O setor privado são-tomense está diante de um espelho. O Estudo de Avaliação Jurídica e de Mercado, validado hoje, terça-feira, 23 de setembro, no Centro de Arbitragem, mostrou que o país continua a depender de micro e pequenas empresas, em grande parte informais, frágeis na sua estrutura e sem acesso efetivo ao crédito. O retrato, embora preocupante, abre espaço para soluções práticas que podem mudar o rumo da economia nacional.
O estudo, conduzido pela consultora LBC ao longo de mais de um ano, foi encomendado no quadro do Projeto Zunta Mon, IPM-1, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em parceria com o Governo. A investigação focou-se em setores estratégicos como agricultura, turismo, hotelaria, pesca, energia e serviços, e teve como público-alvo as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), tanto do setor formal como do informal.
Segundo Bruno Costa, coordenador do Projeto Zunta Mon, a radiografia era necessária e urgente.
“O setor privado em São Tomé e Príncipe continua fortemente dominado por micro e pequenas empresas, muitas delas informais, com enormes dificuldades de acesso ao crédito e frágil capacidade de gestão. Era fundamental ter este retrato detalhado para propor soluções concretas.”
A análise revelou ainda lacunas graves de ordem institucional. A ausência de bases de dados fiáveis, a falta de instrumentos jurídicos adaptados às especificidades das pequenas empresas e a necessidade de reforço da capacidade do Banco Central e das instituições financeiras são alguns dos pontos críticos.
Para Bruno Costa, o caminho está traçado.
“A nossa visão é clara: criar um ambiente mais favorável ao investimento, fomentar a formalização das empresas e assegurar que jovens e mulheres tenham um papel ativo no crescimento económico do país.”
O workshop de validação reuniu autoridades, representantes de bancos, associações empresariais e cooperativas, num exercício coletivo de reflexão. O objetivo, de acordo com o coordenador, vai muito além da mera apresentação de resultados.
“Este workshop tem um objetivo muito claro: garantir que os resultados obtidos refletem as prioridades nacionais e recolher os contributos dos nossos parceiros estratégicos para alinhar as recomendações às reais necessidades do tecido empresarial.”
Mais do que um diagnóstico, o estudo oferece um guia de ação. Propõe mecanismos inovadores de financiamento, mais flexíveis e adaptados, que poderão beneficiar empreendedores, cooperativas e o próprio Estado.
“Este estudo é mais do que um relatório técnico. É um guia prático para que instituições financeiras, associações empresariais e decisores públicos consigam criar mecanismos de crédito mais acessíveis, flexíveis e sustentáveis”, sublinhou Bruno Costa.
O próximo passo será a divulgação ampla dos resultados junto das instituições financeiras, associações empresariais, cooperativas e órgãos de decisão do Estado, para que as recomendações se transformem em medidas concretas.
Bruno Costa deixou um apelo para as autoridades nacionais.
“Com o vosso contributo ativo, poderemos transformar este estudo num instrumento sólido, capaz de orientar políticas públicas e gerar impacto real na economia nacional. A participação de cada um de vós é decisiva para que o Projeto Zunta Mon atinja o seu verdadeiro potencial.”
Se as recomendações saírem do papel, São Tomé e Príncipe poderá tornar o setor privado mais robusto, competitivo e inclusivo, condição essencial para o crescimento económico sustentável do país.
Waley Quaresma
GANDU@STP
24 de Setembro de 2025 at 16:46
Boa tarde STP,
“A investigação focou-se em setores estratégicos como agricultura, turismo, hotelaria, pesca, energia e serviços,”.
Esqueçeram-se de incluir o maior sector empresarial do nosso País: os politicos.
Em STP, estes controlam 80 ou 90 percent da riqueza que circula na nossa ECONOMIA.
Se analizarmos os nossos politicos, estes são as “AS GRANDES EMPRESAS” prestando serviços ao País.