Os residentes da comunidade de Bela Vista, na Região Autónoma do Príncipe, expressam crescente preocupação com a qualidade da água que consomem diariamente. O abastecimento é feito a partir de um reservatório a céu aberto, sem qualquer estrutura de proteção, o que, segundo os moradores, representa um risco grave para a saúde pública.
“Eu até o chamaria de depósito da morte. Está numa posição vulnerável, onde qualquer pessoa pode fazer o que quiser. Já encontramos aqui restos de papel e outras coisas prejudiciais à saúde”, alertou Regino Inglês, morador e ativista social.
A população manifesta impaciência e apela à intervenção urgente das autoridades competentes.
“O depósito está muito sujo. Quando há cheia, a água vem com lama. Temos que beber assim mesmo ou recorrer ao rio. Isso não é normal”, desabafou Beatriz Espírito Santo.
“A água que abastece a cidade de Santo António está protegida e tem guarda. Já a nossa, parece água para animais”, criticou Tito, outro residente.
Os moradores apontam o estado do reservatório como um dos fatores que contribuem para a incidência de doenças de origem hídrica, não apenas em Bela Vista, mas também noutras zonas da região.
“Nós sofremos. Tenho pessoas em casa com infeção urinária, que é uma das doenças provocadas pela água contaminada”, reforçou Regino Inglês.
Face às denúncias, o Governo Regional comprometeu-se a adotar medidas concretas para reverter a situação.
“É preciso vedar o espaço, e é isso que estamos a planear. Após a reabilitação do depósito, vamos garantir a vedação para evitar acessos indevidos. Com a água não se brinca”, afirmou Flascoter de Oliveira, responsável pelo setor regional da água e energia.
Segundo o mesmo responsável, a intervenção deverá arrancar em breve, com vista a garantir condições dignas de abastecimento à comunidade.
José Bouças