É um dos temas do diário informativo da Rússia, que o cidadão são-tomense Filipe Samba, radicado em Moscovo envia para o Téla Nón.
DIÁRIO INFORMATIVO
- Putin critica resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia
- Dmitry Peskov: Dmitry Medvedev expressou posição oficial da Rússia sobre Líbia
- Antigo embaixador da Rússia na Líbia afirma não ter escrito “mensagens indignadas” à direcção russa
- Nurgaliev: 50 efectivos altamente colocados foram demitidos no quadro da reforma do Ministério do Interior
- · Robert Gates descarta participação de tropas norte-americanas em operação terrestre na Líbia
- · Peritos não excluem fase terrestre da operação militar na Líbia
Putin critica resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia
Vótkinsk (Rússia), 23 de Março – RIA Novosti
O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, ao conversar esta segunda-feira com trabalhadores de uma fábrica de Vótkinsk, república de Udmurtia, criticou duramente a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Líbia.
“A resolução do Conselho de Segurança da ONU para a Líbia é um documento deficiente. Permite tudo. Parece um apelo medieval a fazer uma cruzada. De facto, autoriza a intervenção estrangeira num país soberano”, disse.
A Rússia não apoiou este documento, recordou o primeiro-ministro.
“O Governo russo não trata de questões de política externa. Mas temos a nossa opinião sobre tais assuntos. O regime líbio não corresponde aos critérios democráticos em nenhum dos parâmetros. Mas isso não significa que forças estrangeiras possam imiscuir-se num conflito interno para defender uma das partes”, assinalou.
Dmitry Peskov: Dmitry Medvedev expressou posição oficial da Rússia sobre Líbia
Moscovo, 23 de Março – RIA Novosti.
A avaliação da situação em torno da Líbia, expressa pelo primeiro-ministro da FR, Vladimir Putin, foi o seu ponto de vista pessoal, a única posição oficial da Federação Russa é a declaração do presidente da FR, Dmitry Medvedev, afirmou o secretário de imprensa do chefe do Governo, Dmitry Peskov.
Trata-se de diferentes níveis da avaliação”, disse Peskov aos jornalistas.
“A avaliação feita pelo primeiro-ministro não é senão o seu ponto de vista pessoal, enquanto a avaliação expressa pelo chefe de Estado é a única posição oficial da Federação Russa”, destacou o secretário de imprensa de Putin.
Segunda-feira, Vladimir Putin comentou a operação militar Odisseia do Amanhecer que a coligação de países ocidentais começou a 19 de Março na Líbia. Num encontro com trabalhadores de uma fábrica na Udmúrtia, Putin sujeitou a duras críticas a resolução do CS da ONU sobre a Líbia, que, nas suas palavras, admite a intervenção estrangeira num Estado soberano, qualificando-a de “deficiente e prejudicial” que faz lembrar “o apelo medieval às cruzadas”.
Passadas algumas horas, o presidente da FR, Dmitry Medvedev, fez uma declaração dedicada à situação na Líbia. O chefe de Estado apelou a fazer declarações cuidadosas sobre os acontecimentos na Líbia.
“Hoje fazem-se avaliações muito diferentes daquilo que acontece na Líbia. Devemos escolher os adjectivos com o máximo cuidado. É absolutamente inadmissível utilizar termos que no fundo levam ao confronto de civilizações – tais como cruzadas, etc. Isso é inadmissível”, salientou o presidente.
Na operação Odisseia do Amanhecer participam os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Itália, o Canadá e a Espanha. As forças da coligação já lançaram mais de 120 mísseis de cruzeiro contra estruturas de defesa antiaérea da Líbia. Segundo os meios de comunicação social oficiais da Líbia, a coligação assestou golpes contra estruturas civis em grandes cidades, tais como Tripoli, Benghazi e Zuvare, e reservatórios de petróleo na região de Misrata, em resultado dos quais foram mortas mais de 60 pessoas. Os países ocidentais não confirmam estas informações.
Desde meados de Fevereiro, na Líbia têm ocorrido manifestações de protesto contra o regime de Muammar Kadafi que governa o país de há mais de 40 anos. Organizações internacionais informam sobre milhares de mortos em resultado dos confrontos entre rebeles e tropas governamentais. Muammar Kadafi desmente estas informações, afirmando que as Forças Armadas da Líbia lutam contra bandidos que aterrorizam a população do país.
Antigo embaixador da Rússia na Líbia afirma não ter escrito “mensagens indignadas” à direcção russa
Moscovo, 23 de Março – RIA Novosti.
Vladimir Tchamov, embaixador demitido da Rússia em Tripoli, que regressou na noite de terça para quarta-feira a Moscovo, desmentiu as informações de que teria escrito “mensagens indignadas” à direcção russa por causa da situação na Líbia.
Na Internet apareceram informações sobre as mensagens que o embaixador teria enviado a Moscovo por causa da situação na Líbia.
“Na Líbia, a Internet foi desligada durante dez dias e não tive a possibilidade de entrar na rede, mas sei que correm boatos de que eu teria escrito uma mensagem indignada ao presidente. Desminto isso categoricamente, sendo embaixador, só enviava telegramas oficiais que havia muitos”, disse Tchamov aos jornalistas no aeroporto de Sheremetievo.
“Sou uma pessoa disciplinada, trabalho no MNE há 30 anos”, apontou Tchamov.
O ex-embaixador não quis responder à pergunta sobre as causas da sua demissão: “A causa é indicada no decreto”.
Segundo escreveu a 19 de Março o jornal Moskovskie Novosti, o presidente assinou um decreto sobre a demissão de Tchamov. Ao mesmo tempo, uma fonte da edição no Kremlin não informou sobre as causas do seu afastamento do cargo.
Ultimamente, em muitos países do Médio Oriente e do Norte África decorrem actos de protesto que já levaram à queda dos regimes governantes no Egipto e na Tunísia. Actualmente, os distúrbios continuam, em particular, no Iémen. Anteriormente, as manifestações antigovernamentais tiveram lugar também na Argélia, no Iraque, na Jordânia, em Marrocos e em Omã.
Os confrontos encarniçados entre as forças de segurança, fiéis ao líder da Jamahiriya, Muammar Kadafi, e os rebeldes continuam na Líbia, que, segundo as organizações internacionais, já levaram a milhares de vítimas humanas.
A 17 de Março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que prevê a possibilidade de efectuar uma operação militar estrangeira contra as forças de Kadafi. Na operação na Líbia, que começou a 19 de Março, participam os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França e alguns outros países. A Rússia absteve-se da votação da resolução no CS da ONU.
O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, declarou segunda-feira que a comunidade mundial deve consolidar os esforços para pôr fim ao conflito na Líbia através de conversações. Nas suas palavras, a Federação Russa pode intervir como mediadora na regularização da situação, mas, por enquanto, na Líbia, não há forças com que, oficialmente, as conversações podem ser encetadas. Ao mesmo tempo, o presidente da FR destacou que a situação naquele país foi provocada por crimes do regime de Kadafi contra o seu próprio povo.
Referindo-se a cidadãos da Rússia, Tchamov disse que actualmente na Líbia vivem cerca de cem russos, 40 dos quais se encontram na Embaixada da FR. Nas palavras do antigo embaixador, a Rússia evacuou até hoje 1116 pessoas da Líbia.
Nurgaliev: 50 efectivos altamente colocados foram demitidos no quadro da reforma do Ministério do Interior
Moscovo, 23 de Março – RIA Novosti.
Cerca de 50 efectivos altamente colocados do Ministério do Interior foram afastados dos seus cargos desde o início da reforma dos órgãos de protecção da ordem, ou seja um em cada dez dirigentes, comunicou terça-feira o ministro do Interior da Rússia, Rachid Nurgaliev.
“A realização das medidas contra a corrupção é mais um vector importante do nosso trabalho… No ano passado, 27 dirigentes mudaram de local de serviço. Ao todo, desde o início da reforma, o presidente demitiu cerca de 50 dirigentes do escalão superior do Ministério do Interior da Rússia e das estruturas regionais. Trata-se de um em cada dez dirigentes”, disse Nurgaliev.
EM FOCO NA IMPRENSA RUSSA
Kommersant
Robert Gates descarta participação de tropas norte-americanas em operação terrestre na Líbia
O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, iniciou ontem em São Petersburgo a sua visita à Rússia, escreve o jornal Kommersant.
Hoje, Gates manterá encontros com o presidente russo, Dmitry Medvedev e o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov. Em entrevista ao Kommersant, o chefe do Pentágono asseverou que “as tropas norte-americanas não entrarão em território líbio”.
Respondendo à pergunta sobre o papel dos EUA na operação “Odisseia ao amanhecer”, empreendida no passado 19 de Março pelas forças aliadas contra as tropas de Muamar Kadafi, Gates disse que a Força Aérea e a Marinha de Guerra norte-americanas receberam a ordem de iniciar esta operação para destruir a defesa anti-aérea líbia.
Depois, as forças aéreas de outros países da coligação tiveram de garantir o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia para impedir ataques das forças leais a Kadafi contra a população civil. Uma vez conseguido este objectivo, os EUA entregarão a liderança da operação aos aliados e permanecerão em segundo plano.
O chefe do Pentágono anunciou que seria “insensato” colocar a morte do ditador líbio Muamar Kadafi como principal objectivo da operação. Segundo ele, é evidente para todo o mundo que o povo líbio poderá viver muito melhor sem Kadafi mas que este é um assunto interno da Líbia.
Vedomosti
Peritos não excluem fase terrestre da operação militar na Líbia
A coligação internacional tenciona actuar com rapidez para impedir que na Líbia aconteça o memo que ocorreu no Iraque, escreve o jornal Vedomosti.
Não obstante, peritos consideram que a operação poderá levar muito tempo e não excluem uma fase terrestre. O seu início é possível no caso de pilotos das forças aliadas serem feitos prisioneiros. Segundo informou um alto responsável do Pentágono, o vice-almirante William Gortney, até agora todos os pilotos regressaram às suas bases.
Navios de guerra e submarinos das forças de coligação já disparam mais de 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra alvos da defesa anti-aérea líbia nos arredores de Tripoli, Misrata e Bengasi.
A operação tem como objectivo garantir a zona de exclusão aérea prevista na resolução do Conselho de Segurança da ONU e proteger os pilotos e aviões da coligação que sobrevoam o país árabe.
Os bombardeamentos já são habituais em Tripoli quando anoitece. Foi destruído um edifício da residência presidencial nos arredores da capital líbia.
William Gortney insistiu que o objectivo da coligação não é de maneira nenhuma abater o ditador, tal não consta da resolução 1973 do CS da ONU.
benavides pires sousa
24 de Março de 2011 at 20:31
é mais um que fala quando lhe convém, e mandou medvedev estar á frente como presidente figurino, enquanto que ele faz das suas e condena o que nao lhe convém e apoia o que lhe convém, como é o caso da desumana perseguicao á pessoas religiosas no seu próprio pais, sobretudo de certas religioes que nao lhe convém, embora o seu país seja subscritor dos convenios do D. Humanos entre outros, da ONU.
Carlos Ceita
25 de Março de 2011 at 13:39
Meus caros amigos o Ocidente deveria ser o baluarte da democracia. A França um pais com uma trajectoria de liberdade e fraternidade ultimamente tem sido governado por um senhor que manda expulsar os ciganos e onde a extrema direita da filha do le pen aparece favorita nas sondagens. A Italia com um primeiro ministro envolvido em escandalo sexual com menores. Portanto são demasiados exemplos de um Ocidente corrupto cinico e sem moral neste momento para falar em direitos humanos. Não admira que esta Europa esteja confrotado com um lider competente e carismatico para liderar esta Europa em crise. Quanto ao senhor Putin deveria estar quietinho no canto pois este senhor em materia de democracia de direitos hunanos pouco ou nada temos a aprender com ele. Com casos de jornalistas assassinados e dessidentes envenenados so faz lembrar os tempos de gulags e da eficacia do serviços da KGB.
Bom Fim de Semana a todos
Carlos Ceita
25 de Março de 2011 at 16:04
Meus caros Corrijo a frase anterior queria dizer : “Não admira que esta Europa esteja confrontado com a falta de um líder competente e carismático para liderar esta Europa em crise”