Estudo revela que a principal causa não foi o clima, mas sim a transformação do uso do solo provocada por atividades humanas
Estudo revela que a principal causa não foi o clima, mas sim a transformação do uso do solo provocada por atividades humanas
Um novo estudo publicado na revista científica PLOS One revela que o Monte Kilimanjaro, a montanha mais alta de África, perdeu três quartos das suas espécies vegetais naturais nas encostas inferiores ao longo do último século. A principal responsável por esta dramática redução da biodiversidade foi a alteração do uso do solo, impulsionada pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento económico na região — e não as alterações climáticas, como frequentemente se assume.
Foto: Hemp A, Miyazawa M, Hurskainen P (2025) Gain and loss: Human and environmental wellbeing – drivers of Kilimanjaro’s decreasing biodiversity. PLoS One 20(10): e0334184. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0334184
A investigação, liderada por Andreas Hemp, da Universidade de Bayreuth (Alemanha), analisou dados recolhidos entre 1911 e 2022, incluindo mapas históricos, imagens de satélite, dados censitários e um extenso levantamento de quase 3.000 espécies de plantas encontradas em diferentes zonas do Kilimanjaro, na Tanzânia.
O estudo concluiu que as zonas mais afetadas foram as encostas inferiores da montanha, onde a expansão das áreas agrícolas e urbanas levou à perda de até 75% das espécies vegetais naturais por quilómetro quadrado. A densidade populacional na região aumentou de 30 para 430 habitantes por quilómetro quadrado entre 1913 e 2022, pressionando fortemente os ecossistemas locais.
“A nossa investigação revela que a alteração do uso do solo, impulsionada pelo rápido crescimento populacional — e não as alterações climáticas — foi o principal fator direto da perda de biodiversidade no Kilimanjaro ao longo do último século”, sublinha Andreas Hemp. “Foi surpreendente verificar que o clima não teve um impacto mensurável nas tendências locais de biodiversidade, o que reforça a urgência de abordar os fatores socioeconómicos nas políticas de conservação.”
Os investigadores destacam que a biodiversidade vegetal é um bom indicador da saúde geral de um ecossistema, e que compreender as causas do seu declínio é essencial para proteger os recursos naturais dos quais dependem milhões de pessoas na região — desde a regulação da água ao fornecimento de alimentos e madeira.
Apesar do cenário preocupante, o estudo identifica sinais encorajadores: práticas agrícolas tradicionais sustentáveis e a criação de áreas protegidas mostraram-se eficazes na preservação da diversidade de espécies em algumas zonas do Kilimanjaro. Estes exemplos, defendem os autores, podem servir de modelo para políticas de conservação mais equilibradas entre o desenvolvimento humano e a proteção ambiental.
“Investigar um século de mudanças ecológicas no Kilimanjaro permitiu-nos desvendar os complexos impactos humanos e ambientais. Foi a primeira vez, tanto quanto sabemos, que se estabeleceram ligações entre densidades populacionais humanas e densidades de espécies vegetais à escala de um quilómetro quadrado numa região tropical”, acrescenta Hemp.
O Monte Kilimanjaro, um vulcão adormecido e símbolo emblemático da África Oriental, abriga uma extraordinária variedade de ecossistemas, desde florestas tropicais até planaltos áridos. A rápida transformação das suas encostas evidencia como o crescimento humano descontrolado e a conversão de terras naturais podem ameaçar rapidamente até os ecossistemas mais ricos e resilientes do planeta.
Referência:
Hemp, A. et al. (2025). Gain and loss: Human and environmental wellbeing – drivers of Kilimanjaro’s decreasing biodiversity. PLOS One, publicado a 29 de outubro de 2025.
Licença: CC-BY 4.0
Crédito da imagem: Anthony Lewis / PLOS
Búzio
15 de Novembro de 2025 at 23:44
Nas costas e experiências dos outros devemos ou deveriamos ver a nossa,…questões de sustentabilidade, proteção de flora e fauna, do ecossistemas, das plantas, dos animais, dos solos, do subsolo, da água, do ar, do mar, da orla costeira, deve-nos reflectir pois que hoje somos reserva da biosfera, temos responsabilidade, preservação, protecção ambiental, marítima e terrestres