Sociedade

Voluntários na Linha da Frente: “Cinco Irmãos” reforça ações de saúde comunitária

Numa manhã marcada por compromisso e esperança, o Ministério da Saúde entregou esta quinta-feira, 19 de junho, novos equipamentos às equipas do projeto comunitário “Cinco Irmãos”, uma iniciativa que tem vindo a transformar o rosto da saúde pública nos bairros e comunidades mais vulneráveis de São Tomé e Príncipe.

Sob o olhar atento de líderes comunitários e técnicos de saúde, a cerimónia decorreu no Centro Nacional de Endemias e simbolizou mais do que um simples reforço logístico. Foi, na verdade, um reconhecimento ao papel fundamental que os voluntários desempenham na prevenção de três das doenças mais persistentes do país: o paludismo, a tuberculose e a hepatite C.

Entre os materiais entregues — mochilas, capas de chuva, botas e coletes — o destaque vai para a autonomia e dignidade operacional que agora se reforça. Equipados, os agentes comunitários podem continuar o seu trabalho em áreas de difícil acesso, muitas vezes sob chuvas intensas ou sol escaldante.

Lançado há cerca de dois anos, o projeto “Cinco Irmãos” nasceu com um propósito simples, mas poderoso: chegar antes que a doença chegue. Porta a porta, conversa a conversa, os voluntários percorrem aldeias e bairros para partilhar informações essenciais sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidados de saúde.

Ninguém fica para trás quando o conhecimento chega. O que fazemos é dar poder às pessoas para se protegerem e cuidarem umas das outras”, afirma Braulia Costa, voluntária veterana do projeto.

Com uma abordagem que mistura escuta ativa, empatia e informação técnica, a equipa já conseguiu detetar precocemente vários casos de tuberculose, encaminhar pessoas com sintomas de hepatite para exames e reforçar o uso de mosquiteiros impregnados contra o paludismo.

O projeto está alinhado com os objetivos sanitários internacionais que preveem a eliminação do paludismo até 2030 e o controlo eficaz da tuberculose e do vírus da hepatite C até 2035. A luta, no entanto, exige mais do que metas — exige meios e pessoas.

Esta entrega representa um passo firme na consolidação das ações de base comunitária. São as comunidades que fazem a diferença quando bem informadas e mobilizadas”, reforçou Bonifácio Sousa, diretor do Centro Nacional de Endemias.

Em zonas como Água Grande, Mé-Zóchi e Lembá, as histórias acumulam-se. Uma mãe que aprendeu a reconhecer os sintomas de malária e salvou o filho a tempo. Um agricultor que foi convencido a fazer o teste de tuberculose e iniciou tratamento gratuito. Um grupo de jovens que agora distribui mensagens de saúde durante atividades culturais.

Essa proximidade com o cidadão comum é o que diferencia o “Cinco Irmãos”. Não se trata apenas de distribuir panfletos, mas de criar confiança — algo que, num contexto onde a desinformação ainda é um grande obstáculo, vale tanto quanto um medicamento.

Com o reforço de hoje, as autoridades esperam expandir o alcance da iniciativa e consolidar os resultados já alcançados. A aposta na saúde comunitária é, cada vez mais, uma resposta concreta às limitações dos sistemas formais, especialmente em zonas afastadas dos centros urbanos.

O nosso sonho é que cada cidadão seja um agente de saúde dentro da sua casa”, resume Braulia com um sorriso, pronta para vestir o colete, pôr a mochila às costas e seguir para mais uma jornada de sensibilização.

Waley Quaresma

1 Comment

1 Comment

  1. Fiá Micócó

    22 de Junho de 2025 at 2:51

    A par destas iniciativas é necessário, visão ampla e multidisciplinar, multisectorial, criar estruturas, infraestruturas, mais robustas, consolidadas de monitorização, de investigação e desenvolvimento, estudos na área da saúde, na prevenção, no acompanhamento, na educação/formação na saúde, em torno da sociologia, em torno da cidadania, em torno do conhecimento profindo das doenças tropicais, sobretudo daquelas que nos afectam, quer por negligência, quer pelo clima, quer pela localização, bem como as endemias, pandemias, para isso a centros de formação/investigação interna nas areas, setores de saúde, são funcionalidades, crucias, a forma como se compila conhecimentos nestas áreas, a sua disseminação/prevenção e tratamento comunitario e regional são a chave, necessidade de ter pessoas formadas, numa população de base pirâmide ainda muito larga.

    Ama a tua terra, ama o teu povo, protege o teu território.

    Cuida da tua família, protege os teus filhos

    Pratiquemos o bem

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