Com cerca de 210 mil habitantes, São Tomé e Príncipe tem 53.535 agregados familiares comuns. Os indicadores do V recenseamento geral da população e da habitação dizem que os homens são chefes de 51% dos agregados familiares e as mulheres dirigem 49%.
«Pode também ser, o resultado da emigração acelerada que temos tido. Os homens vão a frente, e deixam as mulheres para trás», afirmou o Ministro de Estado, da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe.
A esperança média de vida dos santomenses cresceu para 71 anos, mas com excepção do distrito de Lembá no norte da ilha de São Tomé. «O único distrito que está abaixo da esperança média de vida é Lembá, 62 anos. O quê que estará a passar em Lembá. Temos de procurar saber…», alertou o ministro Gareth Guadalupe.


O distrito de Caué, no Sul, mostra maior vulnerabilidade. Tem a maior taxa de natalidade do país, na ordem de 26.13 % por mil habitantes. Também tem a maior taxa de fecundidade e atinge 97,83 % por mil habitantes.
Segundo o V recenseamento geral da população, as mulheres do distrito de Caué têm em média mais de 3 filhos. Na ilha do Príncipe a natalidade é significativa, as mulheres da ilha do papagaio têm no mínimo 3 filhos.
Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística indicam que morrem mais homens que mulheres em São Tomé e Príncipe. O falecimento masculino atinge 54,5% da taxa de mortalidade.
A emigração acelerada está reflectida no V recenseamento da população e da habitação. Muitas casas estão fechadas no país. De novembro de 2024 a março de 2025, ou seja, em 5 meses, mais de 12.200 santomenses abandonaram o país. Um êxodo que começou no ano 2019 e aumentou drasticamente no ano 2024.
O V Recenseamento da população explica que a emigração santomense é dominada pela população activa, principalmente na faixa etária dos 15 aos 49 anos de idade.
«Muito de vocês têm ligado à televisão e visto o que tem acontecido com a nossa gente. Isso é também por causa da emigração acelerada», advertiu o Ministro de Estado, da economia e finanças.
O Governo prometeu estabelecer políticas e tomar decisões com base no recenseamento geral da população e da habitação, que inspirou a criação da estratégia nacional de desenvolvimento sustentável. Um documento que segundo o Ministro Gareth Guadalupe, vai ser aprovado por lei para que seja implementado por todos os governos que hão de vir.
A estratégia vai ser implementada de 2026 a 2040. Segundo o ministro das finanças os projectos estruturantes da estratégia de desenvolvimento sustentável vão ser apresentados aos parceiros internacionais no final deste ano num Fórum de investimento que será realizado na capital da Bélgica e da União Europeia, Bruxelas.
«Porque não podemos nos próximos 50 anos, vir a continuar a depender dos parceiros. O que eles dão temos de agradecer, mas não é suficiente para alavancar a nossa economia. Por isso, para nós é importante o porto e o aeroporto. Se não tivermos um porto e um aeroporto como deve ser para galvanizar a nossa economia vamos continuar a utilizar as mesmas formas dos últimos 50 anos, temos de mudar», concluiu Gareth Guadalupe.
A estratégia de desenvolvimento sustentável inspirada no V recenseamento geral da população pretende combater a pobreza e resolver também o problema dos 20 sem abrigos que existem no país, mais concretamente no distrito de Água Grande, que engloba a cidade de São Tomé.
Abel Veiga