter um fim a vista.É de recordar a todos que esta guerra SÃO-TVS,ja remonta a 5 meses desde que este governo do Pactrice Trovoada em conduzir o destino deste País,nos proximos 4 anos.Todo mundo sabe o que está a passar e senhora jornalista,continua a bater na mesma ferida.Serã que esta jornalista não tem mais nada a fazer a não ser este programa em directo na TVS?Valha me Deus!Este TACHO deve ter uma grande (MASSA).Eu espero que este meu parecer não seje retirado,porque não violei a vossa re TELA-NON.As verdades têm que ser ditas.Viva STP
zeme almeida
14 de Janeiro de 2011 at 12:28
Caros comp e preocupado do que está a passar nesta casa TVS,parece-me que não vai ter um fim a vista.É de recordar a todos que esta guerra SÃO-TVS,ja remonta a 5 meses desde que este governo do Pactrice Trovoada em conduzir o destino deste an sabe o que está a passar e senhora jornalista,continua a bater na mesma ferida.
bengui-dóxi
14 de Janeiro de 2011 at 12:35
Também começo a ficar farto disto. Sou um dos que criticou bastante o episodio de “despedimento” da São da TVS. Mas, agora não so vejo que a excelente jornalista esta pecando pelo exagero em busca desnecessária de protagonismo, como reconheço alguma deselegancia e falta de respeito pelo superior hierarquico da parte da tão prestigiada jornalista. Vejam o que ela mesma disse nesta entrevista: “Obviamente, comuniquei ao director que não me sentia confortável para justificar um cancelamento de última hora, cujas razões desconhecia. Coube-lhe, pois, explicar a Carlos Veiga as instruções que recebera do Governo, num encontro em que estive presente do princípio ao fim. Julgo ter sido o momento mais embaraçoso de toda a minha carreira. Um momento de grande embaraço e de indisfarçável vergonha”. Com que então, tendo sabido das ordens do cancelamento da entrevista, no mínimo 30 minutos antes, ela não tratou de comunicar o facto à equipa do Dr. Veiga preferindo esperar que este chegasse para o levar ao Gabinete do Director???? Pergunto, o Director estava a espera do Dr. Veiga ou simplesmente a Jornalista aborrecida impôs que assim fosse? E mais ela mesmo reconhece que foi “um momento de grande embaraço e de indisfarçavel vergonha” Mas foi ela que organizou tudo, não foi? Ter-se-ia poupado este embaraço e vergonha a si, ao Director, à TVS e a todos os sãotomenses. Ter-se-ia também poupado o Dr. Carlos Veiga a participação em directo em toda esta palhaçada, pois de certeza que não seria esta a primeira entrevista cancelada do Dr. Veiga. Acho que disto podemos retirar um ensinamento. Por mais ferido que esteja o Homem, contrariamente aos animais, devem ter a sensatez de avaliar as consequencias das suas resposta ao ataque que sofreram.
Arnaldo Diogo Salvaterra
14 de Janeiro de 2011 at 16:20
Mas porquê que o Téla Nóm tem de tirar esta notícia da sua agenda? Eu não compreendo a obsessão desta gente? Eu, por exemplo, desde sempre leitor atento do Téla Nóm, acho que o Téla Nóm está a prestar um grande serviço ao país.
Porquê que este problema tem de ser empurrado para debaixo do tapete? Expliquem-me, por favor! É assim que o país tem feito nos últimos trinta anos: mandar tudo para debaixo do tapete; não fazer um jornalismo de investigação rigoroso e sério; proteger os poderosos porque eles assim querem e mandam, etc. Agora que surge um jornal, que está a fazer um trabalho ou jornalismo de investigação sério sobre um problema grave de atentado à nossa democracia, surgem vozes que mandam parar a referida investigação para protegerem interesses de terceiros. Porquê? Com que objectivos? Eu, sinceramente, não percebo a razão pela qual esta notícia ofende os senhores em causa. Não vejo razão nenhuma. A não ser que o senhores sejam partes interessadas neste problema e clamam pelo silêncio em defesa dos seus interesses pessoais e profissionais? Por favor, deixem o jornal fazer o seu trabalho!
Eu não percebo a vossa intenção. O que é que estas notícias contribui para atrapalhar a leitura do jornal. O jornal não publica outras notícias? Publica! O jornal não fala de outros assuntos? Fala! Não existe diversidade informativa no jornal? Existe! As pessoas são obrigadas a lerem notícias relacionadas com este caso? Não! Então porque razão querem que o jornal deixe de falar neste caso? Digam-me, por favor! Para esconder alguma coisa?
Reparem, por exemplo, no conjunto de notícias do jornal Parvo. O que é que lá existe? Em termos de diversidade noticiosa é, para mim, muito pobre, paupérrimo mesmo. Isto para não falar nos artigos de opinião que são rascas e sem conteúdo sério ou compreensível, isto sem ofender as pessoas que para lá escrevem. Temos um jornal, que é o Téla Nóm, que está a fazer, pela primeira vez na história democrática do país, um exercício de jornalismo meritório, com grande coragem e seriedade editorial sem censura ou medo dos poderosos, no entanto, algumas pessoas querem que o referido jornal não publique certas notícias. Porquê? Para quê? Para defender que interesses? É assim que vamos consolidar a nossa democracia?
Fui
Arnaldo Diogo Salvaterra
Joao Pedro
15 de Janeiro de 2011 at 2:51
Arnaldo Diogo Salvaterra,
Jornalismo sem censura, desejava eu que assim fosse. Os teus comendatários nunca são retirados porque são sempre escritos a favor do jornal.
Censurar artigos com comentários cristalinos, honestos e feitos de boa fé, como tem acontecido, será assim que se exerce a liberdade de imprensa que o jornal diz defender?
Zinane
14 de Janeiro de 2011 at 17:17
O trabalho de água com cesto…
O nosso prezado Téla-non tem dado voz língua e boca a esta “causa vostra” de tal forma que chega a ser ridículo. O drama que vive a São não pode servir de mote a que um jornal abdique dos seus deveres e pugne única e exclusivamente por uma conduta irresponsável pondo em causa até a sua credibilidade. É gregos, é troianos, ultimamente eram belgas, agora é a Pen Club. Francamente! Este assunto já deu o que tinha que dar e por mais que apele a São aos seus distintos amiguinhos, a água não chegará ao seu moinho. A São o que devia fazer era pedir aos seus distintos amiguinhos que pelos vistos são muitos e parecem bastante conhecedores do nosso país, que façam uma vaquinha para financiar o nosso OGE. Que venham investir em São Tomé. É que esta cena já mete nojo! O drama da São seguramente não é maior do que o de milhares de santomenses que vivem abaixo do limiar da pobreza em zonas remotas e recônditas do nosso país que levantam de manhã, sem um pão pra boca.
Basta de hipocrisia!
Basta de birras puerís!
Tenho dito.
bengui-dóxi
14 de Janeiro de 2011 at 13:23
Ha alguns dias ouvi um ouvinte da RDP Africa ca em Portugal a criticar o facto de no program Grande Manha quando fazem a revista a imprensa online dos PALOP não referir-se nunca às notícias de STP. A rtesposta foi que não o faziam porque os jornais online de STP tinham mais artigos de opiniões e coisas de genero. Fiquei furioso com esta resposta. Mas, não é que agora ja começo a dar-lhes um pouco de razão. Vejamos o caso de telanon: agora raras são as notícias cuja relevância justifica sua inclusão numa sintese internacional de notícias dos Palop. Vejamos ainda este caso de TVS vs São Lima! Puxa, nunca mais param de falar disto? Se eu fosse a jornalista, depois de tudo que ja foi feito e dito, inclusivel sondagem, petições ao nível internacionais, manifestações públicas de apoio, etc, eu mesmo teria solicitado a TelaNon para não falar mais do caso e voltar a fala dela com a publicação de mais uma das suas interessantes crónicas, como as famosas cartas à Apolinária.
Fernanda Alegre
14 de Janeiro de 2011 at 17:03
Permita-me meu caro camarada:
Pois é mesmo desta maneira que os malfeitores querem « fazer desistir » mas um bom querreiro luta até ao fim.Tantas coisas acontecem no nosso País e ninguém diz nada,mais será que todos estão de acordo? tenho certeza que não. O povo tem direito de saber, de ter as respostas mas niguém as dá. falou-se de barris de petroléo,do Orçamento de estado, Cortes de energia, pagamentos de impostos que muitas empresas têm com Estado,falta de água no hospital central,enfim e muitos outros. ATÉ QUANDO ESTA SITUAÇÃO! Não podemos ver essas coisas e fingir que nada se passa, temos que ir ao fundo das coisas, quem tem culpa que se responsabilize, afinal de contas é o nosso País que sofre com tudo isso.
Por isso dou toda minha força no caso da Sao Lima,esse misterio tem k ser desvendado. E descordo consigo quando diz que trinta minutos era suficiente para a Sao lima evitar a situação e avisar a equipa do Dr.Veiga! Só pode estar a brincar meu caro, então acha que uma entrevista marcada com tudo pronto ou seja confirmado, trinta minutos chega para a desfazer. Só se for de brincadeira.
Somos todos santomenses vamos lutar para o bem estar do nossa população e n para o bem estar dos nossos sucessivos derigentes que n esta nem sthum pah gente!
Tbm quero acreditar que este governo fará diferença nessa lista negra.
força…lol
António Martins Gomes
14 de Janeiro de 2011 at 15:13
“O poder torna as pessoas estúpidas e muito poder, torna-as estupidíssimas” (R. Kurz).
O psicanalista J. Lacan [1], observou que a partir do momento em que alguém se vê “rei”, ele muda sua personalidade. Um cidadão qualquer quando sobe ao poder altera seu psiquismo. Seu olhar sobre os outros será diferente; admita ou não ele olhará “de cima” os seus “governados”, os “comandados”, os “coordenados”, enfim, os demais. Estar no poder, diz Lacan, “dá um sentido interiormente diferente às suas paixões, aos seus desígnios, à sua estupidez mesmo”. Pelo simples facto de agora ser “rei”, tudo deverá girar em função do que representa a realeza. Também os “comandados” são levados pelas circunstâncias a vê-lo como o “rei do pedaço”. La Boétie [3] parecia indignado em perceber o quanto o lugar simbólico de poder faz o populacho se oferecer a uma certa “servidão voluntária”. Bourdieu chama-nos atenção para a força que o símbolo exerce sobre os indivíduos e grupos. Antes de ocupá-lo, o poder atrai e fascina; depois de ocupado tende a colar a alguns como se lhes fosse eterno. Aí está a diferença entre um Fidel Castro e um Nelson Mandela. O primeiro e a maioria dos ditadores pretendem se eternizar no poder, o segundo, mais sábio, toma-o como transitório, evitando ser possuído pelo próprio. (“Possuído”, sim, pois o poder tem algo de diabólico, que tenta, que corrompe, etc.). Outros exemplos, tais com o da Tunísia, o da Costa do Marfim, o do Egipto, o do Gabão, o de Angola, o de Moçambique, etc., etc.. Bom! São Tomé e Príncipe, também!
Gika
14 de Janeiro de 2011 at 18:34
Tanta confusão, Martins Gomes! Credo!
bengui-dóxi
17 de Janeiro de 2011 at 8:00
Brincadeira!!
Triste, muito triste. Acha mesmo que o nosso país tem lugar nessa sua lista? Favor, diga-nos qual dirigente de STP empreendeu acções para se perpetuar no poder? Basta de exageros e de autodestruição!!!
justiça
14 de Janeiro de 2011 at 17:04
São Deus Lima, sou um admirador de competência. A competência no me entender é aplicar as capacidades de forma ajustada a relidade em causa, e é também imparacialidade e coerencia. Por essas palavras, quero reflectir que sou um admirador seu e espero que a luta, pela democracia sem desfunções e condicionalismos, travada por ti ao longo dos anos seja factível e realizavel no nossa república de STP. Infelizmente o poder tem estado nas mãos daqueles que não conseguem intuir o espirito e o alcance de um sistema democratico, e promovem disfunções no sistema quer por razões óbvis quer por razões que prefiro denominar de extraornárias.
N.C
14 de Janeiro de 2011 at 21:46
Por tudo isso e por muito mas o nosso Sao Tome esta assim e ficara sempre assim se nao mudarmos a nossa mentalidade e nao nos esquecermos de 1 eu,2 eu 3 eu…….
zeme almeida
15 de Janeiro de 2011 at 1:47
No coment!!! Finish
BLAGA PENA
15 de Janeiro de 2011 at 6:22
Sao Lima luta por uma causa justa,por ser sao-tomense e por direito e dever que merece ter no país que a viu nascer, um bom combatente nao conhece a palavra recou, ou morre em combate ou mata o inimigo.
já nao estou, fui
zeme almeida
15 de Janeiro de 2011 at 10:54
Temos Jornal Parvo,o Sabado,STP Press e mais…Pergunto,porque que estes jornais nao estao a dar a sua contruibuicao neste caso!Algo estranho deve estar por detras disto.Talvez nao querem se meter nisto,porque este caso se desenrola um jogo de interesse.Nos os leitores natos do Tela=Non estamos fartos de ler esta manchete SAO-TVS.Ate quando sera o seu fim? Com esta pequena analise,espero que nao tenha violado a vossa regra.Viva o povo de S.Tome e Principe e viva a liberdade dos comentaristas.
E.Santos
15 de Janeiro de 2011 at 14:22
Pois, eu disse que o Tela Non estava a ser pouco estratégico neste assunto e o sentimento quase generalizado dos São-tomenses que acessam a este Jornal é prova disto mesmo. Mas como eu também já fartei-me de dizer, cada um sabe o que faz. Ou talvés não saiba o que faz, mas sabe de si e Deus sabe de todos.
A Comunicação Social deve estar ao serviço do cidadão. Na verdade os jornalistas não têm o direito de nos encher os ouvidos de anedotas e nem nos impor leituras desnecessárias, sob pena de nós os abandonarmos simplesmente.
Os Jornalistas, e isto devem todos ter aprendido nas escolas em que passaram, devem comunicar aquilo que acreditam que as pessoas querem ouvir, querem saber ou tomar conhecimento. Não somos propriamente “jojo”. Por isso é que quando um Jornalista faz uma entrevista a alguém que lhe parece suscitar interesse dos ouvintes ou leitores, ele procura colocar-se na nossa posição e faz as questões que acredita que nós se estivessemos no lugar dele faríamos porque nos interessa.
Acho que está tudo dito e não há necessidade de se fazer desenho…não nos imponham assuntos que já não nos interessa, sob pena de cairem no total descrédito. Aliás, quando dizem que os jornais de STP só têm artigos de opinião, então vocês estão a deixar de ser jornal para ser revista de “babado”. Não estão a lutar pelo direito a informação mas antes por uma anarquia em que cada um diz o que quer tentando manipular a opinião de todos no sentido que lhes interessa.
Só que esquecem-se que a maturidade dos São-tomenses já não é a mesma.
Quanto a questão da São Deus Lima, acho isto tudo tão decepcionante e vergonhoso que recuso-me a voltar a falar sobre o assunto.
João de Oliveira Santiago
15 de Janeiro de 2011 at 19:00
Para a jornalista Conceição Lima, suas amigas e seus amigos em São Tomé e Príncipe e no estrangeiro. Uma sugestão:
Está mais do que provado que o governo santomense cometeu um erro político em não permitir a sua entrevista com Carlos Veiga. Sobre a renovação ou não do seu contrato, como não o conheço, não devo pronunciar-me. Se já não trabalha na televisão santomense e se o seu programa desapareceu da emissão, não fique por aí a lamentar. Levante a cabeça e olhe em frente e avance com um projecto privado de televisão, rádio ou jornal. No seu país não existem mais meios de comunicação social? No seu país é ou não é possível criar um orgão de comunicação social privado, seja uma estação televisão, de rádio ou jornal? Se não existe mais nenhuma estação de televisão, deve certamente existir rádios e jornais privados. Porquê que não avança com propostas para os órgãos de comunicação social privados para realizar e apresentar um programa de informação sobre a actualidade política, económica-financeira e social do seu país? Sabe que hoje em dia, com as novas tecnologias, até pode utilizar a Internet para fazer televisão e rádio e emitir para o seu país, sem sequer ser necessário viver em São Tomé e Príncipe, e para além da imprensa escrita. Porquê que não avança para um projecto deste tipo? Porquê que não cria uma televisão, uma rádio ou um jornal privado? Olha que hoje em dia, não é muito caro. Sabe-se que você tem uma série de amigas e amigos no seu país e no estrangeiro. Sabe-se que você tem imensos contactos no seu país e no estrangeiro. Sabe-se que você para além de ser uma jornalista com capacidade é também escritora. Aproveite tudo isto e lance um desafio a todas as suas amigas e amigos no seu país e no estrangeiro e os contactos internacionais que possue e avance com um projecto privado na área da comunicação social. Aproveite esta ocasião, pois como você própria diz, pode estar em causa a liberdade de imprensa e de expressão no seu país. Ficar parada, ficar apenas a dar entrevistas, a fazer abaixos assinados, a escrever artigos, isto só por si não resolve o problema da liberdade de imprensa no seu país. Porque o que este governo lhe fez agora, certamente que outros terão feito anteriormente a outros colegas seus e outros governos ainda hão de vir e farão o mesmo a si ou a outro (a) jornalista. Por isso, levante a cabeça, olhe para frente e avance. Prove a este governo e aos próximos governos que não são capazes de travar a vontade e a determinação das pessoas quando está em causa a LIBERDADE! Se não se pode fazer um jornalismo sério, isento e competente na televisão e na rádio nacional ou seja do Estado, porque estes dois orgãos são controlados pelos governos que têm estado no poder, então, que se avance com projectos privados de comunicação social sérios, isentos e competentes. Não adianta chorar o leite derramado.
XYZ
16 de Janeiro de 2011 at 10:32
“Está mais do que provado que o governo santomense cometeu um erro político em não permitir a sua entrevista com Carlos Veiga.” – Está mais do que provado como? E se o governo permitisse essa entrevista João de Oliveira Santiago acha que seria politicamente correcto?
Todavia, são muito importantes os conselhos descritos ali por si a S L.
E.Santos
16 de Janeiro de 2011 at 20:40
Concordo consigo, mas garanto-lhe que não está a dizer nada que já não tenha sido sugerido ou que os intervenientes nesta novela não saibam. Aliás, o próprio Tela Non é um Jornal privado e livre e ninguém o calou até agora.
A questão é que resolver problemas de forma construtiva, responsável e com dignidade não é muito o forte dos nossos compatriotas. Gostam de barraco, só lhes faltam mesmo, uma gamela na cabeça.
Acho que todos lamentamos a questão da existência de falta de liberdade de imprensa, condicionamento do trabalho jornalístico sério e por aí fora. Foi sugerido n vezes que a nossa comunicação social, incluindo o Tela Non explorasse mais esta questão de forma a ficar devidamente exclarecida e os cidadãos com a garantia de que os seus direitos estão salvaguardados.
Infelizmente até agora ninguém deu um passo neste sentido, nem mesmo quem está a reclamar tal liberdade.
Unica e simplesmente porque na verdade não lhes interessa nada esta coisa de liberdade de impremsa…não estão nada preocupados com isso.
Alguém disse certa vez “há mais coisas entre o ceu e a terra do que julga a nossa vã filosofia”. E por tudo o que temos assistido ou lido, leva-nos de facto a subscrever esta frase.
bengui-dóxi
17 de Janeiro de 2011 at 8:17
Muito bem Sr. Santiago! Ha unanimidade quanto ao reconhecimento das excelentes competencias da São Lima. E que não me venham dizer que é graças à sua passagem pela BBC! Muito antes a São ja nos tinha oferecido excelente trabalho de jornalismo, como por exemplo o programa “Clonvessá”.
Se é verdade que foi uma pena a lamentável decisão do governo, é também verdade que de nada serve chorar sobre o leite derramado. Força São! Siga o conselho/desafio do Sr.Santiago. Boa sorte pois o seu exito neste empreendimento sera para o bem do Jornalismo sãotomense.
zeme almeida
15 de Janeiro de 2011 at 21:39
Subscrevo-me também da sua opinião senhor Santiago.Sendo uma jornalista falada e com elevadissimos conhecimentos como ela diz,não deveria estar sujeito a tudo isto!O que nós os Sãotomense devemos fazer é criar ideias e projectos valiosos.A nossa São esteve no estrangeiro mais de uma decada o tempo suficiente para entender que mundo moderno,está em constante revolução.Um jornalista mais que ninguém sabe que tudo quanto é controlado pelo estado seja em democracia ou não sempre foi objecto de censura.Se tivessemos mais estações da radio e televisão o governo não teria margem de manobra para travar noticias seja de que natureza for.Eu nunca estive contra esta jornalista só estou contra a todos aqueles com tendência apartidaria.Um verdadeiro jornalista pra mim nunca deve declarar a face da sua moeda.Pelo Sãotome e Principe rumo ao desenvolvimento.
J. Maria Cardoso
16 de Janeiro de 2011 at 10:15
As palavras são como as rosas, se por amor não picam, as suas pétalas derramam ciúmes de sangue.
À excepção da primeira intervenção k o Téla Nón trouxe ao público on line com o caso São Lima/TVS, quase todas as outras, repito quase, deixaram adormecer a minha fome sem k eu pudesse tomar a decisão de comer para salvar o meu corpo franzino.
Finalmente o Téla Nón volta ao de cima com uma elegante entrevista de São Deus Lima ao jornal Público. Não li drama coisa nenhuma, não belisca o Governo, não cansa de jeito nenhum e de longe é um derrame de leite a volta de lágrimas.
Li uma entrevista k os seus colegas jornalistas em STP, muitos não estariam autorizados a dar a uma agência estrangeira.
É verdade k o cansaço cansa, daí tô de acordo que muitas das opiniões por aí desalentadas não tiveram a paciência de ler a entrevista ou se a leram, a capacidade de interpretação e o fervor deixaram-lhes, com todo o meu respeito pela opinião alheia, completamente tresloucados do miolo.
É certo k a outra versão dos factos não veio a mesa do interesse dos leitores, ninguém deve obrigar quer a TVS ou o Governo, tardiamente trazer a gasolina ao lume, mas a meia-medida ficamos todos nós esclarecidos k a nossa Democracia, curiosamente, é feita de uma exigência na oposição e de desistência no poder. É nossa Democracia!
Desde o meu primeiro contacto com os textos de São Lima (kero comprar o seu novo livro) no Téla Nón k me batizei seu admirador com os olhos de ver alguém desconhecida na intimidade e solicitei a cronista k não respondesse em momento algum aos comentários desta tribuna, evitando o bate-boca. Fiz o idêntico pedido ao Téla Nón.
Desta vez, os dois tiveram o mérito de resistir aos Santos e Deuses mascarados de defensores de causa própria.
Deixem-nos em respeito mútuo debater e cada um vender o seu juízo pró e contra ao bem do contraditório EM DIRECTO.
Dizia o outro, “o povo canta e a caravana encanta!”
Parabéns!
Edger M. Conde
16 de Janeiro de 2011 at 21:29
Eu, a partida não digo que foi devido a negação dela que fez com que o governo suspendeu este belissímo programa(em directo) mas é de salientar que ao ouvir que o governo suspendeu o seu programa fiquei triste, mas não posso dizer que ela fez mal em negar o convite do governo porque cada um tem o seu parecer, o seu ponto de vista, pode ser que isto não fazia parte do seu prognóstico,etc. Mas, como santomense que quero vêr o meu país bem e para que o meu país esteja bem temos que ter pessoas certas nos locais certos, e a Conceição Lima é uma das pessoas certas que deve estar na nossa televisão, seja apresentando este ou aquele programa. Portanto não preciso saber o que aconteceu para o governo suspende este programa mas só sei que o certo é que a necessidade de Conceição Lima voltar a seu trabalho na nossa televisão.
Underdôglas
16 de Janeiro de 2011 at 22:07
E’ interessante a maneira fraccionada no tempo como fala a jornalista Sao. Quase que ele debita o seu discurso consoante o auditorio.
Ora bem, como eu disse logo no inicio desta polémica e repito ha um caso flagrante de violaçao do direito de imprensa e da liberdade de expressao, pelo que eu exprimi logo o meu apoio à jornalista.
Mas depois vieram outras informaçoes contraditorias que me levaram a retirar o meu apoio à jornalista, apesar de continuar a dizer que ha aqui um atentado à liberdade de informaçao e de expressao.
Eis que volto aqui e deparo-me com um novo discurso da jornalista que eu até agora nao tinha lido, mas que num dos meus posts eu tinha questionado.Eu tinha perguntado por exemplo se a jornalista tinha intençoes de entrevistar também o primeiro ministro caboverdiano Neves, para equilibrar a entrevista que ela queria fazer ao doutor Veiga.
De repete, como eu disse venho aqui e encontro quase que a resposta à minha interrogaçao e cito a jornalista nesta entrevista à Publica:
“Carlos Veiga, ex-primeiro-ministro cabo-verdiano, líder da oposição e candidato ao cargo nas eleições de 6 de Fevereiro, chegou a São Tomé no dia 30 de Novembro e fez saber que gostaria de responder a afirmações feitas anteriormente em entrevista à TVS pelo doutor José Maria Neves, na dupla qualidade de primeiro-ministro de Cabo Verde e líder do PAICV, o partido…”
Eureka, como diria Arquimedes!
Afinal a jornalista adaptou o seu discurso a um novo auditorio. Porque é que ela nao deu desde o inicio esta informaçao? Esta informaçao nao está em nenhum dos seus artigos, até ao momento em que lhe retirei o meu apoio.
Ora bem, esta nova afirmaçao é crucial. Afinal, o Veiga queria usar do direito de resposta a uma critica que se calhar o primeiro mnistro Neves ja tinha feito em anterior entrevista à televisao saotomense.Isto quer dizer que a Sao ja tinha entrevistado o primeiro ministro de CVerde.
Se é o que se passou,como é evidente, havia razoes de sobra para a entrevista. Eu tinha criticado precisamente o ponto relacionado com a igualdade de tratamento. Eu tinha dito que a jornalista nao podia entrevista Veiga, sabendo que se està em periodo de quase campanha, e sabendo que ela nao teria tempo de entrevistar também nas mesmas condiçoes o primeiro minsitro caboverdiano, pois ela nao tinha certeza se ele iria a STomé.
Ora bem, por aquilo que leio agora o MP de CV ja tinha passado por STome antes de Veiga. Logo, Veiga tinha também o direito a essa entrevista.
Mas porque é que a Sao nao disse isso desde o inicio? Ou ha aqui alguma coisa mal contada? Se tudo se passou como acabo de ler agora volto a dar o apoio retirado à Sao, pois, como ja disse nao ha duvidas nenhumas de que ha aqui um caso de censura e de atentado à liberdade de expressao.
Enfim, nada de comparar CV com STOME. E’ um mito essa coisa de democracia em STome. E’ um chavao! STome so tem passado entre gotas da chuva porque nao houve uma guerra como houve em Angola, Guine e Moçambique, mas STomé em termos de democracia està no plano da Guiné e pior que Moçambique e Angola.
Em relaçao a CV, sao estereotipos, continuar-se a falar das fomes caboverdianas que nao dizem rigorosamente nada a pessoas que têm hoje 55 anos quanto mais agora as actuais geraçoes. O milagre democratico e cultural de CVerde nao tem nada a ver com a independência de CVerde, mas com um percurso civilizacional que vem dos tempos do Império caboverdiano. Os caboverdianos foram sempre bem formados, e foram utilizados alias como capatazes, adminsitradores e funcionarios em Stome, Angola e Moçambique, em detrimento de saotomenses, angolanos, moçambicanos etc etc.
Também é verdade que houve uma franja de caboverdianos dos mais coitados, dos mais miseraveis que foram para as roças de STOmeé e infelizmente, é esse o quadro, o prisma pelo qual o saotomense vê CVerde. So que esses caboverdianos das roças nao sao representativos do povo caboverdiano.
Era gente que ja estava marginalizada pela pobreza e pelo analfabetismo em Cabo Verde. Logo, foram utilizados pelo colono português como mao de obra escrava em STome. Foi uma emigraçao escrava e forçada para STomé.
Underdôglas
Underdôglas
16 de Janeiro de 2011 at 22:11
erratum::
queria escrever dos tempos do Império portugues e nao caboverdiano como é evidente….
Underdôglas
16 de Janeiro de 2011 at 22:26
Outra coisa a jornalista tem de ter cuidado com o seu fraseado e o seu tom desprezivel que tem em relaçao ao seu proprio povo.
Como pode querer o apoio do saotomense se tem afirmaçao do tipo?:
“mentalidade de assistidos”. Quer dizer mentalidade de escravos?!!!!!
Curiosamente esse tipo de frases é tipico das mulheres africanas negras que estudam e vivem na Europa. Conheço uma boa parte delas que passam a imitar a branca; estudam, sao doutoras, e dizem-se civilizadas, adoptando uma arrogância contra os seus proprios povos e sobretudo os seus homens que passam a chamar atrasados, e assistidos mentalmente!…
Underdôglas
Joao Pedro
17 de Janeiro de 2011 at 2:02
Estou atónito pelo facto de ainda não ver uma explicação, por parte da nossa querida São, em relação uma simples pergunta levantada pelo Sr Jose Rocha. Eu que sempre me posicionei ao seu lado já me começo a sentir muito preocupado, desiludido e traído. Espanta-me muito que, alguém que tem indubitavelmente o dom da escrita, pelos belos artigos também publicados neste jornal, ainda não tenha sido capaz de dizer algumas palavras em relação a pergunta simples; já começo a pensar que tinha estado a ajudar a lutar por uma falsa causa, o que lamento muito.
zeme almeida
17 de Janeiro de 2011 at 10:01
Senhor Abel Veiga ainda se recorda quando foi processado pela Ex-primeira ministra Maria das Neves,em 2003 quando o senhor foi reporter da RTP/Africa o teve esta grande protecao e ajuda de alguem?Aonde e que andava esta senhora jornalista que o jornal Tela-Non esta a defender a fio e espada!Este reparo nao faco por mal como dz no nosso ditado(uma mao tem que lavar a outra para as duas ficarem limpas).Voces estao a fazer pela senhora como colega de profissao e e bom ela e os outros registem isto.Viva STP
zeme almeida
17 de Janeiro de 2011 at 10:07
Quero dizer(e bom que ela e os outros registem isto.