Sociedade

Água da “morte lenta”: o drama da população de Praia das Conchas Roça

São Tomé e Príncipe é um país naturalmente rico em recursos hídricos. Rios, riachos e cascatas desenham a paisagem de um território onde a chuva cai durante grande parte do ano.

Rodeado pelo mar, o arquipélago parece não conhecer escassez de água. Mas a realidade é bem diferente. A ausência de políticas públicas eficazes continua a deixar várias comunidades sem acesso à água potável.

Na Praia das Conchas Roça, no distrito de Lobata, a água que chega às torneiras apresenta cor de barro.

É uma água que não se devia utilizar, mas não temos outra alternativa. É incrível isso”, lamenta Rui Sabino, morador da comunidade.

Ali, a população apelida a água de “morte lenta”.

Toda gente aqui enfrenta problemas de infeção urinária”, denuncia Gabriel Paulo, líder comunitário. Nelita da Cruz acrescenta: “Padecemos de dores nos rins e outras infeções que afetam até o útero.” Lucinda dos Santos complementa: “Dores de coluna, muita doença. Consumimos e tomamos banho com essa água porque não temos outra solução. O corpo coça muito.” Para Gaspar Tavares, outro residente, “quem está a cuidar de nós é Deus… enfim”, lamenta.

O Primeiro-Ministro garante que a solução já foi encontrada.

Já conseguimos financiamento através da Agência Nacional do Petróleo, proveniente das subvenções das empresas petrolíferas. Com esse apoio, vamos implementar soluções adaptadas às pequenas comunidades, incluindo equipamentos próprios e depósitos com tratamento de água”, anunciou Américo Ramos.

O chefe do Governo assegura que os levantamentos estão concluídos e reconhece a urgência de responder a um problema que continua a afetar milhares de pessoas em São Tomé e Príncipe.

José Bouças

1 Comment

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  1. Rei Amador

    2 de Abril de 2026 at 14:56

    Assunto: Segredo sobre o petróleo

    É uma lástima fornecer esta água à população. Acima de tudo, o uso e o consumo da mesma água causam sérios problemas de saúde à nossa população. Isto é criminoso. O Estado santomense terá de esclarecer a situação das receitas do petróleo e do gás natural que existem no território marítimo de São Tomé e Príncipe.

    Como é possível obter financiamento através da Agência Nacional do Petróleo, proveniente de subvenções de empresas petrolíferas, se não há petróleo nem gás natural no país e não querem dizer-nos a verdade? Quem está a beneficiar desses recursos naturais que pertencem ao nosso país, enquanto são negados em benefício da nossa população? É necessária uma auditoria; revolução política com a participação do povo.

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