Caué, São Tomé e Príncipe – Com um ato simbólico no sul do país, o Governo lançou hoje, terça-feira, 23 de setembro, a campanha nacional de fumigação espacial, considerada a mais abrangente e estratégica dos últimos anos na luta contra a malária. A iniciativa, que resulta da parceria entre o Governo, a República Popular da China, parceiros de desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde (OMS), pretende cobrir todo o território nacional e reduzir drasticamente os focos de transmissão antes da estação das chuvas.
A malária continua a ser uma das doenças mais devastadoras para as famílias são-tomenses, representando não só uma ameaça para a saúde pública, mas também um pesado fardo económico e social. Apesar dos avanços e da redução significativa da mortalidade nos últimos anos, a meta é clara: eliminar a doença até 2030.
“Este é mais um passo decisivo rumo a um futuro sem malária. A campanha de fumigação é uma arma poderosa para reduzir a população de mosquitos transmissores e salvar milhares de vidas”, afirmou o ministro da Saúde, Celso Matos, durante a cerimónia de lançamento.
O ministro reforçou que o combate ao paludismo não depende apenas dos profissionais de saúde, mas sim da colaboração de todos os cidadãos.
“A saúde é responsabilidade de cada um de nós. Só com o engajamento da população conseguiremos vencer esta batalha histórica contra a malária”, sublinhou.
A operação, que irá decorrer durante várias semanas, percorrerá todos os distritos do arquipélago, com maior incidência nas comunidades de maior risco e densidade populacional. As equipas especializadas atuarão tanto no interior das habitações como nos espaços exteriores, já que o mosquito transmissor alterou o seu comportamento e passou também a alimentar-se fora de casa.
Em representação da Embaixada da China, a conselheira Xi Zhenzny destacou a relevância desta nova fase da cooperação bilateral.
“Esta campanha não é apenas preventiva, é um escudo fundamental antes da época das chuvas. Representa a união entre São Tomé e Príncipe e a China em prol da saúde pública”, frisou.

A diplomata reafirmou ainda o compromisso de Pequim em continuar a apoiar São Tomé e Príncipe até à eliminação definitiva da malária.
“Estamos ao lado do Governo e do povo são-tomense. A China continuará disponível para reforçar esta luta, porque acreditamos que 2030 é um objetivo possível”, acrescentou.
Do lado técnico, o diretor do Programa Nacional de Eliminação do Paludismo, Bonifácio Sousa, garantiu que as equipas estão preparadas para responder ao desafio.
“Temos uma responsabilidade enorme, mas também uma confiança renovada. Esta luta exige disciplina, perseverança e sobretudo a colaboração da população”, declarou.
O especialista recordou que a meta de eliminar a malária não é apenas um sonho, mas uma possibilidade real se houver união nacional.
“São Tomé e Príncipe já provou ao mundo que é capaz de grandes conquistas. Com o apoio da China e a mobilização de todos, 2030 pode ser o ano da vitória definitiva sobre a malária”, concluiu.
Além do impacto direto na saúde, as autoridades estimam que a campanha trará benefícios económicos expressivos, ao reduzir os custos com tratamentos, aumentar a produtividade das famílias e melhorar a qualidade de vida das comunidades.
A população é chamada a colaborar, permitindo o acesso das brigadas de fumigação às residências e compreendendo que a presença do fumo faz parte do processo de eliminação do mosquito transmissor.
Com esta ofensiva nacional, São Tomé e Príncipe pretende transformar um dos seus maiores desafios históricos de saúde pública numa vitória coletiva e duradoura.
Waley Quaresma
Sotavento
24 de Setembro de 2025 at 6:16
Já estamos nesta luta há 50 anos e segue… deprimente
JuvencioAO
24 de Setembro de 2025 at 20:35
Podem crer que sem uma urbanização própria ou sem uma perfeita urbanização nunca, mas nunca haverá uma erradicação da malária. Isto podem crer.